Você provavelmente já leu por aí que muitos sites estão perdendo tráfego orgânico.
Mas… Para onde esses cliques estão indo?
Em muitos casos, para lugar nenhum – pesquisas que antes geravam tráfego, agora não geram mais. Em outros, está indo para sites que:
O especialista de SEO Cyrus Shepard analisou 400 sites para identificar os padrões das estratégias bem-sucedidas no Google em 2026, pós Core Update de março.
O que explica o crescimento e a queda de tráfego orgânico?
Ao que tudo indica, o Google está priorizando sites que entregam o que a IA não pode replicar.
Publicar conteúdo útil faz parte dessa experiência, mas não é tudo. Muitas vezes, a resposta está nos modelos de negócio, na experiência do visitante, nas estratégias editoriais e na função do site dentro do marketing.
Se for apenas um repositório de conteúdo, está mais sujeito a perder cliques. A IA consegue rastrear as páginas, resumir o conteúdo e entregá-lo direto na SERP. Mas, se o site é necessário para realizar uma ação, como adquirir um produto, isso não acontece e o clique ainda vem.
Nas palavras de Cyrus, o Google quer dar tráfego a diferentes tipos de sites do que dava no passado. É por isso que algumas categorias caem tanto, enquanto outras permanecem estáveis, mesmo com o crescimento das AI Overviews.
Analisando as variações de tráfego orgânico
Cyrus analisou as tendências de tráfego de 400 sites nos últimos 12 meses, classificados de acordo com características como:
- Modelo de negócio (como e-commerce ou publishers);
- Tipo de conteúdo;
- Perfil de criadores.
Em seguida, os sites foram divididos nas categorias “ganhou” ou “perdeu” tráfego. A partir daí, foram identificados os padrões e os fatores que se correlacionam com aumento de tráfego.
As cinco características dos sites que crescem em tráfego
O estudo indicou que as seguintes características se correlacionam a bons resultados no Google:
- Oferta de produto ou serviço;
- Conclusão de tarefas;
- Presença de dados proprietários;
- Autoridade tópica bem estabelecida;
- Marca forte.
O gráfico abaixo mostra a porcentagem de sites com cada uma das 5 características. Perceba que nem todos contêm todos os elementos de sucesso – marca, por exemplo, aparece bem menos do que a autoridade tópica.
No entanto, marcas que combinam mais elementos tendem a performar melhor. Cerca de 80% dos sites que mais cresceram tinham de 4 a 5 elementos.
Mas, vale ressaltar que correlação não é causa. Ou seja, investir nessas 5 áreas não é garantia de sucesso.
Por exemplo, há sites que oferecem produtos e serviços caíram, apesar dessa ser uma categoria “positiva”. Também houve (poucos) sites que não tinham nenhuma característica e cresceram.
1. Oferta de produto ou serviço
Sites que oferecem seus próprios produtos ou serviços performam melhor, em comparação com agregadores ou plataformas terceiras.
Por consequência, sites com conteúdo puramente informativo, ou que monetizam com links de afiliados, performaram pior.
Os sites com melhor performance tinham a oferta como parte central da estratégia. Isto é, o seu modelo de negócios envolve diretamente a vertical de serviços, não é só uma oferta adicionada ali de qualquer jeito.
Infelizmente, isso não funciona para todos os nichos. Portais de notícias são um dos principais exemplos: mesmo que comercializem as assinaturas, o conteúdo puramente informativo é simplesmente muito relevante para a receita, marca e credibilidade.
2. Conclusão de tarefas
Mais do que atender à intenção de busca, seu site deve permitir que o visitante conclua tarefas, sempre que possível.
De pouco adianta oferecer muita informação sobre um tema, se a pessoa ainda tiver que ir para outro lugar realizar uma ação. Como falamos ali em cima, se a questão for apenas obter informação, o Google não precisa enviar ninguém para o seu site, basta resumir o que você postou com as AI Overviews.
É cruel, mas é o que parece estar acontecendo no buscador.
O melhor jeito de ajudar seu visitante a concluir tarefas é com ferramentas prontas. Podem ser calculadoras, quizzes, comparativos, infográficos interativos, entre outros.
Bons exemplos encontrados pelo Cyrus são:
Procure sempre oferecer o próximo passo da jornada. Nos casos acima, alguém que está pesquisando sobre “exercícios de matemática”, provavelmente vai querer praticar. E quem está pesquisando sobre a ação X, possivelmente buscará outras para comparar e escolher onde investir.
3. Presença de dados proprietários
Dados ou ativos proprietários são informações que outros sites (e nem a IA) podem produzir por conta própria. Pode ser um produto único, bases de dados exclusivos, Conteúdo gerado por Usuário (UGC), ferramentas únicas, resenhas de produtos… Enfim, é qualquer coisa que pertence ao seu site.
Praticamente todos os sites que ganharam tráfego têm alguma fonte de dados ou ativo original. Sites enormes, como o Reddit e o Letterbox, baseiam-se inteiramente nisso.
O Reddit é a principal fonte de “opiniões reais” para consultas em inglês. Já o Letterbox é uma das melhores formas de entender a popularidade de filmes. Logo, quando o Google precisa responder algo relacionado a um insight real, recorre a esses sites.
Dificilmente você poderá competir diretamente com domínios tão grandes, mas ainda assim pode tornar seus conteúdos mais originais.
Um bom ponto de partida é:
- Adicionar dados e pontos de vista únicos ao conteúdo que você já tem;
- Investir em pesquisas originais;
- Realizar estudos junto à audiência;
- Publicar conteúdo audiovisual original;
- Criar seções de UGC;
- Coletar avaliações originais.
Esse impacto é bem documentado, inclusive em sistemas internos como o information gain score do Google.
4. Autoridade tópica bem estabelecida
Autoridade tópica, ou autoridade no assunto, é o “domínio de conhecimento” de um site, o tema geral que ele cobre com propriedade.
Sites nichados, com tópicos claros e específicos, tendem a gerar mais tráfego. Já os domínios “gerais”, que falam um pouco sobre tudo, têm perdido mais posições.
Cyrus sugere elencar alguns tópicos importantes e tentar ser reconhecido como autoridade absoluta para eles.
A questão da especificidade é bem complexa no Google. Em 2024, surgiram as primeiras notícias de penalização para sites que fogem do seu tema central. Na época, domínios grandes, como a Forbes dos EUA, estavam investindo em conteúdo informativo “aleatório”, pouco relacionado ao tema do portal.
O Discover Core Update de fevereiro de 2026 também aborda o tópico. Um dos objetivos era diferenciar (e priorizar) sites com autoridade específica, sem prejudicar os domínios de qualidade que são mais gerais, como os noticiários nacionais. A nota da atualização diz o seguinte:
Como muitos sites demonstram conhecimento profundo em uma ampla gama de assuntos, nossos sistemas são projetados para identificar a especialização em cada tópico individualmente. Assim, independentemente de um site ter especialização em várias áreas ou se concentrar profundamente em um único tópico, ele tem a mesma oportunidade de aparecer no Discover.
Apesar disso, aqui no Brasil ainda é possível ver domínios postando literalmente sobre qualquer coisa e recebendo tráfego. Mas esse não parece ser o “comportamento esperado” pelo Google e pode levar à perda de tráfego no longo prazo.
5. Marca forte
No estudo, uma marca é considerada forte quando recebe muito tráfego com buscas que envolvem seu nome ou o de seus produtos.
Por exemplo, “landing page no notion” ou “melhor fone de ouvido reddit” indicam um interesse por sites específicos, em vez de pesquisas gerais.
Naturalmente, esse tipo de busca resulta em mais CTR e tráfego, em comparação com termos amplos e meramente informativos.
Uma estratégia para aumentar a força da marca é sair das palavras-chave e focar nos próprios produtos.
O exemplo citado por Cyrus é a Apple – as otimizações não são necessariamente para “computadores”, e sim para “Mac”. Acrescento que o The New York Times também faz isso muito bem. Eles geram muito tráfego para os jogos de palavras que adquiriram ao longo de 2024 e 2025.
🔗 Em 2025, publicamos um guia completo de estratégia de pesquisas com marca no site da SHH. Recomendo a leitura, porque o tema tem muitas nuances, então fica difícil explicar tudo aqui.
Características que não influenciaram o tráfego
Também foram mapeadas algumas características adicionais. Cyrus pensou que elas teriam correlação com o tráfego, mas isso acabou não acontecendo. São elas:
- Demonstrar experiência real ou perspectivas pessoais;
- Hospedar plataformas de criação de comunidade/UGC, como fóruns;
- Publicar informações únicas e exclusivas.
De acordo com o autor da pesquisa, não significa que esses elementos sejam irrelevantes, apenas que não foi possível identificar correlações claras. Possivelmente, eles estão “integrados” em outras das características mapeadas, como a presença de dados originais.
O que você deve fazer para otimizar o seu site?
Com base nesse estudo, as principais ações para otimizar o seu site incluem:
- Oferecer algo além de informação;
- Definir um nicho de expertise e permanecer dentro dele;
- Publicar páginas que são difíceis de replicar;
- Promover a própria marca;
- Tornar-se o “destino final” de uma busca.
Se você acompanha os conteúdos da SHH, pouca coisa é novidade! Já estamos falando sobre a importância da originalidade e de adaptar a estratégia de conteúdo faz algum tempo.
Se você já tem um modelo de negócios estruturado, ou depende muito de pesquisas informativas, pode ser difícil fazer esse processo. Mas é necessário, já que não há sinais de que os hábitos de pesquisa das pessoas vão favorecer o clique nos próximos anos.
Entre em contato conosco para obter apoio profissional nesse momento tão importante. Nossa equipe de SEO te indicará os melhores caminhos para que sua marca continue a crescer (ou recupere o tráfego perdido) no Google e nas IAs.
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