Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 02/07/2026
6 min de leitura
De acordo com um estudo da Advanced Web Ranking (AWR), a taxa de cliques orgânicos tem resultados diferentes dependendo da plataforma de origem.
Foram analisadas as mudanças nos cliques do Google entre o Q4 de 2025 e o Q1 de 2026, usando um grande conjunto de dados de buscas de vários países. A ideia era entender como o CTR varia por dispositivo, intenção de busca, tamanho da palavra-chave e setor.
Os números revelam uma divisão clara: no desktop, as cinco primeiras posições cresceram 10,54 pp de CTR combinados; no mobile, o primeiro resultado caiu 2,20 pp. O padrão se repetiu em 22 setores e em todos os tipos de intenção de busca e tamanho de palavras-chave analisados.
Tudo isso tem implicações diretas para quem trabalha com SEO, e eu te conto mais a seguir!
A Advanced Web Ranking calculou as médias de CTR por posição no Q1 de 2026 (janeiro a março) e comparou com os dados do Q4 de 2025 (outubro a dezembro), expressando as diferenças em pontos percentuais.
A base de dados é internacional, abrangendo mercados como Estados Unidos e Reino Unido, e inclui dados de busca com marca e sem marca, por tipo de intenção de busca e por tamanho de palavras-chave.
Para complementar a análise de CTR, o estudo cruzou os dados com variações no volume de buscas por setor, permitindo entender se o comportamento de clique estava se movendo junto ou na contramão da demanda de busca em cada indústria.
Os dados do Q1 de 2026 mostram uma ruptura no comportamento de clique entre dispositivos: enquanto o desktop registrou crescimento expressivo de CTR em praticamente todas as frentes analisadas, o mobile foi na direção oposta.
Essa divisão se repetiu independentemente do setor, do tamanho da palavra-chave ou da intenção de busca.
Confira as variações de CTR de acordo com cada divisão do estudo:
Em buscas com marca, o efeito no desktop foi o mais expressivo do estudo: todas as dez primeiras posições foram impactadas, com crescimento de CTR variando entre 1,99 pp (pontos percentuais) e 5,78 pp por posição.

No mobile, o movimento foi marginal – cerca de 1 pp de aumento em algumas posições do top 10, sem o mesmo peso observado no desktop.
Em buscas sem marca, as quatro primeiras posições no desktop somaram 7,19 pp de crescimento combinado, enquanto no mobile o primeiro resultado perdeu 3,07 pp de CTR.
Em buscas comerciais (com termos como “comprar” e “preço”), as cinco primeiras posições no desktop somaram 12,09 pp de crescimento, enquanto no mobile as duas primeiras posições perderam 5,75 pp combinados.
Em buscas informacionais, o desktop cresceu de forma mais distribuída entre posições, com o primeiro resultado subindo 1,24 pp e as posições 3 e 4 registrando altas de 1,41 pp e 1,21 pp respectivamente, mas no mobile as duas primeiras posições perderam 5,75 pp combinados.
Em buscas locais, o primeiro resultado no mobile caiu 1,60 pp, enquanto no desktop foram as posições 2 e 3 que cresceram, com 1,26 pp cada.

O tamanho da palavra-chave não mudou o padrão – o movimento de crescimento no desktop e queda no mobile se repetiu independentemente do número de palavras na busca.

O estudo separou os dados em 22 setores da indústria, destacando os que registraram crescimento de impressões e os que tiveram queda. O padrão de desktop subindo e mobile caindo se manteve na grande maioria deles.

O maior crescimento de CTR para uma única posição foi no setor de Família e Parentalidade: o primeiro resultado no desktop subiu 7,05 pp, com crescimento se espalhando também pelas posições 2, 3 e 4. No mobile, o movimento foi inverso, com as três primeiras posições perdendo 8,88 pp combinados.
Na outra ponta, o setor de Direito, Governo e Política registrou a maior queda para uma única posição: o primeiro resultado no mobile perdeu 9,03 pp de CTR, enquanto no desktop o mesmo setor cresceu 21 pp combinados nas seis primeiras posições.
Setores como Compras (18,54 pp), Esportes (19,74 pp), Imóveis (21,80 pp) e Moda (20,02 pp) registraram os crescimentos mais expressivos no desktop.

A queda do CTR em buscas sem marca e informacionais no mobile reforça que o dispositivo móvel está sendo usado para consultas rápidas que terminam na própria SERP, seja por AI Overviews, snippets ou outros recursos que entregam a resposta sem exigir um clique.
Por isso, é importante calibrar as expectativas de tráfego para conteúdos que respondem a esse tipo de busca. As impressões podem ser altas, mas os cliques não.
O crescimento de CTR em buscas com marca no desktop, por sua vez, mostra que a disputa pelo tráfego de marca está mais acirrada, e quem não trabalha seus termos na busca orgânica perde cliques para concorrentes.
Por fim, a variação tão expressiva entre setores (com alguns crescendo mais de 20 pp combinados no desktop e outros despencando no mobile) revela que benchmarks genéricos de CTR são cada vez menos úteis. O dado relevante é o seu, no seu setor, no dispositivo que o seu público usa.
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