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Qual é o resultado do conteúdo em massa feito com IA no Google? Pesquisa acompanha desempenho por 16 meses

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    Elyson Gums

  • Data de publicação da notícia.

    Atualizado em 10/04/2026

  • Tempo de leitura da notícia.

    10 min de leitura

Com o apoio da IA, qualquer site consegue publicar centenas (ou até milhares!) de páginas por mês. Mas isso traz resultados para SEO?

Um estudo feito pela SERanking foi atrás das respostas. Eles acompanharam um projeto de conteúdo em massa durante 16 meses.

Foi possível notar um padrão em diversos sites: pico de indexação e tráfego nos primeiros meses, depois uma queda gradual, até sumir, quase completamente, do Google.

Esse fenômeno já era conhecido. Alguns especialistas estrangeiros chamam de “Mount AI”, ou “Pico de IA”, por causa do formato do gráfico sempre que a estratégia é aplicada: um ápice, seguido por queda.

Os detalhes do estudo

O objetivo foi testar o desempenho de conteúdos feitos puramente com IA, sem nenhuma intervenção humana.

Para isso, a equipe fez os seguintes passos:

  • Comprou 20 domínios, sem backlinks ou autoridade prévia;
  • Escolheu áreas diferentes, como artes, negócios, tecnologia, finanças, e-commerce, jardinagem, medicina, entre outros;
  • Gerou 100 conteúdos informativos para cada site, totalizando 2000 novos conteúdos. Eles abordaram palavras-chave de cauda longa, com termos iniciando com “como fazer”;
  • O conteúdo foi publicado, as propriedades do Search Console foram configuradas, e os sitemaps enviados por lá.

Depois disso, os sites ficaram inalterados. A equipe abriu os analytics depois de 16 meses para analisar a performance.

Os principais resultados do experimento

Conforme os meses foram passando, foi possível notar uma mudança na avaliação do Google. Primeiro, os conteúdos tinham espaço como quaisquer outros. Mas em questão de meses estagnou e caiu.

  • Primeiro mês: houve indexação e visibilidade inicial. 71% das páginas foram indexadas e geraram 122 mil impressões e 244 cliques; 
  • Segundo e terceiro mês: os sites continuaram crescendo, com 526 mil impressões e 782 cliques. O conteúdo performou mesmo sem backlinks, divulgação, linkagem interna ou otimizações de SEO;
  • Terceiro a sexto mês: começou o colapso! Apenas 3% das páginas permaneceram no top 100 do Google para as suas palavras-chave alvo;
  • Décimo sexto mês: depois de um ano, a visibilidade continuou baixa na maioria dos sites. Impressões e cliques permaneceram mínimos. Depois do spam update de agosto de 2025, 20% das páginas passaram a ocupar o top 100. 

Veja abaixo os detalhes do que aconteceu em cada período, e o que isso significa para sites que tentarem replicar a estratégia. 

Primeiro mês: indexação e visibilidade para conteúdos de IA

Das 2000 páginas publicadas, 1419 foram indexadas

É um número surpreendente, considerando que são domínios novos e que literalmente não houve nenhum trabalho sério. Em alguns casos, literalmente todo o conteúdo de IA foi indexado!

Nas áreas mais “gerais”, como alimentação e estilo de vida, a indexação foi mais rápida. Em segmentos mais técnicos e competitivos, a avaliação foi mais rigorosa. 

Alguns segmentos começaram a dar sinais de visibilidade muito rápido:

  • Hobbies, com 17.425 impressões;
  • Negócios e serviços, com 17.311 impressões;
  • Viagens, com 13.598 impressões
  • Estilo de vida e bem-estar, com 13.072 impressões.

Oito sites ranquearam para mais de 1000 palavras-chave. Outros oito ranquearam entre 100 e 1000 termos. 

A conclusão dos pesquisadores foi que o conteúdo gerado por IA pode ganhar tração rapidamente. Eu acrescento aqui que, justamente por isso, tantos gestores ficam com a tentação de colocar a IA pra fazer tudo! 

O começo é rápido e com toda a cara de que vai dar certo, o problema vem só mais pra frente.

Meses 2 e 3: o crescimento continua

Nas semanas seguintes, impressões e cliques continuaram crescendo. O Google foi descobrindo, rastreando e classificando as páginas, da mesma forma que faria com qualquer site legítimo.

Cerca de dois meses e meio após o início do estudo, o cenário foi:

  • As impressões foram para quase meio milhão;
  • 12 sites passaram a ranquear para mais de 1000 palavras-chave (no primeiro mês, eram 8);
  • O restante passou a ranquear para 100 a 1000 palavras-chave.

Isso é o esperado para sites novos. Segundo os autores, quando o Google encontra páginas novas, começa a “testá-las”, exibindo para um número maior de pessoas e colhendo dados de cliques, para entender se o conteúdo é de fato útil e atende às expectativas.  

Nesta etapa, os sites parecem casos de sucesso. Inclusive, a maioria dos posts do LinkedIn que você vê são de domínios que estão nessa etapa. A galera que se gaba de “ter automatizado o SEO” espera essa etapa, tira um print, e posta como se ele fosse representativo de toda a história do site.

No entanto, como veremos a seguir, esse pico não é sustentável. 

Meses 3 a 6: o colapso do conteúdo feito por IA 

Em cerca de três meses, o conteúdo praticamente sumiu do Google. As páginas continuaram indexadas, mas apenas 3% estavam em alguma das 100 primeiras posições do buscador

Sem uma manutenção adequada, o conteúdo foi simplesmente morrendo, muito lentamente. 

Ao analisar friamente os números, ainda foi possível notar algum crescimento, algo em torno de 200 mil impressões. Bem longe da escala esperada para um projeto desse tamanho. 

O retorno foi diminuindo aos poucos. Conforme os meses iam passando, esse incremento nas impressões e cliques ia ficando cada vez menor, até o ponto de praticamente parar. 

Mês 16: o cenário no longo prazo

Os sites estagnaram. Depois da queda por volta do terceiro mês, nenhum site voltou a crescer. Todos ficaram estagnados, quase sumindo do gráfico do Search Console. 

Até houve algumas flutuações, mas todos continuaram em baixa. Durante o Spam Update de agosto de 2025, 50% dos sites voltaram a receber impressões. Ocorreu o seguinte

  • Seis sites tiveram um pico de duas semanas e voltaram a perder visibilidade;
  • Quatro sites voltaram à performance vista no mês 1. 

Ou seja, o spam update melhorou o resultado de conteúdo feito só para manipular o ranking. 🤯

Aconteceu em pequena escala e, mesmo crescendo, continuou abaixo do pico do experimento. Mas ainda assim foi surpreendente. 

Sites YMYL foram os mais afetados. Essa categoria, que reúne temas delicados, como saúde e finanças, passa por uma análise muito mais cuidadosa. Fatores como o E-E-A-T foram criados especialmente para classificar esse tipo de página.

Ao fim do estudo, o número total de cliques do experimento foi 1.026.

Atualizar o conteúdo criado por IA ajuda nos rankings?

Em março de 2026, a equipe fez um novo experimento, depois que tudo já tinha caído: atualizar o conteúdo (também usando só a IA) para ver se os sites apareciam mais. 

Dar um refresh” em conteúdos que já estão no seu site é uma técnica legítima de SEO para melhorar os resultados. Funcionou com a IA também: diversos conteúdos feitos sem interação humana começaram a receber impressões.

Alguns exemplos:

  • O site focado em negócios foi de 458 para 7750 impressões;
  • O site no nicho de Direito foi de 19 para 356 impressões;
  • O site de ciências foi de 34 para 633 impressões.

O veredito: conteúdo gerado por IA não traz visibilidade no longo prazo

Passados os 16 meses, foi possível concluir que a visibilidade gerada pela criação de conteúdo em massa não é duradoura. Acontece um pico, que logo cai.

No início, o conteúdo realmente gera tráfego. Mas, para uma empresa, simplesmente não compensa. No estudo, foram pouco mais de 1000 cliques em 20 sites. Ou seja, cerca de 50 acessos por domínio, em mais de um ano.

O detalhe é que:

  • Possivelmente são visitas não qualificadas;
  • Obter esses cliques sacrificou a reputação dos domínios;
  • Tende a ser mais difícil otimizar um site com histórico de spam, do que um domínio “limpo”.

Talvez o mais correto seja dizer “até que dá certo, mas tem muitos riscos”. Você termina o experimento com mais cliques do que quando começou, mas não consegue sustentar o crescimento.

Por que a visibilidade é passageira?

A conclusão dos pesquisadores é que esse tipo de conteúdo não atende às diretrizes de qualidade e utilidade do Google

Diversos fatores estavam ausentes das páginas:

Com base nisso tudo, o Google conseguiu facilmente identificar algo fora do padrão e limitar o espaço dos sites na SERP.

E se os conteúdos recebessem manutenção?

Mas, e se os sites tivessem alguma qualidade? E se o conteúdo fosse feito por IA, mas tivesse uma revisão humana competente? E se o site fosse atualizado corretamente?

Possivelmente, seria melhor, mas pouca coisa mudaria no longo prazo. O site receberia mais impressões e mais cliques, mas continuaria com os mesmos problemas, principalmente devido à falta de autoridade em temas competitivos. 

Isso porque a premissa principal dos projetos de conteúdo continuaria errada: SEO raramente é sobre publicar o maior número possível de páginas. A questão é outra, convencer de que o que você posta tem valor em comparação ao que já está no ranking.

Conteúdo gerado com IA não combina com isso. Se a sua preocupação for “usar a IA, mas fazer de forma mascarada, para o Google não perceber”, você provavelmente está ignorando questões como:

  • A função do conteúdo dentro da estratégia;
  • A utilidade para quem está lendo;
  • A capacidade de publicar algo original, diferente do que já existe na internet.

São esses os fatores que fazem as marcas crescerem de forma sustentável, no longo prazo, sem penalizações do Google. E nenhum deles combina com “sair postando mais e pronto”. 

Há, inclusive, outras pesquisas que apontam esse caminho. Um estudo da Semrush indicou que posts sem sinais de redação de IA têm 8x mais chances de aparecerem na primeira posição do Google.

Minimizando os riscos ao usar IA para conteúdo

Se você quer usar IA no seu fluxo de conteúdo, faça da seguinte forma:

  • Com uma estratégia sólida de SEO por trás;
  • Com humanos supervisionando o processo;
  • Sem publicar mais do mesmo; 
  • Com investimento em branding e na qualidade geral do seu site.

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  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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