Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 01/10/2026
4 min de leitura
O AI Contribution Pilot é um programa em teste do Google que visa pagar sites que têm seus conteúdos utilizados para respostas de IA, seja no Gemini, Modo IA ou AI Overview.

Hoje em dia, o Google usa o conteúdo de sites de terceiros para compor suas respostas de IA sem qualquer remuneração. Inclusive, muitas vezes essas respostas entregam totalmente o ouro e o leitor não clica no site creditado na IA, derrubando o tráfego.
Este novo programa da big tech começou em abril, mas os detalhes sobre valores e funcionamento só surgiram agora, depois de uma reportagem da Digiday (que obteve acesso ao documento oficial e capturas de tela dos participantes do teste) sobre o tema.
Uma nova apuração do The Information, repercutida pelo Search Engine Land em 30/09/2026, trouxe os primeiros números concretos: cerca de 100 publishers participam do piloto, e os pagamentos são bem menores do que muita gente esperava.
A seguir, eu te conto mais sobre essa novidade.
O Google entrou em contato com diversas publishers (priorizando as de pequeno e médio porte) convidando-as para participar do programa. Uma vez convidada, a editora aceita os termos no Search Console.

Em seguida, o Google começa a identificar automaticamente quando o conteúdo de um site “contribui significativamente” para gerar respostas de IA. É preciso realmente influenciar a resposta gerada; não basta ser citado ou linkado depois.
O publisher recebe um widget com o nome do programa no dashboard do GSC, que vai mostrar:
Ainda no GSC, a editora pode incluir dados bancários para receber os pagamentos e acompanhar o status de transferências do Google para a conta.
Agora já temos algumas referências. Segundo o The Information, para vários blogs e sites de pequeno e médio porte, os pagamentos representam menos de 0,1% da receita publicitária.
Os valores variam bastante: um publisher que entrou há alguns meses recebeu entre US$ 50 mil e US$ 60 mil até agora, um valor que pesa pouco no negócio dele. Outro, que entrou no começo do programa, ganha mais de US$ 1 milhão por ano, o que já é uma fatia maior da receita.
Já sites menores ganharam menos de US$ 1.000 ao longo de vários meses. Vale lembrar que os números vêm de fontes anônimas, então ainda não há confirmação oficial do Google.
Os publishers ouvidos pelo The Information dizem que o valor muda de um mês para o outro, e o Google não explica o motivo. Também não se sabe se o cálculo considera impressões, cliques ou a proporção do conteúdo usada na resposta.
O Google não é um bom samaritano. Como a própria matéria da Digiday cita, esse programa tem mais a ver com riscos legais e regulatórios que a big tech pode enfrentar ou já está enfrentando do que com a vontade de ser justo com criadores de conteúdo.
Publishers estão processando OpenAI, Meta e outras empresas de IA por uso não autorizado de conteúdo. Os argumentos são: vocês usaram meu conteúdo sem permissão, lucraram com isso, e não recebemos compensação.
Se algum tribunal decidir que usar conteúdo alheio para compor respostas de IA é de fato uma violação, o Google teria que pagar indenizações retroativas.
Com o AI Contribution Pilot, a empresa tem uma defesa jurídica, porque mostra que ela está se esforçando de alguma maneira para remunerar os publishers.
Do ponto de vista regulatório é a mesma coisa. Governos e reguladores estão de olho em como grandes empresas de IA estão usando conteúdo jornalístico (inclusive aqui no Brasil). Agindo agora, mesmo de forma pequena, o Google tem uma justificativa que pode usar lá na frente.
E ainda tem a questão da imagem da big tech. Recentemente, grandes publishers ameaçaram bloquear totalmente o Google alegando que já não vale mais a pena aparecer nas buscas, já que o tráfego fica todo na SERP. Remunerando as editoras, o Google pode barganhar melhor a presença delas em seu buscador.
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