Liz Reid, do Google, afirma que a IA reduz apenas os “cliques superficiais”

De acordo com a VP de Pesquisa do Google, a IA não “rouba” tráfego dos portais, apenas reduz os cliques que já seriam de baixo valor. Esta é apenas uma das diversas mudanças de comportamento percebidas por Reid. 

Em entrevista à Bloomberg, ela comentou sobre:

  • As AI Overviews estarem substituindo cliques de “bounce”, em que a pessoa fica poucos segundos na página e depois sai;
  • Haver espaço para IA e resultados orgânicos coexistirem;
  • Termos pesquisados estarem mais longos e menos centrados em palavras-chave;
  • Pessoas usam AI Overviews, Modo IA e Gemini para tarefas diferentes.

Este é, basicamente, o argumento do “tráfego de qualidade”, repetido pelo Google desde o lançamento das AI Overviews. Embora a lógica faça sentido, pesquisas independentes demonstram que o impacto vai além dessa questão.

Veja um resumo comentado da entrevista, ou assista na íntegra abaixo:

A IA não é uma “ladra de tráfego”

O posicionamento “oficial” do Google é que as AI Overviews reduzem os cliques de baixa qualidade. Geralmente, são feitos por pessoas que caíram no site sem intenção real de consumir o conteúdo que está lá.

Ela traz como comparativo as buscas comerciais, nas quais o objetivo é adquirir um produto. Estas continuam gerando cliques, pois, por mais que a IA recomende produtos, o visitante ainda precisa escolher uma loja e fazer o pedido. 

Nas palavras de Liz:

“Claramente as pessoas às vezes querem gastar alguns segundos, em outras parar por horas para ouvir algo. Se tudo o que você vai fazer é clicar na página, ver um fato e imediatamente sair, vai passar coisa de segundos nessa página. Mas se você for clicar e ler um artigo durante cinco minutos, você tem interesse naquilo. 

As AI overviews podem te ajudar a chegar à página certa, então estamos vendo menos cliques de ‘bounce’, quando a pessoa meio que imediatamente voltava para a busca porque não estava satisfeita”. 

Sundar Pichai, CEO do Google, já apresentava esse raciocínio em 2024. Na época, ele fez uma diferenciação entre pessoas que buscam respostas rápidas, e pessoas que buscam se aprofundar em um tema.

Para quem busca respostas rápidas, a IA pode ser a melhor solução. Para quem quer se aprofundar em um tema, o caminho é acessar um site. 

De acordo com Liz, uma série de sinais é analisada para definir quando um resumo de IA aparece. Infelizmente, ela não entra em detalhes sobre quais são eles durante a entrevista. 

Pesquisas estão mais longas e com menos palavras-chave

As buscas expressam em mais detalhes as intenções reais das pessoas. As frases estão mais longas e soando menos como a descrição de algumas palavras-chave. 

Por exemplo, digitar “como escolher o que priorizar no SEO técnico de um e-commerce”, em vez de “priorização de seo técnico”. 

Nas palavras de Liz, são buscas em linguagem natural:

“Estamos vendo, com as AI Overviews, pesquisas significativamente mais longas, em linguagem natural. Acho que uma das coisas mais interessantes da evolução da IA é que as pessoas estão parando de falar tanto com palavras-chave e estão expressando mais o que elas querem. Isso facilita muito para entregarmos uma resposta. 

Elas pesquisam o problema real. Não precisam traduzir a sua necessidade para algo que o computador entenda”.

É um ponto de vista que vale a pena considerar na sua criação de conteúdo. Há uma tendência de “buscar problemas de verdade”. Você tem a oportunidade de entregar as respostas no seu site. 

Diferenças entre AI Overviews, Modo IA e Gemini

Um dos temas da entrevista foi a estratégia do Google de “dividir” as suas IAs em três ecossistemas diferentes. 

De acordo com a VP de pesquisa, cada um tem a sua própria função: 

  • AI Overviews lida mais com buscas informacionais simples;
  • Modo IA é ativado para buscas informacionais mais complexas, com perguntas mais densas e com tom mais conversacional do que o Google tradicional;
  • O Gemini é mais usado para de fato realizar tarefas, como escrever ou realizar outros trabalhos criativos.

O que dizem os estudos independentes

Sempre que o Google fala sobre a queda de cliques causada pela IA, é importante trazer o contraponto. Isso porque a narrativa dos “cliques de qualidade” não conta toda a história.

De acordo com a SimilarWeb, mais de 60% das pesquisas do Google não geram cliques. Para portais de notícias, a queda de tráfego coincide com o lançamento das AI Overviews. 

Já o Semrush aponta que, em 2026, as AI Overviews reduzem o CTR em cerca de 58%. 

Ambos os dados demonstram que os Resumos de IA podem ter um impacto profundo em modelos de negócios bem estabelecidos na internet. Esse ponto de vista raramente aparece nas entrevistas do Google. 

E, embora exista o argumento de que “IAs e pesquisa tradicional” podem coexistir, na prática estamos vendo um buscador que empurra os resultados orgânicos cada vez mais para baixo, o que também contribui para uma redução de cliques que parece ir muito além do “bounce”. 

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  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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