Os agentes de IA leem representações das informações do seu site. Para que eles possam executar tarefas, essa representação precisa estar clara e bem definida, por meio de algumas boas práticas técnicas de UX e desenvolvimento web.
Veja como fazer isso, com base na recente documentação do Google e em um guia publicado pelo engenheiro Addy Osmani, que cobrimos na newsletter da SHH.
Como funcionam os agentes de IA?
Agentes de IA são sistemas capazes de realizar ações por um humano. Eles analisam contexto, “raciocinam” e executam tarefas.
Um agente pode ler e-mails, montar playlists, comparar o preço de produtos em um site, finalizar uma compra ou preencher um formulário. É essa tecnologia que está por trás de checkouts autônomos e navegadores de IA.
Supostamente, o futuro da internet será mediado pelos agentes. É a chamada “agentic web”, ou internet agêntica:
Sundar Pichai, CEO do Google, disse que em breve o buscador será um “gerenciador de agentes”;
Mike King, da agência iPullRank, trouxe a web agêntica como uma nova fase de navegação, no SEO Week.
Como os agentes de IA leem a web?
Os agentes de IA interagem com as páginas de forma diferente dos humanos. Muitos elementos que importam para nós são ignorados pelas IAs. E, da mesma forma, elementos técnicos imperceptíveis para humanos facilitam a compreensão pelos agentes.
Leitores humanos: clicam, rolam a página até os pontos de interesse, escaneiam os títulos, podem seguir alguns links internos e passam em média alguns minutos na página. Fatores como layout, CTA e UX podem influenciar o comportamento;
Agentes de IA: comprimem a navegação em uma ou duas requisições HTTP. Ou seja, em vez de percorrer a hierarquia de páginas, seguindo a jornada de navegação comum, os agentes recebem o conteúdo completo, processam e seguem para o próximo passo na execução da tarefa.
Hierarquia visual, storytelling, exemplos interativos e exploração desordenada de páginas são completamente ausentes das jornadas dos agentes.
Segundo o Google, há três formas principais pelas quais um agente pode visualizar uma página: via captura de tela, arquivo HTML, árvore de acessibilidade ou combinando todas.
Capturas de tela
O agente faz uma captura de tela da página renderizada e interpreta o que enxerga nela.
Os elementos visuais funcionam como pistas sobre a função da página. Por exemplo, um botão grande, em destaque, será mais importante para navegação do que um link no canto da tela.
É um método caro, em termos de computação. Portanto, raramente é usado como a forma primária de contato do agente com a página.
HTML
O agente analisa o DOM e lê o arquivo HTML. Ali, ele entende a arquitetura geral da página, quais atributos e classes estão presentes, entre outras informações.
Assim, consegue compreender a relação entre cada elemento. Por exemplo, se um botão com texto “comprar agora” estiver dentro de um contêiner de produto, significa que aquele botão serve para adquirir esse produto específico.
Árvore de acessibilidade
O agente acessa a árvore de acessibilidade da página. Ela é uma representação do que é mais importante dentro do DOM, como funções, nomes e estados de elementos interativos.
Isso gera uma versão “resumida” da página, com o conteúdo principal da página, mas sem o ruído visual do CSS.
A árvore de acessibilidade é normalmente usada em dispositivos de tecnologia assistiva (como leitores de tela), mas também traz benefícios para os agentes, que podem focar sua “atenção” à funcionalidade da página.
Modalidades combinadas
Isolados, os métodos têm falhas:
Se olhar apenas uma captura de tela, pode não entender qual a função de um botão;
Se olhar só o DOM, pode se confundir com um <div> genérico aplicado à página;
Mas se olhar ambos, ele terá um resumo semântico da página, que poderá ser comparado com a renderização visual para entender o layout mais profundamente.
Por isso, agentes geralmente combinam várias das modalidades acima.
Como criar sites compatíveis com agentes de IA?
Para quem está otimizando sites, o mais importante é oferecer clareza para os agentes. Quanto menos ambiguidade, mais simples a navegação para eles.
Antes de começar a ler a página, o agente precisa de permissão para acessá-la.
O arquivo robots.txt, velho conhecido de quem trabalha com SEO, gerencia essas permissões. Muitos agentes checam o documento para entender até onde podem ir.
O que você deve fazer: revisar as permissões do robots.txt e garantir que as partes importantes do site estão liberadas para rastreamento.
Addy Osmani sugere incluir também um arquivo llms.txt no seu site. Ele lista os conteúdos mais importantes do site, junto de um resumo curto sobre eles. Agentes podem consultá-los para descobrir mais páginas e ter mais detalhes sobre o que elas oferecem.
O que você deve fazer: criar um arquivo llms.txt, seguindo o guia da SHH. Para SEO, não há valor nenhum. Mas é aquele tipo de coisa que “não custa testar”, pois a implementação e a manutenção tendem a ser simples.
2. Visibilidade de ações
Quando um agente executa uma ação, ele precisa de um feedback de que funcionou. Sem isso, ele não sabe se deve continuar ou tentar de novo.
O que você deve fazer: garantir que toda ação seja refletida na tela. Por exemplo, ao finalizar uma ação, ter um botão que muda estado, uma mensagem de confirmação, carregamento de uma nova tela, entre outras.
3. Estabilidade visual
Ao navegar pela página, os agentes aprendem onde está cada elemento. Se os itens mudam de lugar constantemente, podem ficar confusos. Aliás, os seres humanos que acessam o seu site também!
O que você deve fazer: mantenha elementos-chave sempre na mesma posição. Por exemplo, os botões “comprar” e “adicionar ao carrinho” devem estar sempre no mesmo lugar do layout, em todas as suas páginas de produto.
O que você deve fazer: atente-se para a métrica de CLS (Cumulative Layout Shift) das Core Web Vitals e mantenha no mínimo possível.
4. Detectabilidade visual
Agentes analisam a página para identificar o que é clicável ou não. Portanto, elementos cobertos por outras camadas podem ser descartados, mesmo que teoricamente estejam detalhados no HTML.
O que você deve fazer: evitar sobreposições transparentes em elementos interativos, e garantir que todo elemento necessário para a jornada do usuário tenha área visível mínima de 8×8 pixels.
5. HTML semântico
Aplicar HTML semântico a uma página significa usar elementos que descrevem o significado do conteúdo, não apenas sua aparência.
O que você pode fazer: preferir tags como <button> e <a> para elementos interativos, em vez de <div> genérico. Se não for possível, adicionar atributos <role> e <tabindex> adequados. Por exemplo, <div role=”button”> para um botão.
Além disso, definir cursor:pointer no CSS, para indicar que o elemento executa alguma ação.
Por fim, adicione o atributo for para as tags <label>, pois elas explicam a finalidade do campo e do rótulo.
6. Estruturação de conteúdo
Assim como no SEO tradicional, uma estrutura de página simples e fácil de seguir facilita a leitura e o entendimento. Aqui, as otimizações para seres humanos também servem para os robôs.
O que você deve fazer: usar heading tags corretamente, sem pular; iniciar cada sessão com as informações importantes; usar formatação estruturada, como listas e tabelas; manter as informações essenciais para a jornada no topo de página, em destaque.
Também vale a pena se atentar para o tamanho das suas páginas (em tokens). Agentes de IA não têm capacidade infinita de raciocínio, se um documento for muito longo e complexo, eles podem truncar as informações, o que leva a uma representação incorreta da página.
O que você deve fazer: não encher linguiça! Evite texto, conteúdo multimídia e elementos de web design que não contribuem diretamente para a jornada do visitante.
Addy Osmani sugere também informar quantos tokens têm as suas páginas, ou no arquivo llms.txt, ou como resposta de cabeçalho HTTP. Conte os caracteres da página e divida por 4, para chegar a uma aproximação.
O protocolo WebMCP
O WebMCP é uma proposta de protocolo de comunicação entre agentes e sites. Seria como uma linguagem padronizada, que todos entendem, o que facilitaria a leitura de sites e a realização de tarefas.
É por meio desse tipo de protocolo que você pode conectar, por exemplo, o Ahrefs ao Claude.
O WebMCP é a proposta do Google para a comunicação de agentes de qualquer tipo com os sites, eliminando as ambiguidades e simplificando cada etapa de interpretação.
A imagem abaixo, de autoria do Semrush, explica resumidamente como funciona.
O WebMCP propõe duas APIs para agentes de navegadores:
API declarativa: executa ações que podem ser definidas em HTML;
API imperativa: detalha interações complexas e dinâmicas via JS.
Por enquanto, o WebMCP está sendo usado apenas para fins experimentais. Não é um protocolo “pronto”, amplamente usado. Então, não há nada a implementar ainda.
Testando se o seu site está otimizado para agentes de IA
A melhor forma de saber se o seu site está pronto para a “web agêntica” é pedir para uma IA realizar uma ação nas suas páginas.
Uma das formas mais simples de fazer é no modo agente do ChatGPT ou com algum navegador de IA, como o Comet. Simplesmente abra uma nova conversa e peça para o agente executar uma ação que seus clientes fazem no seu site.
Por exemplo, comparar preços, identificar a opção mais barata, preencher um formulário, ou solicitar contato. Dependendo da ação, o agente não conseguirá concluir, por limitações da própria tecnologia, como a impossibilidade de finalizar uma compra.
Mas o processo te dará uma visão geral de como a IA visualiza e interage com o seu site.
E, se você não ficar satisfeito com o resultado, entre em contato com a SEO Happy Hour. Nosso time é especialista no aspecto técnico e de conteúdo de sites e pode tornar sua marca mais visível para os agentes (e para os humanos também!).
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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