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Como os clickbaits funcionam – e porque você deve evitá-los

Clickbait é qualquer título ou chamada que retém uma informação essencial para forçar o clique

Não é só aquele estilo exagerado de “Você não vai acreditar no que aconteceu”, é uma estrutura. Uma mecânica. E ela funciona sempre do mesmo jeito: remove uma peça da informação e cobra o “clique como ingresso”.

O Dan Petrovic escreveu sobre como funcionam os clickbaits, e a gente trouxe essa explicação pra cá, além de mostrar porque eles são prejudiciais para SEO

Vamos lá? 

Como um clickbait funciona? 

Todo título clickbait funciona escondendo uma informação essencial, obrigando o leitor a clicar para descobrir essa informação, que de acordo com Petrovic é a “latent entity” ou entidade latente. 

No exemplo, o título esconde duas entidades latentes ao mesmo tempo: 

  • O sujeito está oculto: “a pergunta fácil” não é nomeada. Qual pergunta? De qual tema?
  • E o resultado também está oculto: o que Portiolli respondeu? Ele errou, acertou, chutou? 

A frase “Não sabia” confirma que existe um desfecho, mas não o revela. O leitor fica com dois buracos na informação ao mesmo tempo, e o clique é o único caminho para preencher os dois. 

É o clickbait em sua forma mais clássica: usa o nome de uma pessoa conhecida como isca emocional, monta uma situação curiosa (“pergunta fácil que ninguém acerta”) e corta exatamente antes de entregar qualquer coisa de valor.

Os 4 tipos de informação oculta no clickbait

Além do sujeito e do resultado que vimos no exemplo anterior, o clickbait também pode esconder o motivo e o processo. 

1. Sujeito oculto: O quê?

O título fala sobre algo específico, mas não nomeia o quê. 

Exemplo: “Esta extensão de navegador mudou minha vida para sempre”.

Qual extensão? Você não sabe. O pronome demonstrativo “esta” aponta para algo sem revelar nada. A identidade do sujeito é a moeda do clique.

Sem clickbait ficaria: “[nome da extensão]: como essa extensão eliminou anúncios e acelerou minha navegação”. 

2. Motivo oculto: Por quê?

O título apresenta uma conclusão, mas esconde o raciocínio que levou a ela.

Exemplo: “Finalmente entendi por que usuários de Linux preferem ferramentas simples.”

O autor chegou a uma conclusão. O leitor, não. A lógica por trás da conclusão é o que está à venda.

Sem clickbait ficaria: “Por que usuários de Linux evitam software complexo: a lógica do controle e da estabilidade”.

3. Processo oculto: Como?

O título mostra um ponto de partida e um resultado, mas apaga o caminho entre eles.

Exemplo: “Transformei meu celular antigo em um controle universal para toda a casa inteligente.”

Como? Com qual app? Qual passo a passo? A transformação é apresentada como fato, mas o método é ausente.

Sem clickbait ficaria: “Aprenda a transformar um celular Android antigo em controle universal com o [nome do app]”.

4. Resultado oculto: O que aconteceu?

O título monta um cenário ou experimento e corta antes do desfecho.

Exemplo: “Substituí todas as minhas ferramentas de produtividade por um único app durante um mês.”

E? Funcionou? Foi um desastre? O resultado é a única coisa que o leitor quer, e a única que o título se nega a dar. Alguns títulos escondem duas dessas variáveis ao mesmo tempo, cobrando duas vezes pela mesma visita.

Sem clickbait ficaria: “Usei o [nome do app] por 30 dias e minha produtividade aumentou 20%”. 

O clickbait pode arruinar sua reputação 

Quando você cria um título desses, e a pessoa realmente clica para matar a curiosidade, ela vai entrar no seu site com o único objetivo de encontrar a resposta. Ela ignora introdução, contexto e tudo mais, rolando a página até encontrar a informação que o título prometeu.

E o artigo, muito provavelmente, vai enrolar bastante, jogando a informação primordial lá pro final da página. 

O resultado disso é que o leitor vai ficar com raiva, totalmente insatisfeito! Você ganhou sua visualização, mas há grandes chances de ter entrado para a lista dos sites que esse leitor vai ignorar daqui pra frente. E é óbvio que isso não é nada bom para a reputação da sua marca. 

As consequências do clickbait para SEO

Para profissionais de SEO, o clickbait tem implicações diretas:

  • Pogo-sticking: títulos clickbait atraem cliques, mas não retêm usuários. Quando o conteúdo não entrega o que o título prometeu, o leitor volta imediatamente ao Google em busca de outro resultado, comportamento chamado de pogo-sticking, e esse padrão pode prejudicar sua visibilidade;
  • CTR alto + tempo de página baixo: Quando sua página tem uma alta taxa de cliques, mas o leitor passa pouco tempo nela antes de voltar ao Google, é um sinal negativo para o buscador que vai achar que o conteúdo é insatisfatório para aquela pesquisa (inclusive o Google usa isso para definir o ranqueamento clássico e para resultados de IA);
  • Taxa de rejeição: uma taxa de rejeição alta indica que seus títulos estão decepcionando visitantes, e esse padrão prejudica a reputação do domínio ao longo do tempo;
  • Helpful Content Update: desde 2022, e incorporado ao algoritmo principal em março de 2024, o Google avalia (e penaliza) não só páginas individuais, mas sites inteiros. Conteúdos com títulos sensacionalistas e pouca substância são rebaixados nos resultados. Se o título promete mais do que a página entrega, o Google percebe e penaliza.

Clickbaits no Google Discover

Os clickbaits são mais difíceis de aparecer na busca orgânica. Mas no Discover, plataforma de notícias, eles tomam conta. O Discover é alimentado por engajamento, e títulos que geram clique compulsivo recebiam mais visibilidade.

Mas isso está mudando. Em fevereiro de 2026, o Google lançou o primeiro update totalmente focado no Discover, plataforma de notícias da big tech. Um dos objetivos da atualização foi reduzir os conteúdos sensacionalistas. 

Dados da Newzdash mostram que o update trouxe bons resultados: 

  • A Autoevolution, que tinha cinco artigos no Top 1000 do Discover nos EUA (todos seguindo uma fórmula quase idêntica de “revelação dramática”) foi para zero artigos após a atualização; 
Exemplo de título clickbait da Autoevolution: “A verdadeira razão plea qual carros novos são tão suaves e por que o modelo 2017+ representa um ponto de virada”.
  • O Yahoo, que também usava títulos clickbait, saiu do Top 100 completamente no período pós-update.

Isso mostra que usar o clickbait como estratégia pode ser mais arriscado agora (principalmente se você quer ranquear no Discover), já que o Google está atento aos sites que exageram na dose. 

Como usar o clickbait de uma forma positiva

Uma coisa que o Petrovic não falou, mas eu acho interessante trazer pra vocês é o uso do clickbait como recurso criativo, especialmente nas redes sociais. Em geral, nesses casos, ele vem com outro nome: curiosity gap.

Aqui, a falta de informação é usada como recurso narrativo legítimo e tem o objetivo de criar suspense, gerar curiosidade e manter o engajamento na postagem. 

É o que acontece no vídeo abaixo, do canal no Youtube Vida de Mochila: 

Eles não dizem no título qual país é esse que eles amam, mas quem já acompanha o canal sabe que eles estavam fazendo uma viagem e tiveram que interromper ela e voltar para o Brasil, que é o país onde eles nasceram e, portanto, o que eles mais amam. Essa informação também está na descrição do vídeo. 

A diferença fundamental está no contrato com o público e na plataforma usada. Um criador de conteúdo que usa um título intrigante em uma rede social, mas entrega o prometido com qualidade, está usando a curiosidade como porta de entrada, não como armadilha

Nos conteúdos que você faz para ranquear no Google ou em ferramentas de IA, é mais complicado usar o clickbait como recurso criativo, porque existe um terceiro na relação: o Google, que mede se a promessa foi cumprida através do comportamento do leitor.

O problema aparece quando o título promete algo que o conteúdo não cumpre, aí vira clickbait no sentido negativo, mesmo nas redes sociais, e o resultado é a perda de confiança da audiência ao longo do tempo.

Checklist para evitar um título clickbait

Às vezes, sem querer, você pode acabar criando um título muito misterioso. Acredite, já aconteceu comigo, mas a revisão aqui na SEO Happy Hour é muito atenta! 😅 

Você também pode seguir esse checklist antes de publicar seu texto: 

  • O título nomeia o sujeito principal?
  • O título revela o motivo ou a lógica da afirmação?
  • O título descreve o processo, se ele for o ponto central? 
  • O título entrega o resultado, se a experimentação for a premissa? 
  • O conteúdo da página entrega o que o título prometeu?

Se alguma resposta for “não”, você tem uma entidade latente. Aí é preciso decidir se está criando curiosidade legítima ou retendo informação para cobrar um clique. 

Aqui no site você também encontra um guia completo para otimização de títulos de SEO. Leia e aprenda a criar títulos que vão gerar cliques sem precisar de nenhuma barganha! 

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Se você precisa de uma ajuda mais exclusiva, a SEO Happy Hour pode trabalhar diretamente com sua equipe de conteúdo para orientar na criação de títulos adequados para sua marca e que vão ter um bom desempenho na web. Fale com a gente e saiba mais! 

  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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