Pesquisas sem cliques (ou pesquisas zero clique): o que são e qual é o seu impacto em SEO

A maior parte das pesquisas termina sem cliques, seja no Google, seja em uma LLM. As plataformas entregam respostas prontas, então não é necessário clicar em nenhum site para ler mais.

O fenômeno não é novo. É verdade que ele aumentou com a chegada da IA generativa, mas desde muito antes os buscadores já tentavam encurtar o caminho das pessoas até a informação que elas buscam.

Durante muito tempo, o caminho mais curto foi entregar uma lista de sites. Hoje, é gerar respostas sintetizadas ou exibir blocos com informações detalhadas.

Neste artigo, você entenderá por que as pesquisas sem clique existem, qual é a origem do fenômeno e, o mais importante: como lidar com elas na sua estratégia de SEO.

O que são as pesquisas sem cliques?

As pesquisas sem cliques são aquelas solucionadas diretamente em um buscador ou plataforma de IA. Elas ocorrem quando alguém abre o Google, mas encerra a sessão sem clicar em nenhum site.

Os portais podem até receber impressões, mas não recebem nenhum tráfego.

Isso acontece porque todas as informações de que a pessoa precisa já estão na tela. Pode ser por meio de uma AI Overview, trecho de texto destacado no topo da página, um painel de conhecimento, imagem exibida no buscador, entre outros recursos.

Um exemplo que sempre usamos aqui no site da SEO Happy Hour é a busca por “qual a idade da Taylor Swift”:

Snippet do Google que mostra a idade da cantora Taylor Swift diretamente na SERP

É uma pergunta simples. O Google já sabe a resposta, então ele mesmo escreve a idade no topo da página, junto com informações que ele imagina que as pessoas querem saber.

Se uma pessoa só quer saber a idade dela, não precisa clicar em nenhum site. A busca já está concluída.

Essa lógica foi expandida, graças às tecnologias generativas. Hoje, perguntas cada vez mais complexas podem ser respondidas de forma direta, o que reduz a dependência de clicar em um site para obter informação.

O crescimento das pesquisas sem cliques

Em um artigo de 2022, a SparkToro já mapeava (desde 2016) como as grandes plataformas de mídia (Instagram, X, Reddit, Pinterest, Quora, TikTok, Snapchat, YouTube, LinkedIn) incentivam os visitantes a não clicar em sites externos, mostrando que isso não acontece só no Google.

Dois anos depois, em 2024, a SparkToro identificou a tendência nos Estados Unidos e na Europa. À época, ainda não havia AI Overviews nem Modo IA. Neste ano, o portal The Verge cunhou o termo “Google Zero” para descrever este cenário. 

Em 2025, a Similarweb identificou um comportamento semelhante. Após as AI Overviews, o número de pesquisas gerando zero cliques nos EUA subiu para cerca de 70%.

Em 2026, a SparkToro voltou ao tema, agora em parceria com a Similarweb, e ampliou a análise para seis países. A taxa de zero clique varia bastante entre eles: de 62,1% na Alemanha a 69,5% no Reino Unido, com os EUA em 68%, alta de quase dez pontos em relação a 2024.

Geralmente, os estudos usam dados dos EUA e da Europa. Mas é seguro afirmar que essa tendência é global. Diversas pesquisas apontam cenários parecidos, com um aumento de pesquisas solucionadas diretamente nos buscadores. O mesmo vale para as LLMs, que geram cerca de 1% do tráfego total da web.

Por que as pesquisas sem clique existem?

Os buscadores foram projetados para responder às dúvidas das pessoas com alta eficiência. 

Durante muitos anos, a melhor forma de obter esse resultado era direcionar os visitantes para sites externos. Mas esse não era o objetivo, era apenas a tecnologia disponível no momento.

Conforme os buscadores se tornaram mais sofisticados, surgiram novas formas de entregar informação, que não dependem de clique. 

Neste contexto, as pesquisas sem clique se tornaram tão mais presentes porque:

  • Hábitos de consumo de informação mudaram;
  • Os buscadores tentam a todo custo simplificar a jornada.

Os “custos délficos”

Um artigo de 2023, escrito pelos engenheiros do Google Andrei Broder e Preston McAfee, apresenta os chamados custos délficos, que são os custos intangíveis e não monetários do ato de pesquisar informação.

Entre eles, estão: 

  • Custos de acesso: esforço e recursos necessários para acessar o buscador;
  • Custos cognitivos: o esforço mental para formular a pesquisa e interpretar os resultados; 
  • Custos de interatividade: as ações físicas do processo de busca, como digitar, rolar a página, visualizar e clicar;
  • Custos de tempo: o tempo necessário para obter a resposta desejada.

O objetivo do Google é reduzir ao máximo os tais custos délficos. E, em geral, a maneira de fazer isso é apresentar a informação diretamente na SERP, o que resulta em “zero cliques”.

Esforço cognitivo

O esforço cognitivo pode ser entendido como o empenho mental para realizar uma tarefa. 

Ao oferecer uma resposta direta, os mecanismos de busca realizam a análise e resumo de informações. Isso facilita o trabalho do visitante e entrega algo pronto, que ele pode usar de imediato.

O conceito relaciona-se ao princípio do menor esforço, amplamente documentado em pesquisas nas áreas de psicologia, biblioteconomia e gestão da informação. 

Ele sugere que as pessoas preferem sempre o caminho mais curto até uma informação. No caso das pesquisas, preferem usar as ferramentas mais simples e param de buscar assim que obtêm uma resposta aceitável.

Logo… Tudo aponta para uma pesquisa sem cliques. 

A influência da IA generativa

A IA generativa oferece novas oportunidades de “cortar custos” no processo de pesquisa. Por meio da tecnologia, as ferramentas podem responder prompts altamente detalhados e com múltiplas etapas, fazer raciocínios complexos e sintetizar informação em larga escala.

Elas consomem o site e entregam um texto pronto, com uma narrativa coesa e simulando autoridade para falar no assunto.

O formato tem uma carga cognitiva muito menor do que no Google padrão, com a lista de 10 links azuis. 

No buscador, há os processos de:

  • Avaliar quais sites podem ter a resposta para os seus problemas;
  • Clicar nos sites para extrair as informações necessárias;
  • Sintetizar essas informações para encontrar uma resposta final coerente.

AI Overviews, Modo IA, ChatGPT, entre outros, fazem isso automaticamente. O único esforço é montar um prompt detalhado para guiar a LLM. 

Em teoria, é ótimo para os visitantes. Mas, na prática… Há várias imperfeições nas respostas de IA, além de elas causarem um impacto negativo profundo no ecossistema de criação de conteúdo na web.

A história das pesquisas sem clique

Para entender o nascimento das pesquisas sem clique, precisamos olhar para as atualizações do Google ao longo das últimas décadas.

É um histórico de mudanças para entender melhor a intenção de busca das pessoas e enriquecer os resultados de pesquisa.

Esta é uma linha do tempo rápida:

  • Em 2007, o Google introduziu a “pesquisa universal”, que traz para a SERP resultados de todos os seus serviços, como YouTube e mapas;
  • Em 2009, nascem os resultados ricos, que são snippets extraídos de páginas, com respostas diretas a uma pergunta;
  • Em 2012, surge o painel de conhecimento, alimentado pelo grafo de conhecimento do Google
  • Em 2015, foram lançados mapas para pesquisas locais e o recurso As Pessoas Também Perguntam;
  • Em 2024, houve o lançamento das AI Overviews, com resumos exibidos no topo da página;
  • Em 2025, foi a vez de lançar o Modo IA, uma espécie de híbrido entre pesquisa do Google e conversa com um chatbot de IA;
  • Em 2026, no Google I/O, a empresa anunciou a união das AI Overviews e Modo IA em uma única caixa de busca “inteligente” e deu início à era dos agentes de pesquisa, capazes de monitorar informações e agir em nome do usuário.

Cada um desses recursos trouxe consigo o potencial de encerrar pesquisas antes do clique em um site. 

Portanto, seria incorreto dizer que as pesquisas sem cliques são reflexos da IA. Desde muito antes, o Google já se organizava para entregar respostas prontas. 

As implicações das pesquisas sem clique para SEO

Pesquisas sem clique interferem diretamente na otimização de sites e na visibilidade de marcas. 

As mudanças estão em quase todos os aspectos das rotinas de marketing e SEO, como: escolher pautas, definir prioridades, justificar investimentos, medir resultados, construir visibilidade…

Tudo isso era definido, em grande parte, com base no clique. E o tráfego era um indicador central, que ajudava a dar uma dimensão de sucesso. Se tem muitos cliques, então… 

  • A estratégia está dando certo;
  • É muito popular;
  • Gera muita receita.

Hoje essa relação não é mais tão simples.

O número elevado de pesquisas zero cliques implica diversos efeitos negativos: estratégias tradicionais perdem efetividade, a mensuração de resultados fica mais complexa, a monetização de conteúdo fica instável e certos modelos de negócio precisam ser repensados.

Veja abaixo os principais pontos de mudança – e, em seguida, as principais estratégias de otimização de sites neste novo momento. 

Impacto em negócios

As pesquisas sem clique impactam todas as etapas do funil de marketing.

No topo de funil, representa menos pessoas descobrindo a marca e interagindo diretamente com ela.

E no meio do funil, prejudica a capacidade de gerar leads de forma orgânica.

Já no fundo de funil, a influência é um pouco diferente, pois as pessoas precisam clicar no site para finalizar uma compra. 

Até existem checkouts autônomos, que fazem compras nos buscadores usando agentes de IA, mas eles ainda estão em fase de testes e longe de serem adotados pela maioria das pessoas.

Esse impacto é maior nos sites que monetizam o tráfego. Mas também pode afetar sites de marcas B2B e B2C, principalmente se eles dependem demais de páginas informativas, que são mais facilmente resumidas nos buscadores.

Diante disso, muitos sites têm se preocupado em conectar “receita” e “SEO” sem usar o clique como um indicador direto. 

Novos KPIs

Novas métricas estão sendo adotadas, mas ainda não há muita clareza sobre qual é a melhor forma de medir resultados. 

O principal desafio é entender a visibilidade que não gera tráfego. Ou seja, como medir o impacto real das pesquisas sem cliques para marketing.

Geralmente, isto se faz pela combinação de métricas de negócio, tráfego e presença em recursos da SERP (especialmente as AI Overviews, que estão substituindo outros elementos).

Em um framework de três camadas, a consultora Aleyda Solis propõe organizar essa medição em presença, preparo e impacto no negócio:

  • A presença responde se a marca aparece nas respostas de IA que importam, e como ela é representada;
  • O preparo avalia se o site está tecnicamente pronto para ser citado;
  • E o impacto no negócio revela se essa visibilidade gera valor real.

Cada camada serve de hipótese para a próxima, em vez de ficar isolada em um painel solto de métricas.

Mas as métricas tradicionais ainda têm um papel, desde que analisadas em conjunto, e não isoladamente. 

Em um levantamento de 6 KPIs que merecem atenção na era da IA, alguns indicadores clássicos, como impressões, classificação de palavras-chave e métricas de engajamento, aparecem como “KPIs de vaidade” quando avaliados sozinhos, já que muitas impressões não significam cliques, engajamento ou conversão, especialmente em buscas resolvidas pela IA.

Diante disso, vale combinar indicadores de diferentes naturezas: tráfego e CTR, saúde técnica (via Core Web Vitals), quota de visibilidade em respostas de IA, taxas de conversão e indexabilidade.

Onde encontrar esses KPIs de SEO na era da IA?

Infelizmente, nem todos os dados estão facilmente disponíveis. Por exemplo, é muito difícil quantificar a presença de uma marca na IA, pois o texto gerado por ela varia muito, assim como os sites citados nas respostas. 

Mas as próprias plataformas já começaram a reagir a essa lacuna. Em junho de 2026, o Google lançou um relatório dedicado de IA generativa no Search Console, reunindo AI Overviews, Modo IA e Discover em uma única métrica de impressões. Por enquanto, mostra só isso – sem cliques, CTR ou consultas.

A Microsoft chegou primeiro. Em fevereiro de 2026, lançou o Bing AI Performance no Webmaster Tools, com citações totais, páginas mais citadas e as chamadas consultas de grounding (que mostra a forma como a IA interpretou a pesquisa do visitante). 

Em junho, a ferramenta ganhou o recurso de Citation Share, que mostra o percentual de citações que você detém sobre uma consulta específica, e não apenas o número absoluto.

Vale destacar que nenhuma das duas ferramentas mede cliques originados de respostas de IA generativa. Elas mostram que a marca foi citada, não se isso gerou tráfego ou conversão depois. 

Por enquanto, é um primeiro passo: confirma a presença, mas ainda exige cruzar os dados com ferramentas terceiras ou análises manuais para entender o impacto real no negócio.

Visibilidade de marca

Marcas continuam visíveis, mesmo quando uma busca não gera cliques. 

Antes, essa visibilidade não tinha tanto valor, já que o site era o centro de todo o processo de descoberta e interação com as marcas. Hoje, com as novas formas de consumir informação, ela está mais importante.

Há uma “troca”: menos cliques e mais visibilidade. Se essa troca vale a pena, aí depende bastante…

Para empresas que já estão estabelecidas, é uma ótima oportunidade de se tornar referência nos canais que as pessoas mais usam para pesquisar informação (Google, IAs). Presumivelmente, se uma marca aparece com consistência, ela será mais lembrada.

Já para um jornal, que depende de anúncios, essa visibilidade vale muito pouco. Nesse caso, o ideal é diversificar o tráfego, melhorar o aspecto técnico e alterar a estratégia para se afastar o máximo possível das pesquisas sem cliques. 

O novo ecossistema de mídia do Google que prioriza a fidelização

O próprio Google tem dado pistas de para onde quer levar essa troca dos cliques por visibilidade. Em 2026, lançou três recursos para marcas (especialmente publishers): 

  • Fontes Preferidas, uma espécie de inscrição dentro do buscador para acompanhar sites de confiança; 
  • Perfis de Busca, um espaço para criadores centralizarem sua presença na busca, com opção de seguir; 
  • Vinculação de assinaturas, que dá mais destaque a conteúdos que o leitor já paga para acessar. 

Os três benefícios já se estendem também para AI Overviews e Modo IA. Vale notar que o Perfil de Busca, por enquanto, está disponível só nos EUA, e exige audiência mínima de 100 mil seguidores, o que deixa esse recurso, de início, fora do alcance da maioria dos sites menores.

Segundo o consultor Barry Adams, especializado em SEO para publishers, esses recursos mostram aos visitantes os sites que eles já confiam, mas não substituem o tráfego perdido para a IA generativa

Na prática, o Google está reforçando a fidelização de quem já decidiu que vale a pena voltar, seguir ou assinar uma marca, em vez de recompensar apenas cliques avulsos.

Como fazer otimizações de SEO para pesquisas sem clique?

Lidar com as pesquisas sem cliques envolve uma série de adaptações de estratégia e de otimização de artigos.

A ideia é depender o mínimo possível de pesquisas feitas por quem não tem a intenção de clicar. É impossível fugir totalmente delas, mas você deve levar esse comportamento em consideração ao definir as suas prioridades.

As otimizações giram em torno de três eixos principais:

  • Selecionar pautas que não podem ser facilmente resumidas;
  • Estar presente nos recursos da SERP (perguntas frequentes, AI Overviews, etc.);
  • Otimizar artigos para melhorar autoridade tópica e legibilidade por máquina.

Veja abaixo a lista de ações específicas.

Revise sua estratégia editorial

A estratégia editorial é o seu planejamento para criação e distribuição de conteúdo. Revise-o para eliminar a dependência de pautas muito gerais, ou que podem ser facilmente resumidas.

O melhor jeito de descobrir quais pautas manter e quais eliminar é fazendo um teste prático.

Selecione a palavra-chave ou tópico principal do conteúdo, pesquise-o no Google ou na sua IA preferida e avalie as respostas.

Considere o seguinte:

  • A pesquisa foi completamente respondida no buscador ou na IA?
  • Eu senti vontade genuína de clicar em algum site para saber mais?
  • Para ter informações complementares, é mais fácil fazer outra pesquisa, ou clicar no resultado da busca?
  • Quando eu clico no site para continuar minha busca, qual informação sobre aquele tema eu espero encontrar?
  • Existe algum elemento crucial para a resposta, mas que não aparece nos resumos de IA e nem nos recursos da SERP?
  • Há algum ponto de vista diferente que eu posso acrescentar?

Respondendo a essas perguntas, você entenderá quais conteúdos mais têm potencial para gerar tráfego.

Possivelmente, os temas mais gerais e informativos serão completamente respondidos na SERP. Não tenha medo de investir nas palavras-chave muito nichadas ou com baixo volume de buscas mensais. Se elas forem relevantes para a sua marca, teste-as.

No caso das IAs, teste quais tipos de conteúdo ativam nativamente a pesquisa na web. Eles têm maior potencial de gerar tráfego para a sua marca.

Por exemplo, uma pesquisa sobre “principais pontos turísticos de Madri” será respondida com a base interna de conhecimento da IA. Uma pesquisa sobre “novos restaurantes de Madri” ativará a pesquisa na web. 

Para um site de turismo, valeria mais a pena manter um artigo sobre “os restaurantes imperdíveis de Madri” do que uma lista genérica de “o que fazer em Madri”. 

Formate o conteúdo para facilitar a captura de trechos

Buscadores e IAs extraem fragmentos de texto de páginas ao gerar respostas. Você pode ajustar a estrutura dos conteúdos para esse formato, que as máquinas gostam de consumir.

Essa é uma estratégia antiga de SEO, que começou a ser aplicada quando o Google lançou os resultados destacados.

Captura de tela de uma página de resultados de um motor de busca com a consulta "what is content pruning?" O foco principal é um trecho em destaque que define a poda de conteúdo: "O processo de Poda de Conteúdo envolve a remoção de conteúdo obsoleto e de baixo desempenho que está pesando em seu site. Ao se livrar desse peso morto, você está criando espaço para outro conteúdo, que tem potencial para florescer".

As principais dicas de formatação são:

  • Escreva parágrafos concisos, com respostas claras e imediatas;
  • Tente não ficar “indo e voltando” nos assuntos. Apresente as informações mais importantes sobre um tópico, depois os detalhes, e parta para outro tópico em seguida;
  • Use headings para dividir o conteúdo de forma lógica;
  • Inclua como headings os termos que as pessoas realmente pesquisam;
  • Além de texto e headings, utilize outros formatos para estruturar informação. Por exemplo, para textos comparativos, acrescente tabelas que resumem as informações (veja um exemplo aqui). Já para tabelas, use o formato de listas numeradas.

Estas são boas dicas gerais de redação otimizada para SEO, que servem para qualquer tipo de conteúdo.

Responda perguntas da audiência

Uma das técnicas mais comuns para aparecer nos resultados destacados é responder ao que as pessoas perguntam ao Google ou às IAs.

Cada heading do texto pode ser uma pergunta, ou todas podem estar agrupadas ao final, em uma seção de “perguntas frequentes”.

A lógica é atender diretamente à intenção de busca das pessoas, em um formato facilmente entendível para os sistemas de IA. Essa abordagem também permite aparecer no recurso As Pessoas Também Perguntam do Google (embora agora ele esteja sendo frequentemente respondido pelas AI Overviews).

Textos informativos podem ser completamente organizados em torno de perguntas, como “o que é [definição]”, “como funciona [assunto]”, “quem é [pessoa]”, etc. 

Para encontrar listas de perguntas, use ferramentas como o AlsoAsked.

Construa autoridade tópica

A autoridade tópica é a credibilidade que um site tem ao cobrir determinado assunto. Conforme você publica conteúdo sobre esse tema, comunica ao Google que você é especialista nele.

Essa autoridade pode te ajudar com as pesquisas zero cliques porque o buscador prefere citar e ranquear fontes confiáveis. Assim, mesmo que a pessoa não clique nos resultados, você pode obter visibilidade.

Para implementar:

  • Defina os temas principais do seu site;
  • Publique artigos de alta qualidade com consistência; 
  • Estruture clusters de conteúdo para conectar os seus artigos;
  • Inclua abordagens e dados originais sempre que possível, para diferenciar o seu conteúdo do que aparece na SERP;
  • Reforce os sinais de E-E-A-T nas páginas;
  • Estabeleça uma rotina periódica de atualização dos conteúdos antigos.

O guia de autoridade de tópico da SHH apresenta uma estratégia passo a passo.

Encare as pesquisas como conversas

Cada vez mais, as pessoas estão conversando com os buscadores. Com as LLMs, então, nem se fala!

Em vez de digitar uma série de palavras-chave, elas digitam prompts mais detalhados, com instruções completas, fazem perguntas adicionais, checam informações…

No caso das IAs, os sistemas tentam prever ativamente os próximos passos. E, ao pesquisar a web, fazem uma série de pesquisas relacionadas automaticamente, no processo de query fan-out.

Você pode incorporar tudo isso ao seu conteúdo. Pense nas “sequências” de informação que as pessoas precisam obter, em qual estágio elas estão agora e em quais são os próximos passos.

Seu objetivo será entregar tudo isso, da forma mais simples e fácil possível.

É o que fizemos aqui neste artigo, inclusive: 

  • Começamos com a definição do que são as pesquisas sem clique;
  • Explicamos porque acontece;
  • Apresentamos os passos para otimizar o site.

Quem só está curioso pra saber mais, encontra tudo o que precisa aqui. Quem já identificou o problema, também. E quem está atrás de soluções, tem uma lista de passos para implementar. 🤝

O texto não foi pensado a partir de uma palavra-chave específica. Apenas falamos sobre o assunto, sem preocupações específicas de otimização. 

A ideia é estabelecer relações semânticas claras para que o texto seja considerado relevante quando alguém estiver conversando com o ChatGPT sobre temas como queda de tráfego, ou pesquisas com muitas impressões e poucos cliques. 

Uma nova abordagem para criação de conteúdo

Há especialistas que sugerem uma nova lógica para publicar conteúdo de SEO. É o caso de Chantal Smink, especialista na área que sugere investir em narrativas unificadas de marca.

Segundo ela, com menos tráfego para justificar o investimento em conteúdo, faz mais sentido contar histórias que funcionam em todos os canais de marketing. Assim é possível diversificar o tráfego e produzir conteúdo realmente útil, tudo ao mesmo tempo. 

Trouxemos essa proposta em detalhes em uma edição da nossa newsletter lá em 2024, mas vale a pena reproduzir aqui também!

O plano tem três pilares principais: conteúdo, construção de autoridade e audiovisual.

1. Conteúdo útil e centrado no usuário

Seu conteúdo deve ser útil e focado em problemas reais da audiência, não em palavras-chave que você encontrou no Semrush ou na Ahrefs. 

Chantal chama o conceito de QPAFFCGMIM. Essa sopa de letrinhas significa:

  • Questões;
  • Problemas;
  • Alternativas de solução;
  • Preocupações;
  • Objetivos que querem alcançar;
  • Mitos que já ouviram;
  • Interesses;
  • As compreensões equivocadas sobre o tópico.

Pesquise cada um desses pontos sobre a sua audiência e construa sua estratégia a partir daí. 

2. Construção de autoridade

O objetivo dos conteúdos não é necessariamente obter tráfego ou apenas ranquear bem no Google para um termo específico.

Em vez disso, cada conteúdo deve te posicionar como líder de mercado. Às vezes, será um texto para um termo que ninguém pesquisa diretamente. Em outros casos, será necessário variar do formato padrão que você adota, como o texto.

Para isso, você deve realmente ter autoridade no assunto. Ou colaborar com alguém que tenha! Podem ser as lideranças técnicas da sua empresa, ou alguma fonte externa que seja de fato reconhecida. 

3. Inicie pelo audiovisual

A recomendação de Chantal é começar pelo audiovisual e depois expandir para os demais canais da empresa. 

O motivo é que os vídeos geralmente são mais versáteis e podem apoiar praticamente todos os canais de marketing. Textos também são versáteis, mas a sua distribuição tende a ser mais restrita.

Este conteúdo audiovisual deve ser adaptado a diferentes formatos. Um vídeo longo pode virar cortes, depois virar podcast, e um texto para o seu site. Mas, de preferência, não o contrário.

Exemplo de estrutura de conteúdo para pesquisas sem cliques

Este é um fluxo de trabalho que segue a abordagem acima.

Perceba que as otimizações tradicionais de SEO estão só no fim da lista. Isto porque o objetivo não é agradar ao algoritmo, e sim criar conteúdos realmente significativos para quem está lendo. 

Em resumo:

  • Escolha uma história para contar;
  • Coloque um especialista na área na frente da câmera para contar essa história;
  • Adapte de acordo com as necessidades de cada canal de marketing;
  • Depois, otimize para SEO.

Agora, um exemplo:

Vamos imaginar que você é da equipe de marketing de uma loja de maquiagens online e quer criar um conteúdo sobre “como hidratar a pele”. 

O jeito antigo de fazer conteúdo era:

  • Pesquisar as principais dicas e produtos necessários;
  • Escrever um texto;
  • Usar imagens de bancos de imagem ou dos produtos;
  • Publicar o blog;
  • Acompanhar o resultado de tráfego orgânico.

O problema disso: a AI overview entrega esse conteúdo pronto, com links para a Riachuelo, que já construiu muita autoridade. Difícil competir, né?

A nova abordagem para buscas sem cliques é:

  • Gravar um vídeo de uma maquiadora ou influenciadora mostrando a rotina de hidratação com os seus produtos;
  • Editar na forma de videotutorial, colocar legendas e fazer upload no YouTube;
  • Transformar o vídeo longo em Reels para o Instagram, Shorts para o YouTube, e em vídeos curtos para o TikTok;
  • Usar esse tutorial como base para um blog post;
  • Usar prints do vídeo para ilustrar o texto do blog (pois são imagens únicas, que não existem em nenhum outro lugar da internet).

A maioria das empresas já investem em estratégias parecidas. Mas, na maioria dos casos, elas ficam em silos, com pouca coesão e pouca conversa. Além disso, até pouco tempo atrás, não se pensava tanto no impacto de um post no Instagram ou no Tiktok para SEO.

Hoje, esses conteúdos já aparecem com muita frequência nas buscas. E podem te ajudar a lidar com as pesquisas sem cliques.

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Para aplicar as dicas deste post à sua estratégia, conte com o apoio de especialistas em SEO. Construir visibilidade exige boas noções técnicas e de conteúdo. Com acesso a conhecimento especializado, o sucesso da sua estratégia acontece mais rapidamente. 

  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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