Nesta sexta-feira (1), o Google atualizou duas documentações sobre produção de conteúdo. Ambas ressaltam a importância da publicação de páginas de alta qualidade, com informações atualizadas e com base em esforço editorial.
As documentações atualizadas foram:
São orientações que o Google já enfatizava em outros canais, mas não estavam claramente apresentadas nas documentações.
Os novos textos estão disponíveis apenas nas versões em inglês. Veja abaixo o que mudou em cada uma.
O Google detalhou o tópico de foco em previsão, qualidade e relevância dos conteúdos produzidos com IA generativa.
Veja abaixo o trecho, destacado abaixo em negrito:
Ao criar conteúdo para a web, concentre-se na precisão, qualidade e relevância, especialmente ao gerar o conteúdo automaticamente. Lembre-se de que os modelos generativos não recuperam fatos, mas preveem uma sequência provável de palavras com base em seus dados de treinamento. Por isso, os resultados da IA generativa podem conter imprecisões (também conhecidas como “alucinações”). É fundamental verificar manualmente os fatos e revisar todo o conteúdo gerado por IA quanto à precisão e confiabilidade antes da publicação. Essa revisão também se aplica a metadados como elementos <title>, elementos de meta descrição, dados estruturados e textos alternativos para imagens, que podem aparecer nos resultados de pesquisa.
As alucinações são um dos principais problemas no uso da IA para marketing. Elas têm travado times de toda a América Latina e, presumivelmente, também têm dado trabalho para manter a qualidade do índice do Google (e dos dados de treinamento do Gemini).
O grande desafio é que as IAs são resultado do próprio modelo de funcionamento das LLMs. Ou seja, mesmo que o seu prompt seja muito bom e bem elaborado, é possível que a IA se atrapalhe e entregue uma informação errada. Logo, se você não revisar, a informação será repassada aos visitantes.
Os detalhes do guia de conteúdo útil e confiável
Houve acréscimos importantes à documentação de conteúdo útil do Google. As mudanças detalham dois aspectos já conhecidos, presentes nas diretrizes para avaliadores humanos: o bloco de conteúdo principal e os sinais de qualidade avaliados pelo Google.
O novo trecho diz o seguinte:
A Pesquisa do Google define “conteúdo principal” como qualquer parte da página da web que contribua diretamente para que a página cumpra seu objetivo. Dependendo da intenção principal da página, o conteúdo principal atende diretamente ao objetivo da página e pode incluir:
Texto e mídia principais: o texto principal, artigos, imagens, arquivos de áudio ou vídeo na página.
Recursos interativos: funcionalidades integradas, como calculadoras, ferramentas on-line, jogos ou funcionalidades de pesquisa.
Contribuições geradas por usuários: discussões em fóruns, avaliações de clientes, comentários ou mídia enviada por usuários, quando cumprem diretamente o objetivo da página (por exemplo, quando a página trata da discussão de uma pergunta específica de um usuário).
Seções em abas ou expandidas: Informações contidas em abas interativas (como especificações de produtos, notas de segurança ou avaliações de usuários).
Títulos e cabeçalhos da página: O título e os cabeçalhos visíveis em toda a página que resumem seu tema e ajudam os usuários a tomar decisões informadas sobre a visita.
Há uma distinção formal entre esse bloco de conteúdo e os elementos de suporte à página, como anúncios, pop-ups, elementos de navegação, cabeçalhos e rodapés, menus, entre outros. Nenhum desses elementos deve atrapalhar a exibição do bloco principal.
Em seguida, a documentação apresenta os sinais de qualidade aplicados a esse conteúdo principal:
Esforço: O grau de trabalho humano envolvido na criação do conteúdo ou dos sistemas que o sustentam. Por exemplo, escrever uma análise original, traduzir um poema manualmente ou criar um mapa interativo personalizado para um jogo representa um grande esforço. Por outro lado, gerar páginas automaticamente a partir de feeds ou usar IA generativa para produzir grandes quantidades de texto sem supervisão ou curadoria manual representa pouco ou nenhum esforço. A atribuição ou o reconhecimento de outras fontes não substitui a necessidade de um esforço original.
Originalidade: O grau em que o conteúdo oferece informações ou perspectivas únicas e originais que ainda não estão disponíveis em outros sites.
Talento ou habilidade: Se o conteúdo demonstra o talento, a habilidade ou o conhecimento especializado necessários para proporcionar uma experiência satisfatória aos visitantes (como redação clara, vídeo bem produzido ou ferramentas funcionais na página). Lembre-se de que nem todo conteúdo exige conhecimento especializado. Por exemplo, uma pessoa que compartilha sua experiência sobre como encontrou uma nova maneira de limpar a neve da calçada geralmente não precisa necessariamente de conhecimento especializado.
Precisão: para páginas informativas, o conteúdo deve ser factualmente preciso. Para temas que possam impactar significativamente a vida ou o bem-estar das pessoas (temas YMYL), o conteúdo deve ser altamente preciso e consistente com o consenso estabelecido por especialistas.
Os quatro critérios convergem para o que o Google chama de conteúdo útil. São páginas que realmente informam as pessoas, entregando informações com boa curadoria, sem apenas replicar o que outras páginas já falam, ou que uma IA é capaz de escrever.
Por fim, a atualização também menciona a criação de perfis falsos para forjar o E-E-A-T. A prática é chamada de “falso E-E-A-T” e já rendeu punições a portais nos EUA.
O novo trecho de texto diz:
No entanto, evite usar informações enganosas sobre a autoria. Inventar perfis de criadores (por exemplo, usando fotos geradas por IA, nomes fictícios ou credenciais falsas para fazer com que o conteúdo pareça ter sido escrito por especialistas humanos) é uma forma de engano. Qualquer forma de engano torna uma página não confiável tanto para os usuários quanto para nossos sistemas automatizados de qualidade e é um indicador de que se trata de uma página de baixa qualidade.
O novo direcionamento do Google
Ambas as atualizações seguem a mesma direção: enfatizar a produção de conteúdo autêntico e de alta qualidade. Pelo que parece, o Google está tentando diminuir a todo custo o espaço do conteúdo preguiçoso, que só replica as informações de senso comum, que todos os sites já falam.
Essa é uma preocupação antiga, que o Google está abordando diretamente desde 2022 com seus sistemas de conteúdo útil. Mas, com a popularização e aperfeiçoamento das IAs, a questão ganhou uma nova escala, pois ficou barato produzir em escala.
Provavelmente, quem tentar ganhar visibilidade no Google a partir da quantidade, e não da qualidade, não terá sucesso. Acompanharemos os desdobramentos dessas (e de outras) atualizações do Google nos canais da SEO Happy Hour no Linkedin e em nossa newsletter. Siga-nos para não perder nada!
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