Google favorece páginas de categoria em buscas de e-commerce, aponta análise

O Search Engine Land fez uma análise a fim de descobrir quando o Google prefere ranquear uma página de categoria e quando prefere uma página de produto. 

De acordo com o estudo, as páginas de categoria recebem mais cliques da pesquisa orgânica do que as páginas de produto na maioria das lojas analisadas. Mas há outros achados interessantes, principalmente sobre o tipo de busca, a influência das pesquisas pela marca e como esses dados ajudam a definir prioridades de SEO.

A análise foi feita com dados do Google Search Console de 100 lojas virtuais de diferentes segmentos. Infelizmente, não foram especificados os países de origem das lojas, mas os resultados oferecem referências que também podem ajudar o trabalho de SEO no Brasil.

A seguir, eu te explico mais sobre essa análise e os principais resultados encontrados. 

Como a análise foi feita?

Foram analisados dados de 100 lojas virtuais e 14,9 milhões de cliques provenientes da pesquisa do Google, referentes ao período de outubro de 2025 a outubro de 2026.

As lojas vendiam diferentes tipos de produtos. O objetivo era entender como os cliques se distribuem entre dois tipos de página:

  • Páginas de categoria: apresentam uma lista de produtos relacionados. Por exemplo, uma página com diferentes modelos de camisetas;
  • Páginas de produto: apresentam um item específico, com suas características, imagens, preço e outras informações.

Os autores da pesquisa também analisaram mais de 12 mil consultas nas quais páginas de categoria e de produto da mesma loja disputavam visibilidade. 

Páginas de categoria recebem mais cliques

O primeiro achado é que as páginas de categoria receberam aproximadamente dois terços dos cliques orgânicos nas lojas analisadas, apesar de haver muito mais páginas de produto nos sites.

Entretanto, o resultado não foi igual para todas as lojas: 

  • Lojas com predomínio de páginas de categoria receberam mais de 60% dos cliques em páginas de categoria;
  • Lojas com equilíbrio entre páginas de categoria e de produto tiveram entre 40 e 60% de cliques em páginas de categoria;
  • Lojas com predomínio de páginas de produto tiveram menos de 40% dos cliques em páginas de categoria.

Quando o Google prioriza páginas de categoria ou de produto?

A segunda parte da análise investiga o comportamento do Google quando os dois tipos de página disputam visibilidade para a mesma consulta.

Para isso, o estudo identificou mais de 12 mil consultas nas quais o Google exibiu páginas de categoria e de produto de uma mesma loja. Ele excluiu as buscas pela marca e os erros de grafia de nomes de marcas.

Os resultados apontaram três tendências.

As páginas de categoria aparecem com mais frequência

Em 61% das consultas analisadas, o Google exibiu páginas de categoria com mais frequência do que páginas de produto. Considerando a média dos resultados individuais das lojas, essa proporção chegou a 66%.

Isso reforça a tendência identificada na distribuição de cliques: as categorias costumam ter um papel importante na visibilidade orgânica dos e-commerces.

Mas há exceções. Em duas lojas, uma marca de moda e uma varejista de skate e calçados, as páginas de produto apareceram com mais frequência do que as categorias nas consultas disputadas.

Quanto maior a demanda, maior a vantagem das categorias

A pesquisa também mostrou que as páginas de categoria tinham uma vantagem ainda maior nas buscas com maior volume de impressões.

Em todas as lojas da amostra, as consultas com mais de 10 mil impressões ao longo do ano favoreceram as páginas de categoria mais do que a média geral de cada site. A diferença média foi de 13%.

Em uma loja de móveis, por exemplo, 94% das consultas de maior demanda favoreceram páginas de categoria, em comparação com 67% no resultado geral.

O singular e o plural não explicam tudo

Uma recomendação comum de SEO para e-commerce é trabalhar páginas de categoria para pesquisas mais amplas, geralmente formuladas no plural, e páginas de produto para buscas específicas, frequentemente formuladas no singular.

A análise encontrou uma diferença entre esses padrões, mas ela foi menor do que a regra tradicional poderia sugerir.

As buscas no plural favoreceram páginas de categoria por uma diferença média de 7% em cada site. Mesmo assim, as páginas de categoria apareceram com mais frequência em 60% das buscas no singular.

Portanto, não basta olhar para a forma como a consulta foi escrita para decidir qual página deveria aparecer nos resultados (até porque já faz tempo que o Google olha para o significado do termo, e não para o texto exato que foi escrito). A intenção da busca e a possibilidade de o consumidor estar procurando um item específico ou escolhendo entre diferentes opções podem ser pistas mais úteis.

O que determina o tipo de página que o Google exibe?

Para aprofundar a questão, a pesquisa olhou para consultas individuais das lojas analisadas. A partir daí, foi possível visualizar exemplos que ajudam a entender qual o objetivo do google quando escolhe uma página para exibir:

ConsultaPágina que tende a aparecerMotivo (de acordo com a pesquisa)
Bike lights (luzes para bicicletas)CategoriaA busca pode ser atendida por diferentes produtos
Frog light (nome de um produto)ProdutoA consulta identifica um item específico
Wedding dresses (vestidos de noiva)CategoriaA pessoa ainda pode escolher entre diferentes modelos
Brown bridesmaid dress (vestido marrom para madrinhas)ProdutoA consulta pode corresponder a um item específico do catálogo
Nike ACGCategoriaA busca se refere a uma linha de produtos
Nike DunkProdutoA busca identifica um modelo específico

A pesquisa também cita um exemplo de uma loja de móveis: a pesquisa por oak dining table (mesa de jantar de carvalho) favoreceu a página de categoria, enquanto 100 cm round dining table (mesa de jantar redonda de 100 cm) favoreceu uma página de produto.

A partir desses casos, é possível ver um padrão:

  • Páginas de produto tendem a aparecer quando a busca identifica um item específico, como um modelo, nome, tamanho ou cor;
  • Páginas de categoria tendem a aparecer quando a busca representa um conjunto de opções, entre as quais o consumidor ainda precisa escolher.

O catálogo e a marca também influenciam o resultado

No estudo foram identificados três perfis de demanda entre as lojas analisadas. A diferença aqui está no tipo de catálogo e no comportamento de quem pesquisa:

  • Lojas com predomínio de categorias: vendem produtos que atendem à mesma necessidade e permitem comparar opções. As páginas de categoria funcionam como vitrines e podem ser a principal porta de entrada pelo Google;
  • Lojas com predomínio de produtos: atendem consumidores que já procuram um item específico, como um modelo ou número de referência. Nesse caso, as páginas de produto tendem a atrair mais cliques;
  • Lojas com predomínio de buscas pela marca: recebem muitos cliques de pessoas que já conhecem a empresa. A pesquisa cita uma marca de skincare em que 86% dos cliques vinham de buscas pela própria marca, o que pode distorcer a análise da aquisição de novos consumidores.

Inclusive, ao excluir as buscas pela marca, identificou mudanças significativas em algumas lojas. Em uma marca de moda, por exemplo, a participação das páginas de categoria nos cliques caiu de 72,1% para 11%. Já em uma varejista de utensílios de cozinha, o movimento foi inverso: a proporção subiu de 33,6% para 72,7%.

Apesar dessas variações, a média geral mudou pouco, passando de 69,2% para 68,7%. Os resultados mostram que as buscas pela marca podem distorcer a percepção sobre quais páginas atraem mais visitantes.

Como aplicar os resultados ao SEO de um e-commerce?

Os autores do estudo propõem um processo para aplicar os aprendizados do estudo: 

  1. Defina qual demanda você quer analisar: decida se o objetivo é atrair pessoas que já conhecem a marca ou conquistar novos consumidores, pois misturar os dois grupos pode distorcer os resultados;
  2. Verifique a participação das buscas pela marca: use o Google Search Console para identificar consultas que incluem o nome da empresa, suas variações e erros de grafia. Se a maioria dos cliques vier dessas buscas, pode ser necessário priorizar a aquisição de novos consumidores;
  3. Calcule a proporção de cliques entre categorias e produtos: exporte os dados de páginas do Search Console, agrupe as URLs por tipo e compare os cliques recebidos por cada grupo, considerando a demanda escolhida;
  4. Identifique consultas em que as páginas competem: cruze os dados de consultas e páginas para encontrar buscas que geraram impressões tanto para páginas de categoria quanto para páginas de produto.;
  5. Avalie a intenção da pesquisa: se ela indicar um item específico, priorize a página de produto; se representar uma escolha entre diferentes opções, priorize a categoria. Se ambas continuarem disputando a mesma busca, fortaleça a página escolhida e ajuste os links internos.

A proposta é usar os dados do próprio site para identificar quais páginas merecem mais atenção, em vez de aplicar regras genéricas a todo o catálogo. Assim, você pode direcionar esforços para as páginas com maior potencial de atrair visitantes e atender à intenção de busca dos consumidores.

Criar mais página de categoria melhora o SEO? 

O estudo também foi atrás para saber se as lojas com mais páginas de categoria recebiam uma parcela maior dos cliques orgânicos. E o resultado foi negativo: ter mais páginas de categoria não significava conquistar uma participação maior dos cliques.

Na análise, uma loja com 33 páginas de categoria recebeu, em média, mais de 340 cliques por página ao longo do ano. Já outra, com mais de 29 mil páginas de categoria, recebeu menos de quatro cliques por página, em média.

Uma das explicações apontadas é a existência de páginas geradas automaticamente por filtros e combinações de atributos dos produtos. Essas URLs aumentam a quantidade de páginas sem necessariamente corresponder a novas oportunidades de busca.

Em outras palavras, criar mais páginas não aumenta automaticamente a demanda. Pode apenas distribuir os cliques existentes entre um número maior de URLs.

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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