O Google começou a testar o recurso de “agendamento inteligente” (agentic booking) no Modo IA. Com isso, a IA consegue fazer reservas de restaurantes, compra de ingressos para eventos e marcação de serviços de bem-estar diretamente nos resultados de busca, tudo de forma automatizada e integrada.
O recurso está em fase experimental nos Estados Unidos, disponível para quem usa o Search Labs com conta pessoal, idioma em inglês e com idade acima de 18 anos.
New agentic capabilities are launching in AI Mode: you can now get help booking event tickets or beauty & wellness appointments. This is available to all users opted into Labs in the U.S., with higher limits for Google AI Pro & Ultra subscribers.
Como funciona o agendamento inteligente do Modo IA?
A ideia do agendamento inteligente é que as pessoas possam pedir para a IA buscar e reservar:
Restaurantes: disponível para todos os participantes do Labs. Você informa o número de pessoas, horário, bairro e tipo de culinária, e o sistema apresenta horários disponíveis com links diretos para reserva;
Ingressos de eventos: acessível a assinantes do Google AI Pro e Ultra, ajuda a procurar eventos e shows com filtros de preço, assento e tipo de ingresso;
Consultas de bem-estar: também restritas aos assinantes Pro e Ultra, com resultados de disponibilidade em tempo real de prestadores locais.
O Modo IA realiza buscas simultâneas em múltiplos sites, gera uma lista curada com horários e preços atualizados e direciona o visitante para a página do fornecedor para concluir a compra ou reserva.
Como o Modo IA consegue realizar essas funções?
Para realizar agendamentos, o Google depende dos agentes de IA, que unem inteligência artificial generativa (como o Gemini) com sistemas de automação capazes de navegar por diferentes sites, identificar formulários, ler dados em tempo real e interagir com elementos como links e botões.
Tudo isso simulando ações humanas para executar tarefas de reserva ou compra de serviços.
Em vez de apenas responder perguntas, a IA pode definir metas, planejar e agir de forma autônoma.
Os riscos por trás dos agentes de IA
Apesar de parecer algo bem incrível, é uma tecnologia que requer certo cuidado. Os agentes de IA podem ter impactos negativos tanto para o usuário final, como para os profissionais de SEO:
Redução de tráfego orgânico: O próprio Google entrega respostas e até opções de reserva diretamente na página de resultados, via AI Overview. Isso aumenta o fenômeno das “pesquisas zero-click”, em que o leitor resolve sua demanda sem acessar o site do criador de conteúdo, podendo derrubar o tráfego para sites que dependem dessas buscas;
Diminuição do CTR e da visibilidade: Com a IA resolvendo e exibindo respostas completas no topo dos resultados, a taxa de cliques (CTR) nos links orgânicos deve cair, assim como a visibilidade para marcas e conteúdos originais;
Desafios para publishers e afiliados: Conteúdos detalhados, comparativos ou de segmento afiliado perdem engajamento, porque o leitor pode não chegar até o texto completo. Isso prejudica meios de monetização tradicionais e força foco quase exclusivo em buscas transacionais;
Riscos de erro e desinformação: A IA pode gerar respostas erradas ou incompletas, especialmente em nichos. Mesmo citando fontes, existe o risco de “alucinações” ou distorções, com impactos negativos para reputação e autoridade dos sites envolvidos;
Concorrência elevada para PPC: Anúncios e links patrocinados também podem perder destaque diante da interface conversacional, reduzindo o CTR e encarecendo o custo por clique em segmentos de alta intenção de busca;
Expectativa alta, realidade baixa: Embora a IA do Google prometa tarefas automatizadas e inteligentes, em muitas demandas cotidianas ela continua “falhando”. Um exemplo é o resultado da busca mostrada no print, em que fiz uma pergunta ao Modo IA e ele respondeu com uma lista de links, exatamente como… na busca tradicional.
Agora, só nos resta esperar para ver como esse recurso vai funcionar (e se vai realmente funcionar).
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