Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 28/04/2026
3 min de leitura
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou por unanimidade, em 23 de abril de 2026, a abertura de um processo administrativo inédito contra o Google no Brasil, conforme reportou o Núcleo.
O alvo são as AI Overviews – os resumos automáticos de IA nos resultados de busca. A investigação busca apurar se a big tech está extraindo valor do jornalismo brasileiro sem oferecer contrapartidas adequadas, caracterizando potencial “abuso exploratório de posição dominante”.
O CADE quer entender o impacto das AI Overviews em três frentes principais:
A empresa também será obrigada a apresentar todos os seus testes internos sobre o tema, e não apenas conclusões seletivas.
A conselheira do CADE, Camila Cabral Pires Alves, foi enfática ao argumentar que o problema vai além da perda de audiência. Segundo ela, o Google retém a atenção do leitor, internaliza o valor informativo produzido por terceiros e reduz a capacidade dos veículos de se apropriarem desse valor.
Ou seja, o Google usa o conteúdo produzido por veículos jornalísticos para compor suas respostas de IA, sem compensar de forma adequada o esforço do jornal.
Para a conselheira, o argumento do Google de que as respostas de IA ainda citam fontes via links clicáveis não resolve o problema central: a plataforma usa conteúdo jornalístico como insumo e retém o valor gerado por ele.
Pela primeira vez, um órgão regulador no Brasil vai exigir que o Google apresente dados concretos sobre o comportamento do zero clique e o valor retido pela plataforma em detrimento dos publishers.
Isso pode gerar evidências públicas que até então simplesmente não existiam, dando ao mercado de SEO uma base real para entender a dimensão da perda de tráfego orgânico causada pela IA generativa.
Para quem trabalha com SEO, o desdobramento desse processo merece atenção. Se o CADE estabelecer que o Google precisa compensar ou ao menos deixar mais transparente o impacto das AI Overviews, isso pode pressionar a empresa a ajustar como esses resumos são gerados e atribuídos.
Esse debate, vale lembrar, já está em curso na União Europeia. Após pressão de publishers europeus, o Google chegou a dizer que está estudando mecanismos que permitiriam que sites ranqueiem normalmente na busca tradicional, mas fiquem ocultos das AI Overviews.
O caso brasileiro pode reforçar essa pressão global e acelerar mudanças que o mercado de SEO aguarda há meses.
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