Anúncios no ChatGPT estariam, supostamente, elevando o tráfego orgânico

Recentemente, anunciantes do ChatGPT começaram a relatar que, quando os anúncios patrocinados estão rodando, o tráfego orgânico vindo da plataforma sobe. Quando os ads são pausados, o tráfego cai. 

Essa desconfiança é comum, e o próprio Google é acusado há anos de favorecer anunciantes nos resultados orgânicos. 

O problema é que não tem como comprovar que isso está acontecendo. Os dados da plataforma de anúncios do ChatGPT não permitem distinguir os cenários.

A seguir eu te conto mais sobre essa história e as possíveis respostas.

O que diz a OpenAI sobre o caso

Em sua central de ajuda, a OpenAI afirma que os anúncios não influenciam as respostas do ChatGPT. Segundo a empresa, eles rodam em sistemas separados do modelo de conversa, e os anunciantes não têm como moldar, ranquear ou alterar o que o chatbot responde.

A State of Brand, que foi quem apurou o caso, afirma que não há evidência de que a OpenAI esteja descrevendo o sistema de forma incorreta. Os anunciantes não recebem conversas, histórico, memórias ou dados pessoais, apenas métricas agregadas, como visualizações e cliques.

Como os anúncios da OpenAI aparecem no ChatGPT? 

Os anúncios aparecem abaixo da resposta, com identificação de patrocinado e separados visualmente. 

Os anúncios aparecem apenas para usuários dos planos Free e Go, que sejam maiores de 18 anos. Além disso, não são exibidos ads perto de temas sensíveis, como saúde pessoal, saúde mental e política.

Sobre a escolha dos anúncios, a OpenAI diz que o sistema considera relevância e lances dos anunciantes, além do contexto da conversa atual e, quando a personalização está ativa, sinais do uso mais amplo do ChatGPT.

As hipóteses que podem explicar o que está acontecendo 

A reportagem da State of Brand lista quatro explicações para o que os anunciantes estão observando, algumas com muito mais respaldo nos dados do que outras.

1. Cliques de anúncios estão sendo contabilizados como orgânicos

É a explicação menos empolgante e a que melhor se encaixa nas evidências. 

Quando o ChatGPT cita um site em uma resposta, ele adiciona utm_source=chatgpt.com à URL, e o Google Analytics 4 registra a visita como referência de chatgpt.com, linha que muitas equipes tratam como tráfego orgânico de IA. 

Já os cliques em anúncios do ChatGPT chegam com um identificador chamado oppref, que o GA4 não reconhece como origem. 

Sem UTMs próprias do anunciante, o clique pago cai no mesmo balde de uma menção gratuita, o que infla o número orgânico desde o primeiro dia. 

2. O anúncio pode iniciar uma conversa orgânica

Pelo menu do anúncio, o usuário pode escolher “Ask ChatGPT” e compartilhar o anúncio com o modelo. A conversa que se segue é sobre o anunciante, e qualquer link incluído na resposta chega com a marcação padrão de tráfego orgânico. 

Dá para argumentar que esse tráfego é orgânico, já que o modelo decidiu linkar, mas ele não existiria sem o anúncio, e nenhum dos dois painéis consegue separar as coisas.

3. O anúncio pode gerar retorno tardio pelo nome da marca

A teoria mais generosa é de que a pessoa vê o anúncio, e volta depois a pesquisar pelo nome da marca. 

Um estudo da Similarweb mostrou que usuários que receberam recomendação de uma marca via ChatGPT ficaram, em média, 2,5 vezes mais propensos a visitar o site dessa marca nos sete dias seguintes do que o do concorrente.

4. Os anúncios poderiam estar alterando as respostas

Sem olhar para dados nativos, não tem como descartar essa hipótese (e nem confirmar). 

Olhando para dados de fora, no entanto, temos um cenário oposto. A Whitebox acompanhou mais de 150 mil anúncios exibidos entre abril e agosto e constatou que só 16,4% das marcas citadas pelo ChatGPT em suas respostas já haviam anunciado na plataforma.

Se gastar com anúncios comprasse menções orgânicas, as marcas citadas seriam em sua maioria as que pagam.

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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