Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 29/10/2026
10 min de leitura
O Search Engine Land fez uma análise a fim de descobrir quando o Google prefere ranquear uma página de categoria e quando prefere uma página de produto.
De acordo com o estudo, as páginas de categoria recebem mais cliques da pesquisa orgânica do que as páginas de produto na maioria das lojas analisadas. Mas há outros achados interessantes, principalmente sobre o tipo de busca, a influência das pesquisas pela marca e como esses dados ajudam a definir prioridades de SEO.
A análise foi feita com dados do Google Search Console de 100 lojas virtuais de diferentes segmentos. Infelizmente, não foram especificados os países de origem das lojas, mas os resultados oferecem referências que também podem ajudar o trabalho de SEO no Brasil.
A seguir, eu te explico mais sobre essa análise e os principais resultados encontrados.
Foram analisados dados de 100 lojas virtuais e 14,9 milhões de cliques provenientes da pesquisa do Google, referentes ao período de outubro de 2025 a outubro de 2026.
As lojas vendiam diferentes tipos de produtos. O objetivo era entender como os cliques se distribuem entre dois tipos de página:
Os autores da pesquisa também analisaram mais de 12 mil consultas nas quais páginas de categoria e de produto da mesma loja disputavam visibilidade.
O primeiro achado é que as páginas de categoria receberam aproximadamente dois terços dos cliques orgânicos nas lojas analisadas, apesar de haver muito mais páginas de produto nos sites.

Entretanto, o resultado não foi igual para todas as lojas:
A segunda parte da análise investiga o comportamento do Google quando os dois tipos de página disputam visibilidade para a mesma consulta.
Para isso, o estudo identificou mais de 12 mil consultas nas quais o Google exibiu páginas de categoria e de produto de uma mesma loja. Ele excluiu as buscas pela marca e os erros de grafia de nomes de marcas.
Os resultados apontaram três tendências.
Em 61% das consultas analisadas, o Google exibiu páginas de categoria com mais frequência do que páginas de produto. Considerando a média dos resultados individuais das lojas, essa proporção chegou a 66%.
Isso reforça a tendência identificada na distribuição de cliques: as categorias costumam ter um papel importante na visibilidade orgânica dos e-commerces.
Mas há exceções. Em duas lojas, uma marca de moda e uma varejista de skate e calçados, as páginas de produto apareceram com mais frequência do que as categorias nas consultas disputadas.
A pesquisa também mostrou que as páginas de categoria tinham uma vantagem ainda maior nas buscas com maior volume de impressões.

Em todas as lojas da amostra, as consultas com mais de 10 mil impressões ao longo do ano favoreceram as páginas de categoria mais do que a média geral de cada site. A diferença média foi de 13%.
Em uma loja de móveis, por exemplo, 94% das consultas de maior demanda favoreceram páginas de categoria, em comparação com 67% no resultado geral.
Uma recomendação comum de SEO para e-commerce é trabalhar páginas de categoria para pesquisas mais amplas, geralmente formuladas no plural, e páginas de produto para buscas específicas, frequentemente formuladas no singular.
A análise encontrou uma diferença entre esses padrões, mas ela foi menor do que a regra tradicional poderia sugerir.
As buscas no plural favoreceram páginas de categoria por uma diferença média de 7% em cada site. Mesmo assim, as páginas de categoria apareceram com mais frequência em 60% das buscas no singular.
Portanto, não basta olhar para a forma como a consulta foi escrita para decidir qual página deveria aparecer nos resultados (até porque já faz tempo que o Google olha para o significado do termo, e não para o texto exato que foi escrito). A intenção da busca e a possibilidade de o consumidor estar procurando um item específico ou escolhendo entre diferentes opções podem ser pistas mais úteis.
Para aprofundar a questão, a pesquisa olhou para consultas individuais das lojas analisadas. A partir daí, foi possível visualizar exemplos que ajudam a entender qual o objetivo do google quando escolhe uma página para exibir:
| Consulta | Página que tende a aparecer | Motivo (de acordo com a pesquisa) |
| Bike lights (luzes para bicicletas) | Categoria | A busca pode ser atendida por diferentes produtos |
| Frog light (nome de um produto) | Produto | A consulta identifica um item específico |
| Wedding dresses (vestidos de noiva) | Categoria | A pessoa ainda pode escolher entre diferentes modelos |
| Brown bridesmaid dress (vestido marrom para madrinhas) | Produto | A consulta pode corresponder a um item específico do catálogo |
| Nike ACG | Categoria | A busca se refere a uma linha de produtos |
| Nike Dunk | Produto | A busca identifica um modelo específico |
A pesquisa também cita um exemplo de uma loja de móveis: a pesquisa por oak dining table (mesa de jantar de carvalho) favoreceu a página de categoria, enquanto 100 cm round dining table (mesa de jantar redonda de 100 cm) favoreceu uma página de produto.
A partir desses casos, é possível ver um padrão:
No estudo foram identificados três perfis de demanda entre as lojas analisadas. A diferença aqui está no tipo de catálogo e no comportamento de quem pesquisa:
Inclusive, ao excluir as buscas pela marca, identificou mudanças significativas em algumas lojas. Em uma marca de moda, por exemplo, a participação das páginas de categoria nos cliques caiu de 72,1% para 11%. Já em uma varejista de utensílios de cozinha, o movimento foi inverso: a proporção subiu de 33,6% para 72,7%.
Apesar dessas variações, a média geral mudou pouco, passando de 69,2% para 68,7%. Os resultados mostram que as buscas pela marca podem distorcer a percepção sobre quais páginas atraem mais visitantes.
Os autores do estudo propõem um processo para aplicar os aprendizados do estudo:
A proposta é usar os dados do próprio site para identificar quais páginas merecem mais atenção, em vez de aplicar regras genéricas a todo o catálogo. Assim, você pode direcionar esforços para as páginas com maior potencial de atrair visitantes e atender à intenção de busca dos consumidores.
O estudo também foi atrás para saber se as lojas com mais páginas de categoria recebiam uma parcela maior dos cliques orgânicos. E o resultado foi negativo: ter mais páginas de categoria não significava conquistar uma participação maior dos cliques.
Na análise, uma loja com 33 páginas de categoria recebeu, em média, mais de 340 cliques por página ao longo do ano. Já outra, com mais de 29 mil páginas de categoria, recebeu menos de quatro cliques por página, em média.
Uma das explicações apontadas é a existência de páginas geradas automaticamente por filtros e combinações de atributos dos produtos. Essas URLs aumentam a quantidade de páginas sem necessariamente corresponder a novas oportunidades de busca.
Em outras palavras, criar mais páginas não aumenta automaticamente a demanda. Pode apenas distribuir os cliques existentes entre um número maior de URLs.
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