Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 12/01/2026
7 min de leitura
A era das compras feitas na IA chegou oficialmente. O Google está lançando um conjunto de ferramentas e padrões, que permite que a própria IA realize grande parte da jornada de compra.
São quatro novidades principais anunciadas pela big tech:
O objetivo é facilitar a conexão entre varejistas e consumidores com alta intenção de compra, impulsionando as vendas no novo ecossistema de comércio via IA.
A seguir eu te conto mais a fundo sobre essas novidades, que por enquanto só estão rodando nos EUA, e o impacto delas em SEO.
O Universal Commerce Protocol (UCP) ou, aportuguesando, Protocolo de Comércio Universal, é um padrão aberto para comércio via agentes de IA, o que significa que ele cria uma “linguagem em comum” para agentes, varejistas, plataformas e meios de pagamento.
Para o varejista, na prática, isso significa adotar APIs que seguem o formato do UCP (diretamente ou via plataformas como Shopify), de modo que qualquer agente de IA compatível possa oferecer o catálogo, montar pedidos e finalizar a compra. Isto é, se o lojista quiser ter seus produtos oferecidos e adquiridos via IA.
O UCP é compatível com outros protocolos, como A2A, AP2 (pagamentos), MCP (contexto de modelos), e foi desenvolvido em conjunto com grandes players do setor comercial dos EUA, como Shopify, Etsy, Walmart etc.

O UCP vai possibilitar o recurso de checkout via Gemini e Modo IA, em anúncios qualificados de venda. O consumidor poderá finalizar a compra de varejistas elegíveis (só nos EUA, inicialmente) direto na interface de pesquisa/IA.
Nesses casos, o pagamento será via Google Pay, a princípio. Mas, em breve também será possível usar o PayPal.
O varejista continua sendo o “seller of record” e pode customizar a integração.
“Seller of record” é a entidade que aparece como vendedora oficial na transação, do ponto de vista legal e fiscal. É quem “assina” a venda perante o cliente e o governo: define preço, emite a nota/fatura, coleta impostos e assume responsabilidades sobre o produto (qualidade, devoluções, garantias, etc.).
O objetivo da função, segundo o Google, é reduzir o abandono de carrinho de compras e, no futuro, aumentar a descoberta de produtos relacionados, aplicar programas de fidelidade, e garantir uma experiência de compra personalizada.
Outra novidade anunciada pelo Google é o Business Agent, um agente de IA com a voz/identidade da marca, dentro da busca orgânica. Ele funciona como um vendedor virtual e aparece via chat para:
Tanto a ativação como a personalização do Business Agent será feita pelo Merchant Center. Ao longo do tempo, será possível treinar o agente com dados próprios.
Para as compras conversacionais funcionarem como o imaginado, o Google está lançando também dezenas de novos atributos no Merchant Center, como:
A ideia é que esses novos atributos facilitem para a IA descobrir produtos em jornadas de compra conversacionais.
Para começar, a função será testada com alguns varejistas, e só depois será expandida.
Por fim, a última novidade é o Direct Offers, um novo tipo de anúncio pago na IA. Ele permite que anunciantes mostrem ofertas exclusivas (por exemplo, “frete grátis” ou “20% de desconto”) diretamente na conversa com a IA.
O anúncio só vai aparecer quando o consumidor tiver demonstrado alta intenção de compra em uma consulta no Modo IA. Além de listar produtos relevantes, a IA pode destacar um bloco identificado como oferta patrocinada, com um benefício concreto para fechar a venda.
Para o varejista/anunciante, a lógica é configurar essas ofertas dentro das configurações da campanha, definindo quais tipos de desconto ou benefício quer disponibilizar, para quais produtos ou categorias e sob quais condições (por exemplo, mínimo de compra, região, etc.).
O sistema de IA do Google decide quando e para quem mostrar a oferta, usando sinais de intenção e contexto da consulta, em vez de depender apenas de palavras‑chave clássicas.
Pensando no consumidor, esses novos recursos parecem fazer sentido para facilitar a jornada de compra, podendo aumentar a conversão. No entanto, é importante observar que é mais uma forma das pessoas não acessarem seu site e, provavelmente, derrubar (ainda mais) o tráfego.
Historicamente, pesquisas transacionais eram as mais “blindadas” contra a IA, porque até então o site era a única forma de fazer a transação. As quedas de tráfego que eram mais sentidas por portais de conteúdo, agora podem afetar um número maior de sites.
Ainda não existe uma previsão de chegada ao Brasil, mas já é possível ficar de olho nos seguintes impactos que podem surgir no mercado americano:
É claro que tudo isso é uma previsão inicial, e ainda sem usar os recursos ou ter algum acesso a dados de uso. Algumas coisas podem cair por terra, e outros impactos podem surgir depois que a compra por IA realmente engatar no mercado.
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