Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 09/07/2026
7 min de leitura
Se você abrir o Linkedin agora, é provável que encontre algum post falando sobre as marcas de texto que denunciam que o conteúdo foi gerado por IA.
E, realmente, muitos artigos feitos com LLMs, principalmente aqueles em que não há revisão humana, acabam tendo uma linguagem bem típica: explicações óbvias demais, texto mecânico, tom neutro, sem experiências reais e com os tais vícios de escrita, como o travessão.
Mas a verdade é que nem todo sinal de escrita de IA prejudica o engajamento do conteúdo. O problema é quando o uso dos geradores de texto passam a dominar a estrutura e a voz da marca.
Neste texto, vou mostrar quais os vícios mais comuns em textos gerados por IA. Além disso, trouxe dois estudos sobre o tema, um falando sobre o impacto de “tiques” de IA no engajamento, e outro sobre a forma da escrita da inteligência artificial.
O fato de um texto contar com alguma das construções a seguir não significa que ele foi totalmente (ou em partes) feito por IA. Mas quando aparece em excesso, pode deixar essa impressão:
Muita gente tenta remover esses tiques do texto para ‘disfarçar’ a IA. Mas a questão não é usar uma outra construção dessas, e sim o excesso repetitivo que deixa o texto raso, monótono e mecânico.
O mais importante é ir além desses tiques e identificar o problema de verdade: um texto totalmente feito por IA pode gerar a perda do tom de voz da marca.
Quando o conteúdo fica genérico e sem identidade, ele enfraquece a relação com o público-alvo e perde relevância em um mercado cada vez mais competitivo.
Adam Gnuse, Angel Niñofranco e Danny Goodwin conduziram um estudo a fim de identificar quais padrões de escrita estão associados à rejeição dos leitores.
A pesquisa mostrou que a maioria dos vícios de linguagem típicos da IA não têm tanta correlação no engajamento. Mas, alguns merecem destaque porque tiveram algum impacto:

O estudo foi realizado a partir da análise de mais de 1000 URLs destinadas a marketing de conteúdo, distribuídas em 10 domínios de diferentes setores (como tecnologia, e-commerce, saúde e educação).
A metodologia foi a seguinte:
O objetivo do estudo foi separar a percepção estética (quando você olha um texto e vê algo que, normalmente, estaria em um texto gerado por IA), do impacto real que essas marcas têm na performance do conteúdo.
Importante: correlação não significa causa! O fato de estarem associados não significa que o uso desses padrões é a única causa de um baixo engajamento.
Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Maryland, em parceria com o Google DeepMind, analisou as diferenças estruturais entre histórias escritas por humanos e as geradas por modelos de inteligência artificial, mapeando o que o autor chama de “slop” (lixo) gerado por IA.
Para isso, foram criados 10.272 prompts de escrita, e cada um foi enviado para um autor humano e 5 modelos de IA (Claude, ChatGPT, Gemini, DeepSeak e Kimi), gerando 61.608 histórias.
Cada história tinha cerca de 5 mil palavras, e foram analisadas estruturalmente com foco em: progressão do enredo, posicionamento de tensão e conflito, etc.
Os pesquisadores conseguiram identificar histórias humanas de histórias geradas por IA com 93% de precisão. As cinco diferenças estruturais mais claras foram:

Basicamente, a pesquisa evidencia que o slop tem uma “forma” identificável e que se repete – o que explica por que a escrita de IA parece padronizada e previsível.
O que a gente pode concluir com esses estudos é que o problema de um texto não é usar travessões ou padrões de texto que normalmente são atribuídos à IA. O problema está no uso repetitivo e até mecânico de certas estruturas.
Revisar o conteúdo gerado por IA é bem importante, especialmente se você usa a ferramenta para escrever tudo.
Gerar conteúdo em massa usando LLMs também não é uma boa ideia. Apesar das histórias de sucesso de tráfego, ele não costuma durar por muito tempo e rapidamente os sites que usam essa estratégia vão perdendo relevância.

Usar IA deliberadamente na construção de conteúdo vai impedir seu site de chegar longe – você não vai ter conteúdo útil e único o suficiente para se destacar. A possível queda no engajamento vai ser apenas um dos KPIs que vão despencar.
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