Boa parte dos seus dados está invisível no Search Console. Cerca de 50% a 75% das consultas que geram tráfego simplesmente não aparecem. Outras informações, como impressões, também não são as mais precisas.
Essas lacunas já eram conhecidas e não afetam todos os sites. Ainda assim, podem prejudicar a tomada de decisões, principalmente nos domínios maiores. Mas, isso não significa que você deva deixar o GSC de lado!
As limitações nos dados do Search Console
Podemos pensar em três tipos principais de limitações nos dados: as limitações internas, da própria ferramenta, as mudanças no ecossistema do Google, e questões externas, relacionadas ao mercado e que afetam os dados de alguma forma.
A seguir eu explico um pouco melhor cada uma delas:
Limitações internas
São filtros aplicados pelo próprio Google, que limitam os dados disponíveis para os donos de sites. As principais são:
Filtros de privacidade, que omitem as consultas anônimas (termos muito raros, que permitem identificar quem está realizando a pesquisa).
As principais pesquisas do mercado apontam as consultas anônimas como as principais (mas não únicas) culpadas.
Mudanças do Google
Kevin Indig sugere que a evolução do Google tornou o Search Console menos confiável ao longo do tempo. Ele destaca três fatores, todos ocorridos em 2025:
Em janeiro, o Google lançou o SearchGuard, sistema para diferenciar acessos de bots e seres humanos;
Em setembro, o Google removeu o parâmetro num=100, usado por ferramentas de terceiros para rastrear a Pesquisa Orgânica. Elas precisaram encontrar alternativas, o que também influenciou o número de impressões.
A visão de Kevin Indig é de que os dados do GSC não representam com fidelidade o comportamento real das pessoas.
Fatores externos
Boa parte do problema está na IA. A forma de pesquisar e consumir informações mudou muito, o que impõe novos desafios para as ferramentas de analytics.
Muitas impressões são de bots, mas é difícil detectar essa origem;
Certos recursos do Google não aparecem especificados no Search Console, como as próprias AI Overviews e Modo IA.
As consultas anônimas
Grande parte dos dados que não aparecem estão relacionados às consultas anônimas (ou anonimizadas). São consultas feitas raramente, que contêm algum dado pessoal do usuário.
O Google define as consultas anônimas assim:
“Algumas consultas (chamadas de consultas anônimas) não são incluídas nos dados do Search Console para proteger a privacidade do usuário que fez a busca.
As consultas anônimas são aquelas que não são feitas por várias dezenas de usuários em um período de dois a três meses. Para proteger a privacidade, essas consultas não são exibidas nos dados de desempenho da Pesquisa. É por isso que elas são chamadas de consultas anônimas. As consultas anônimas reais são sempre omitidas das tabelas, mas são incluídas no total de gráficos, a menos que você filtre por consulta”.
Em outras palavras: a menos que um número significativo de pessoas pesquise um termo, o Search Console não mostra claramente qual é esse termo.
Na maioria das vezes, são termos de cauda longa. Além de mais específicos, essas expressões frequentemente se alinham à forma que as pessoas conversam com as IAs – usando frases inteiras, em vez de termos gerais.
A previsão de Patrick Strox, da Ahrefs, é que futuramente haja uma perda ainda maior de informação, do que os 50% calculados por ele.
As limitações de privacidade do GSC que escondem 75% das consultas
Segundo Kevin Indig, o Google Search Console mascara dados sobre impressões e cliques. Ele analisou 4 milhões de cliques e de 450 milhões de impressões de sites B2B dos Estados Unidos.
Os dados foram coletados usando dois endpoints de API. Uma delas coletou dados agregados e outros apenas dados de consultas. Ele comparou ambas e observou a diferença em impressões e cliques, para calcular a taxa de filtro.
Em média, 75% das impressões foram filtradas. O valor varia de 93% a 59%, dependendo de cada site.
Cerca de 38% dos cliques foram filtrados. Ou seja, o Search Console não reportou ⅓ dos cliques dos portais. Novamente, houve grande variação entre cada site analisado.
Outras discrepâncias de dados
Além dos filtros de privacidade, a IA e os bots também fazem com que os dados do GSC não correspondam totalmente à realidade das pesquisas.
Com base em dados dos últimos 12 meses, Kevin Indig concluiu que:
Em março, as impressões aumentaram 58% por causa das AI Overviews;
Em julho, houve crescimento de 25,3% em impressões. Em agosto, 54,6% de aumento. Em ambos os meses, a causa foi tráfego gerado por rastreadores;
Um número que chama a atenção são as impressões causadas por bots. Nos últimos três meses, aumentaram 25%.
Para identificá-las, foram analisadas as consultas que tinham mais de 10 palavras e pelo menos 2 impressões. Segundo Indig, as chances de dois humanos fazerem consultas tão longas em sequência é muito baixa.
Qual a consequência dessa inconsistência?
A ausência de dados não afeta diretamente os seus resultados, mas pode induzir ao erro na tomada de decisões.
Isto é, se você depender apenas do GSC, pode ter uma visão errada do site. Terá dificuldades em entender quais impressões são verdadeiras, originadas em pesquisas reais, e não terá informações sobre algumas etapas da jornada.
Em sites menores, que estão no início de seus projetos, a situação é menos crítica. Geralmente há bastante espaço para crescimento e nem sempre existe um grande volume de dados a ser exibido. Nesses casos, o Search Console tende a oferecer um panorama mais confiável.
Nos projetos maiores, a coisa muda de figura: há um amplo volume de dados, muitas consultas diferentes levando ao site e uma série de URLs para mapear.
A solução é o que todos já conhecem – usar outras ferramentas, como o Google Analytics, para ter uma visão detalhada do site e mais clareza para alocar os recursos de SEO.
Por que os dados do Search Console são diferentes do Analytics?
O Search Console e o Google Analytics avaliam métricas distintas, pois utilizam metodologias e fontes de dados diferentes:
O Search Console avalia o que acontece dentro da Pesquisa do Google. Quais consultas geram tráfego, quantas vezes a página é vista e quais são os cliques na SERP;
Já o Analytics faz a mensuração com base no que acontece dentro do seu site. Ali estão os detalhes sobre as sessões e o comportamento das pessoas depois que a página é carregada.
Podemos dizer que o Analytics é mais completo. Ele mostra o tráfego originado em diversas fontes, permite definir eventos de conversão, entre outros detalhes. O Search Console oferece uma visão mais rápida de como o site é visto pelo Google.
Não adianta ter os dados, é preciso saber analisar
Você não deve abandonar o Search Console. Ele traz muitas informações úteis, incluindo erros de indexação e detalhes sobre o rastreamento do site. O problema é se basear apenas nessa ferramenta.
Isso é arriscado porque:
Aproximadamente três em cada quatro impressões são filtradas;
O mais indicado é ter diversas fontes de dados à disposição – GA4, Search Console, ferramentas de SEO de terceiros, entre outras. Um sistema robusto é a melhor forma de tomar decisões realmente acertadas.
Caso você precise de ajuda para entender o que de fato está acontecendo no seu site, entre em contato conosco. A SEO Happy Hour tem um time de especialistas em SEO que pode te ajudar a monitorar dados, identificar oportunidades e diagnosticar problemas com mais rapidez e segurança.
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
Comentários