Estudo mostra que Modo IA reduz cliques sem melhorar a experiência do usuário

Um estudo mostrou que o Modo IA pode reduzir os cliques para sites externos sem necessariamente melhorar a experiência do usuário.

A pesquisa foi publicada em agosto de 2026, e conduzida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia e da Northeastern University, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores buscaram entender como a integração de IA generativa à busca do Google (especificamente por meio das AI Overviews e do Modo IA) afeta o comportamento dos usuários, a percepção deles sobre a experiência de busca e o tráfego direcionado a sites de terceiros.

A seguir eu te conto mais sobre as principais descobertas do estudo e como ele foi feito. 

Como o estudo foi feito? 

Os pesquisadores realizaram um experimento com 1.100 usuários do Google nos EUA. Eles dividiram os participantes em três grupos durante 7 dias:

  • Sem recursos de IA na busca: AI Overviews eram ocultados e as buscas feitas pelo Modo IA eram redirecionadas para a busca tradicional;
  • Busca normal com IA: o Google funcionava normalmente, podendo exibir AI Overviews e Modo IA;
  • Buscas somente no Modo IA: todas as buscas eram direcionadas para o Modo IA.

A ideia era conseguir comparar, na prática, o que muda quando a IA está presente na experiência de busca.

Principais resultados: queda de CTR e má experiência do usuário no Modo IA

O estudo revelou aquilo que a gente já sabia: a inteligência artificial na busca do Google atua como um substituto do conteúdo dos sites terceiros, retendo a atenção do leitor na página do buscador ao invés de servir como ferramenta de descoberta. 

A seguir, veja os principais resultados do estudo em detalhes. 

1. Queda significativa no tráfego para publishers

Um dos principais achados do estudo foi o impacto do Modo IA sobre os cliques para sites externos. Quando os participantes do estudo tiveram que usar obrigatoriamente o Modo IA, a taxa de cliques caiu 18,8%. 

A queda também apareceu em sites específicos: com Modo IA, caiu a proporção de usuários que clicaram em sites de notícias (-12,5%), Reddit (-21,2%) e Wikipedia (-9,9%).

No entanto, nas buscas sem recursos de IA, a taxa de cliques aumentou 8,8%. 

Esse comportamento ajuda a explicar uma das principais preocupações levantadas pelo estudo: a IA pode facilitar o acesso à informação ao mesmo tempo em que reduz o tráfego que chega aos sites que produzem essa informação.                                                       

2. Mudanças no comportamento de busca

O estudo também identificou mudanças na forma como os participantes utilizavam a busca quando eram direcionados para o Modo IA.

Nesse grupo, os usuários realizaram, em média, 0,92 sessão de busca a menos por dia. Entre os usuários que já faziam buscas com mais frequência no Google, a redução foi ainda maior: 2,01 sessões a menos por dia.

Ainda assim, o tempo médio de cada sessão aumentou 0,43 minutos. Ou seja, embora as pessoas tenham iniciado menos sessões, permaneceram mais tempo dentro de cada uma delas.

Isso pode indicar uma mudança no comportamento: em vez de realizar várias buscas e navegar entre diferentes páginas, o leitor passa mais tempo interagindo com a resposta gerada pela IA dentro do próprio Google.

3. Redução da satisfação e confiança das pessoas

Apesar da possibilidade de obter respostas mais diretas, os participantes que foram direcionados ao Modo IA avaliaram pior a experiência de busca em diferentes aspectos. O estudo mediu:

  • Confiança, que caiu 0,34 ponto em uma escala de 1 a 7;
  • Satisfação, redução de 0,73;
  • Utilidade percebida, redução de 0,59;
  • Sensação de controle, redução de 0,66;
  • Percepção de relevância dos resultados, redução de 0,42.

Já entre os participantes que tiveram os recursos de IA removidos da busca, não foram identificados prejuízos significativos na confiança ou na satisfação.

O estudo também contou com comentários dos participantes que ajudam a contextualizar esses resultados. Por mais que algumas pessoas tenham elogiado a praticidade e a economia de tempo, também apareceram relatos de perda de controle sobre a busca, dificuldade para chegar aos sites desejados, menor variedade de fontes e preocupações com erros nas respostas.

4. Migração para buscadores concorrentes

Entre os participantes que foram obrigados a usar apenas o Modo IA, a proporção de pessoas que realizaram buscas em concorrentes como Bing, DuckDuckGo ou Yahoo aumentou 11,2%. 

Além disso, a intenção de mudar para o Bing aumentou em 1,25 ponto, em uma escala de 7 pontos. 

Os pesquisadores destacam esse resultado como um possível efeito negativo do Modo IA para o próprio Google: ao alterar a experiência de busca, o recurso reduziu os cliques para sites externos, e ainda esteve associado a um aumento de migração do público para concorrentes.

Limitações do estudo

Como já é de praxe, os próprios pesquisadores apontaram as limitações do estudo, sendo elas: 

  • Falha no grupo sem IA: durante o experimento, o Google alterou a estrutura HTML dos AI Overviews, o que quebrou o código da extensão de navegador utilizada para ocultá-los. Como resultado, a taxa de sucesso em esconder os resumos caiu de 90% no primeiro dia para perto de 0% no final, ficando em uma média de 50% ao longo do estudo; 
  • Amostra pouco representativa: os participantes tinham um perfil que divergia da população geral norte-americana. Eles eram predominantemente mais jovens (75% abaixo de 45 anos), altamente escolarizados (87% com algum grau de ensino superior) e politicamente progressistas/democratas (58% vs. 20% republicanos);
  • Janela curta de análise: O período de intervenção durou apenas 7 dias. Essa janela de tempo permite medir reações de curto prazo, mas não revela a adaptação ou a mudança de hábitos de uso que poderiam ocorrer em um período mais longo;
  • Uso obrigatório do Modo IA: na rotina normal anterior ao estudo, o uso espontâneo do Modo IA representava apenas 0,6% das pesquisas. Portanto, o cenário de imposição total pode ter gerado reações e percepções diferentes das que ocorreriam em um processo de adoção voluntária;
  • Sem recorte para buscas sensíveis: a pesquisa observou buscas cotidianas em geral, sem isolar temas de alto risco, como saúde, finanças e direito. Nesses contextos, a redução de cliques e confiança pode ter implicações diferentes;
  • Limites para efeitos menores: a pesquisa não tinha participantes suficientes para identificar mudanças muito pequenas em alguns indicadores secundários, como variações discretas de cliques ou respostas da pesquisa. Por isso, quando um resultado não foi estatisticamente significativo, isso não significa necessariamente que não houve nenhum efeito.

Diante disso, é importante que os resultados não sejam interpretados como uma conclusão definitiva para todos os mercados e tipos de busca. O que o estudo oferece é um indicativo dos possíveis efeitos da IA generativa na busca orgânica.

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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