IA no Google está reduzindo os cliques em sites, diz estudo

Mais um estudo comprova que as AI Overviews reduzem o tráfego orgânico. Desta vez, é a análise da Pew Research Center, que descobriu que as pessoas ficam menos propensas a clicar em links quando há resumos de IA no buscador.

Apenas 8% das pessoas clicam em um link em páginas com resumo de IA, contra 15% nas páginas só com resultados tradicionais. 

A seguir, te contamos um pouco mais sobre esse estudo e as descobertas.

Como foi feito o estudo da Pew Research Center?

Ele aconteceu da seguinte forma: 

ObjetivoAnalisar como resumos gerados por IA aparecem nos resultados de busca do Google e como as pessoas interagem com eles.
Amostra900 adultos americanos, membros do KnowledgePanel Digital. Esses participantes concordaram em instalar um aplicativo que rastreia seu comportamento de navegação.
Dados coletados– Lista de todas as URLs visitadas nos dispositivos rastreados.
– Termos reais de busca utilizados no Google.
– Ações realizadas após cada busca.
Total de buscas analisadas– 68.879 buscas únicas no Google.
– 12.593 (18,2%) delas apresentaram resumos de IA.

A análise ficou limitada ao Google por limitações técnicas para identificar resumos de IA em outros buscadores. Você pode conferir a metodologia na íntegra aqui, em inglês. 

Mas vamos ao que interessa, né? Os resultados! A Pew Research Center trouxe alguns aprendizados com essa pesquisa, que eles detalham no site deles, e nós trouxemos pra cá também (como sempre, acrescido dos nossos pitacos): 

Quando há um resumo de IA presente na busca, só 8% das visitas resultam em cliques em links dos resultados tradicionais da pesquisa. Isso é quase metade da taxa observada quando o resumo de IA não está presente, que é de 15%. 

Além disso, os resumos de IA em si são pouco utilizados como ponto de acesso: apenas 1% das visitas às páginas com esse tipo de resumo resultaram em cliques nos links dentro do próprio resumo

Dados da pesquisa em inglês que mostra que as pessoas clicam menos em links depois de fazer buscas que resultam em Resumos de IA

2. A probabilidade de encerrar a sessão é maior quando há um resumo de IA

A pesquisa também mostrou que quem usa o Google tem mais chances de encerrar completamente a sessão de navegação após acessar uma página de resultados que apresenta um resumo gerado por IA. 

Esse comportamento foi observado em 26% das visitas a páginas com resumos de IA, enquanto em páginas com apenas resultados tradicionais, a taxa foi menor, de 16%. 

Além disso, o estudo mostrou que, independentemente da presença ou não de resumos de IA, a maioria das buscas no Google terminou com o visitante navegando para outro local dentro do próprio Google ou saindo do site sem clicar em nenhum link dos resultados. 

Mas esse ponto não é novidade, já que tivemos estudos neste ano que mostraram que 69% das pesquisas no Google não geram cliques

3. As principais fontes na IA e nos resultados tradicionais são Wikipédia, YouTube e Reddit

Os sites mais frequentemente citados tanto nos resumos de IA do Google quanto nos resultados de pesquisa tradicionais são a Wikipédia, o YouTube e o Reddit. Juntos, esses três domínios representaram 15% das fontes listadas nos resumos de IA analisados e uma proporção semelhante (17%) nos resultados de pesquisa padrão. 

Apesar da presença nos dois formatos, há variações sutis: 

  • Links da Wikipédia aparecem com mais frequência nos resumos de IA; 
  • Enquanto o YouTube é mais citado nos resultados tradicionais;
  • Outro destaque é a presença de sites governamentais: os resumos de IA vinculam mais a domínios .gov (6%) do que os resultados padrão (2%);
  • Já os links para sites de notícias aparecem na mesma proporção em ambos os formatos, representando 5% das fontes citadas. 

Esses dados mostram que, embora haja semelhanças nas fontes utilizadas, os resumos de IA tendem a priorizar fontes institucionais e informativas com mais frequência.

Será que esse baixo uso de sites de notícias é uma forma do próprio Google se defender das acusações de empresas midiáticas que dizem que as AI Overviews estão usando conteúdo jornalístico de forma injusta e sem autorização? 🤔

4. 1 em cada 5 buscas no Google em março de 2025 teve AI Overview

Em março de 2025, período em que o estudo foi feito, aproximadamente uma em cada cinco buscas no Google resultou na exibição de um resumo gerado por IA. 

No total, 18% das buscas analisadas incluíram esse tipo de resumo nos resultados

A maioria desses resumos foi construída com base em múltiplas fontes

  • 88% citaram três ou mais fontes;
  • Enquanto apenas 1% mencionou uma única fonte. 

Em termos de tamanho, o resumo em geral apresentava 67 palavras, embora houvesse grande variação — o mais curto continha apenas sete palavras e o mais extenso chegou a 369. 

5. Os resumos de IA costumam aparecer para buscas longas ou com perguntas

Buscas no Google que são mais longas, formuladas como perguntas ou estruturadas em frases completas têm maior chance de gerar resumos de IA nos resultados. 

Gráfico da pesquisa em inglês que mostra dados de quais tipos de busca tem mais resultados de IA

Enquanto apenas 8% das pesquisas com uma ou duas palavras produziram um resumo de IA, esse número saltou para 53% quando as buscas continham 10 palavras ou mais. 

Consultas que começam com palavras interrogativas, como “quem”, “o quê”, “quando” ou “por quê”, também têm forte tendência a mostrar esse tipo de resultado: 60% delas resultaram em resumos gerados por IA

Além disso, 36% das pesquisas compostas por frases completas, com ao menos um substantivo e um verbo, também ativaram um resumo de IA. 

O que fazer diante de tudo isso? 

Para quem tem um site e depende do tráfego orgânico, isso representa um desafio. Mesmo que seu conteúdo esteja ajudando a compor o resumo de IA, é bem provável que você não receba o clique. E como os resumos aparecem com mais frequência em buscas mais longas e informativas — exatamente o tipo de conteúdo que muitos sites otimizam — o impacto pode ser ainda maior.

Diante disso, a principal resposta é reforçar a autoridade da marca, produzir conteúdos que vão além de respostas diretas (como análises, experiências ou ferramentas) e diversificar as fontes de tráfego, apostando também em redes sociais, newsletters e outras plataformas. 

Inclusive, no nosso site temos um texto que diz como as grandes marcas estão lidando com essa queda de tráfego que já é uma realidade pra todo mundo. 

O SEO continua sendo importante, mas o jogo está mudando e as estratégias estão ficando mais holísticas.

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E você, está preparado para esse novo momento das buscas? 

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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