Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales
Atualizado em 28/07/2025
6 min de leitura
Mais um estudo comprova que as AI Overviews reduzem o tráfego orgânico. Desta vez, é a análise da Pew Research Center, que descobriu que as pessoas ficam menos propensas a clicar em links quando há resumos de IA no buscador.
Apenas 8% das pessoas clicam em um link em páginas com resumo de IA, contra 15% nas páginas só com resultados tradicionais.
A seguir, te contamos um pouco mais sobre esse estudo e as descobertas.
Ele aconteceu da seguinte forma:
Objetivo | Analisar como resumos gerados por IA aparecem nos resultados de busca do Google e como as pessoas interagem com eles. |
Amostra | 900 adultos americanos, membros do KnowledgePanel Digital. Esses participantes concordaram em instalar um aplicativo que rastreia seu comportamento de navegação. |
Dados coletados | – Lista de todas as URLs visitadas nos dispositivos rastreados. – Termos reais de busca utilizados no Google. – Ações realizadas após cada busca. |
Total de buscas analisadas | – 68.879 buscas únicas no Google. – 12.593 (18,2%) delas apresentaram resumos de IA. |
A análise ficou limitada ao Google por limitações técnicas para identificar resumos de IA em outros buscadores. Você pode conferir a metodologia na íntegra aqui, em inglês.
Mas vamos ao que interessa, né? Os resultados! A Pew Research Center trouxe alguns aprendizados com essa pesquisa, que eles detalham no site deles, e nós trouxemos pra cá também (como sempre, acrescido dos nossos pitacos):
Quando há um resumo de IA presente na busca, só 8% das visitas resultam em cliques em links dos resultados tradicionais da pesquisa. Isso é quase metade da taxa observada quando o resumo de IA não está presente, que é de 15%.
Além disso, os resumos de IA em si são pouco utilizados como ponto de acesso: apenas 1% das visitas às páginas com esse tipo de resumo resultaram em cliques nos links dentro do próprio resumo.
A pesquisa também mostrou que quem usa o Google tem mais chances de encerrar completamente a sessão de navegação após acessar uma página de resultados que apresenta um resumo gerado por IA.
Esse comportamento foi observado em 26% das visitas a páginas com resumos de IA, enquanto em páginas com apenas resultados tradicionais, a taxa foi menor, de 16%.
Além disso, o estudo mostrou que, independentemente da presença ou não de resumos de IA, a maioria das buscas no Google terminou com o visitante navegando para outro local dentro do próprio Google ou saindo do site sem clicar em nenhum link dos resultados.
Mas esse ponto não é novidade, já que tivemos estudos neste ano que mostraram que 69% das pesquisas no Google não geram cliques.
Os sites mais frequentemente citados tanto nos resumos de IA do Google quanto nos resultados de pesquisa tradicionais são a Wikipédia, o YouTube e o Reddit. Juntos, esses três domínios representaram 15% das fontes listadas nos resumos de IA analisados e uma proporção semelhante (17%) nos resultados de pesquisa padrão.
Apesar da presença nos dois formatos, há variações sutis:
Esses dados mostram que, embora haja semelhanças nas fontes utilizadas, os resumos de IA tendem a priorizar fontes institucionais e informativas com mais frequência.
Será que esse baixo uso de sites de notícias é uma forma do próprio Google se defender das acusações de empresas midiáticas que dizem que as AI Overviews estão usando conteúdo jornalístico de forma injusta e sem autorização? 🤔
Em março de 2025, período em que o estudo foi feito, aproximadamente uma em cada cinco buscas no Google resultou na exibição de um resumo gerado por IA.
No total, 18% das buscas analisadas incluíram esse tipo de resumo nos resultados.
A maioria desses resumos foi construída com base em múltiplas fontes:
Em termos de tamanho, o resumo em geral apresentava 67 palavras, embora houvesse grande variação — o mais curto continha apenas sete palavras e o mais extenso chegou a 369.
Buscas no Google que são mais longas, formuladas como perguntas ou estruturadas em frases completas têm maior chance de gerar resumos de IA nos resultados.
Enquanto apenas 8% das pesquisas com uma ou duas palavras produziram um resumo de IA, esse número saltou para 53% quando as buscas continham 10 palavras ou mais.
Consultas que começam com palavras interrogativas, como “quem”, “o quê”, “quando” ou “por quê”, também têm forte tendência a mostrar esse tipo de resultado: 60% delas resultaram em resumos gerados por IA.
Além disso, 36% das pesquisas compostas por frases completas, com ao menos um substantivo e um verbo, também ativaram um resumo de IA.
Para quem tem um site e depende do tráfego orgânico, isso representa um desafio. Mesmo que seu conteúdo esteja ajudando a compor o resumo de IA, é bem provável que você não receba o clique. E como os resumos aparecem com mais frequência em buscas mais longas e informativas — exatamente o tipo de conteúdo que muitos sites otimizam — o impacto pode ser ainda maior.
Diante disso, a principal resposta é reforçar a autoridade da marca, produzir conteúdos que vão além de respostas diretas (como análises, experiências ou ferramentas) e diversificar as fontes de tráfego, apostando também em redes sociais, newsletters e outras plataformas.
Inclusive, no nosso site temos um texto que diz como as grandes marcas estão lidando com essa queda de tráfego que já é uma realidade pra todo mundo.
O SEO continua sendo importante, mas o jogo está mudando e as estratégias estão ficando mais holísticas.
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E você, está preparado para esse novo momento das buscas?
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