Google anuncia novidades para compras via agentes de IA

A era das compras feitas na IA chegou oficialmente. O Google está lançando um conjunto de ferramentas e padrões, que permite que a própria IA realize grande parte da jornada de compra.

São quatro novidades principais anunciadas pela big tech:

  • Protocolo de Comércio Universal (UCP): padrão aberto para conectar sistemas;
  • Business Agent: agente de IA com a voz/identidade da marca; 
  • Novos atributos de dados: para melhor descoberta de produtos; 
  • Direct Offers (piloto): para apresentar ofertas diretas em respostas de IA. 

O objetivo é facilitar a conexão entre varejistas e consumidores com alta intenção de compra, impulsionando as vendas no novo ecossistema de comércio via IA. 

A seguir eu te conto mais a fundo sobre essas novidades, que por enquanto só estão rodando nos EUA, e o impacto delas em SEO.

UCP: uma linguagem em comum entre varejistas e IA

O Universal Commerce Protocol (UCP) ou, aportuguesando, Protocolo de Comércio Universal, é um padrão aberto para comércio via agentes de IA, o que significa que ele cria uma “linguagem em comum” para agentes, varejistas, plataformas e meios de pagamento.

Para o varejista, na prática, isso significa adotar APIs que seguem o formato do UCP (diretamente ou via plataformas como Shopify), de modo que qualquer agente de IA compatível possa oferecer o catálogo, montar pedidos e finalizar a compra. Isto é, se o lojista quiser ter seus produtos oferecidos e adquiridos via IA. 

O UCP é compatível com outros protocolos, como A2A, AP2 (pagamentos), MCP (contexto de modelos), e foi desenvolvido em conjunto com grandes players do setor comercial dos EUA, como Shopify, Etsy, Walmart etc.

Tela escrito "Universe Commerce Protocol" e diversas logos de marcas, como Etsy e Walmart, que fizeram parte do desenvolvimento do UCP.

Compras no Modo IA e Gemini

O UCP vai possibilitar o recurso de checkout via Gemini e Modo IA, em anúncios qualificados de venda. O consumidor poderá finalizar a compra de varejistas elegíveis (só nos EUA, inicialmente) direto na interface de pesquisa/IA.

Nesses casos, o pagamento será via Google Pay, a princípio. Mas, em breve também será possível usar o PayPal.  

O varejista continua sendo o “seller of record” e pode customizar a integração.

“Seller of record” é a entidade que aparece como vendedora oficial na transação, do ponto de vista legal e fiscal. É quem “assina” a venda perante o cliente e o governo: define preço, emite a nota/fatura, coleta impostos e assume responsabilidades sobre o produto (qualidade, devoluções, garantias, etc.).

O objetivo da função, segundo o Google, é reduzir o abandono de carrinho de compras e, no futuro, aumentar a descoberta de produtos relacionados, aplicar programas de fidelidade, e garantir uma experiência de compra personalizada. 

Business Agent: chat de IA como um vendedor da marca 

Outra novidade anunciada pelo Google é o Business Agent, um agente de IA com a voz/identidade da marca, dentro da busca orgânica. Ele funciona como um vendedor virtual e aparece via chat para: 

  • Responder às dúvidas dos consumidores, usando o tom de voz da marca; 
  • Conectar os varejistas aos consumidores em momentos de decisão. 

Tanto a ativação como a personalização do Business Agent será feita pelo Merchant Center. Ao longo do tempo, será possível treinar o agente com dados próprios. 

Novos atributos no Merchant Center 

Para as compras conversacionais funcionarem como o imaginado, o Google está lançando também dezenas de novos atributos no Merchant Center, como: 

  • Respostas a perguntas comuns sobre o produto; 
  • Acessórios compatíveis; 
  • Subtítulos/similares. 

A ideia é que esses novos atributos facilitem para a IA descobrir produtos em jornadas de compra conversacionais

Para começar, a função será testada com alguns varejistas, e só depois será expandida. 

Direct Offers: anúncios em conversas de IA

Por fim, a última novidade é o Direct Offers, um novo tipo de anúncio pago na IA. Ele permite que anunciantes mostrem ofertas exclusivas (por exemplo, “frete grátis” ou “20% de desconto”) diretamente na conversa com a IA. 

O anúncio só vai aparecer quando o consumidor tiver demonstrado alta intenção de compra em uma consulta no Modo IA. Além de listar produtos relevantes, a IA pode destacar um bloco identificado como oferta patrocinada, com um benefício concreto para fechar a venda.

Para o varejista/anunciante, a lógica é configurar essas ofertas dentro das configurações da campanha, definindo quais tipos de desconto ou benefício quer disponibilizar, para quais produtos ou categorias e sob quais condições (por exemplo, mínimo de compra, região, etc.). 

O sistema de IA do Google decide quando e para quem mostrar a oferta, usando sinais de intenção e contexto da consulta, em vez de depender apenas de palavras‑chave clássicas.

O que tudo isso significa para SEO e e-commerces? 

Pensando no consumidor, esses novos recursos parecem fazer sentido para facilitar a jornada de compra, podendo aumentar a conversão. No entanto, é importante observar que é mais uma forma das pessoas não acessarem seu site e, provavelmente, derrubar (ainda mais) o tráfego.

Historicamente, pesquisas transacionais eram as mais “blindadas” contra a IA, porque até então o site era a única forma de fazer a transação. As quedas de tráfego que eram mais sentidas por portais de conteúdo, agora podem afetar um número maior de sites. 

Ainda não existe uma previsão de chegada ao Brasil, mas já é possível ficar de olho nos seguintes impactos que podem surgir no mercado americano: 

  • Fazer SEO vai ficar ainda mais importante, especialmente para e-commerces. Para alimentar as consultas de IA, você vai ter que produzir bons conteúdos e seguir as boas práticas de SEO, pois são elas que ajudam seu site a ser visto e citado pela IA
  • Conteúdos descritivos e semânticos sobre produtos (por exemplo, que citam benefícios, usos, contexto de vida real) viram insumo direto para Modo IA, que responde em linguagem natural e destaca produtos dentro da resposta;
  • Os novos atributos do Merchant Center podem entrar no checklist de SEO on-page, já que eles vão ser essenciais para o funcionamento correto das novas funcionalidades de IA e compras; 
  • Quem investir na otimização de produtos para IA sai na frente. Elementos como catálogos limpos, feeds completos, uso de dados estruturados e respostas a dúvidas comuns podem tornar produtos mais “recomendáveis” pelos agentes de IA, mesmo contra concorrentes com páginas mais fortes na SERP; 
  • Com UCP e compra diretamente por IA, fica ainda mais evidente a importância de otimizar não só para clique, mas para “ser a escolha do agente”, já que toda a jornada será dentro da estrutura conversacional; 
  • Parte do trabalho de SEO e equipe editorial terá que ir para a curadoria do conteúdo a ser usado no Business Agent, uma vez que vai ser o contato direto entre consumidor e marca dentro da própria; 
  • Por fim, equipes de SEO e Mídia devem trabalhar em conjunto para garantir a visibilidade e elegibilidade do conteúdo a ser usado em conversas de IA, a fim de conseguir emplacar os anúncios do Direct Offers. 

É claro que tudo isso é uma previsão inicial, e ainda sem usar os recursos ou ter algum acesso a dados de uso. Algumas coisas podem cair por terra, e outros impactos podem surgir depois que a compra por IA realmente engatar no mercado. 

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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