Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 02/10/2026
4 min de leitura
Recentemente, anunciantes do ChatGPT começaram a relatar que, quando os anúncios patrocinados estão rodando, o tráfego orgânico vindo da plataforma sobe. Quando os ads são pausados, o tráfego cai.
Essa desconfiança é comum, e o próprio Google é acusado há anos de favorecer anunciantes nos resultados orgânicos.

O problema é que não tem como comprovar que isso está acontecendo. Os dados da plataforma de anúncios do ChatGPT não permitem distinguir os cenários.
A seguir eu te conto mais sobre essa história e as possíveis respostas.
Em sua central de ajuda, a OpenAI afirma que os anúncios não influenciam as respostas do ChatGPT. Segundo a empresa, eles rodam em sistemas separados do modelo de conversa, e os anunciantes não têm como moldar, ranquear ou alterar o que o chatbot responde.
A State of Brand, que foi quem apurou o caso, afirma que não há evidência de que a OpenAI esteja descrevendo o sistema de forma incorreta. Os anunciantes não recebem conversas, histórico, memórias ou dados pessoais, apenas métricas agregadas, como visualizações e cliques.
Os anúncios aparecem abaixo da resposta, com identificação de patrocinado e separados visualmente.

Os anúncios aparecem apenas para usuários dos planos Free e Go, que sejam maiores de 18 anos. Além disso, não são exibidos ads perto de temas sensíveis, como saúde pessoal, saúde mental e política.
Sobre a escolha dos anúncios, a OpenAI diz que o sistema considera relevância e lances dos anunciantes, além do contexto da conversa atual e, quando a personalização está ativa, sinais do uso mais amplo do ChatGPT.
A reportagem da State of Brand lista quatro explicações para o que os anunciantes estão observando, algumas com muito mais respaldo nos dados do que outras.
É a explicação menos empolgante e a que melhor se encaixa nas evidências.
Quando o ChatGPT cita um site em uma resposta, ele adiciona utm_source=chatgpt.com à URL, e o Google Analytics 4 registra a visita como referência de chatgpt.com, linha que muitas equipes tratam como tráfego orgânico de IA.
Já os cliques em anúncios do ChatGPT chegam com um identificador chamado oppref, que o GA4 não reconhece como origem.
Sem UTMs próprias do anunciante, o clique pago cai no mesmo balde de uma menção gratuita, o que infla o número orgânico desde o primeiro dia.
Pelo menu do anúncio, o usuário pode escolher “Ask ChatGPT” e compartilhar o anúncio com o modelo. A conversa que se segue é sobre o anunciante, e qualquer link incluído na resposta chega com a marcação padrão de tráfego orgânico.
Dá para argumentar que esse tráfego é orgânico, já que o modelo decidiu linkar, mas ele não existiria sem o anúncio, e nenhum dos dois painéis consegue separar as coisas.
A teoria mais generosa é de que a pessoa vê o anúncio, e volta depois a pesquisar pelo nome da marca.
Um estudo da Similarweb mostrou que usuários que receberam recomendação de uma marca via ChatGPT ficaram, em média, 2,5 vezes mais propensos a visitar o site dessa marca nos sete dias seguintes do que o do concorrente.

Sem olhar para dados nativos, não tem como descartar essa hipótese (e nem confirmar).
Olhando para dados de fora, no entanto, temos um cenário oposto. A Whitebox acompanhou mais de 150 mil anúncios exibidos entre abril e agosto e constatou que só 16,4% das marcas citadas pelo ChatGPT em suas respostas já haviam anunciado na plataforma.
Se gastar com anúncios comprasse menções orgânicas, as marcas citadas seriam em sua maioria as que pagam.
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