Fazer autopromoção pode aumentar a sua visibilidade nas IAs. Se você falar que é o “melhor” em alguma coisa, o ChatGPT e o Google podem acreditar e passar a te recomendar.
Essa estratégia está sendo amplamente usada nos EUA e aqui no Brasil. Resolvemos testar: tentamos convencer os chatbots a indicarem Rafael Simões, CEO da SEO Happy Hour, como o melhor especialista de SEO do Brasil.
Spoiler: até que deu certo! A visibilidade do Rafa aumentou em todas as IAs, mas não da mesma forma. Deixamos o experimento rodar por três meses e o posicionamento mudou bastante em cada plataforma.
Veja a seguir como essa estratégia funciona, e por que você deve ter MUITA cautela se quiser implementá-la.
A autopromoção dentro das estratégias de SEO
Você provavelmente já viu aqueles posts que são uma “lista de 10 melhores ferramentas”, sempre com o nome de quem publica em primeiro lugar. Talvez até já tenha escrito um desses.
São os posts de autopromoção. Sua função é posicionar uma marca dentro de um nicho ou segmento de mercado. Frequentemente, esses posts aparecem no top 1 orgânico e são citados pela IA.
Esse tipo de post é relativamente comum. Muitos deles são legítimos, apresentando comparações realmente justas. Mas, recentemente muitas empresas passaram a dizer que são os “melhores em X coisas” só para aparecer na IA.
Isso tem funcionado porque a IA ainda não consegue discernir os textos legítimos da autopromoção feita para manipular o algoritmo.
Há empresas que levam a estratégia muito longe. Nos EUA, há relatos de blogs com centenas de páginas nesse estilo publicadas. Também há quem aproveite as comparações para fazer parcerias, no estilo “me cita no seu artigo que eu cito você no meu”.
Esperar o texto ranquear. Em cerca de dois dias, virou top 1 para “melhor especialista em SEO”, “melhor especialista em SEO do Brasil”;
Comparar a visibilidade antes da publicação do texto, nos dias seguintes, e três meses depois. Pretendemos continuar analisando durante todo o ano.
Definimos como objetivo: fazer Rafael Simões ser mencionado em prompts que perguntam sobre “melhores especialistas de SEO do Brasil” e suas variações.
Por enquanto repetimos o prompt 70 vezes, somando todas as plataformas analisadas.
Antes do experimento, tínhamos o seguinte cenário:
Muita autoridade tópica construída. Ou seja, o Google confia no site da SHH quando o assunto é SEO;
Rafael Simões é um nome conhecido no mercado de SEO. Ele tem bastante autoridade, construída ao longo de mais de 10 anos de trajetória profissional;
Apesar disso, era uma presença esporádica nas listas. Aparecia às vezes nas AI Overviews, quase nunca em outras plataformas;
A presença dependia bastante de uma lista da Favikon, na qual o Rafa aparece em top 2. Se a lista é citada, o Rafa é mencionado.
Os resultados do teste
Depois que o texto ranqueou, conseguimos perceber um aumento nas menções para o Rafa. Esse comportamento se repetiu em todas as IAs, com algum grau de variação, e se manteve por meses.
Os resultados estão abaixos, dividindo da seguinte forma:
Primeiro conjunto de resultados, avaliado nas primeiras semanas depois do ranqueamento do texto;
Segundo conjunto de resultados, avaliado três meses depois de iniciarmos o experimento.
Para cada conjunto de resultados, apresentaremos uma visão geral do que ocorre em todas as IAs, depois os detalhes para as principais interfaces, comparando ChatGPT, AI Overviews e Modo IA.
Os primeiros dias do experimento
Nos primeiros dias, houve aumento de visibilidade em todas as plataformas. Testamos variações de prompts 25 vezes no espaço de uma semana, em aba anônima. Rafael Simões foi citado como melhor especialista de SEO em cerca de 45% deles. Antes, a presença era esporádica.
Observamos o seguinte:
Em todos os testes, as IAs citam artigos de lista como fontes. Provavelmente porque eles são um bom resultado para as subpesquisas realizadas durante o processo de query fan-out;
Nos primeiros dias do experimento, o nosso texto era mais citado. Conforme os dias foram passando, as IAs passaram a dar preferência a portais de maior renome, como Favikon e Pingback (ex-Rock Content);
As menções não foram unânimes. Ou seja, o nosso artigo de lista não foi “definitivo” para selecionar os candidatos a melhor especialista de SEO. Isso já era esperado, pois as IAs são inconsistentes para recomendar marcas;
Muitos concorrentes usam a mesma estratégia. Não vou citar nomes por questão ética, mas analisando os prints (e testando outros prompts) você vai perceber que muitos sites grandes adotam a mesma estratégia há muito tempo.
Agora, vamos ver alguns resultados em IAs específicas.
AI Overviews
Vimos maior volatilidade nas AI Overviews. Nosso artigo raramente foi citado entre as três principais fontes do resumo, mesmo estando no top 1 orgânico durante todo o período.
Nos primeiros três dias após a publicação, Rafael era mencionado mais vezes. Com o passar dos dias, foi diminuindo, à medida que o Google preferia citar URLs mais estabelecidas, postadas em 2025.
Modo IA
No Modo IA, o nosso artigo foi citado de forma mais consistente, muitas vezes como o primeiro resultado.
Por consequência, o nome do Rafael também aparece mais, inclusive em prompts conversacionais.
ChatGPT
O ChatGPT foi a IA que mais confiou no nosso artigo. Nos primeiros dias após a publicação, ele era citado em mais da metade das respostas. Logo, o nome do Rafa aparecia em primeiro lugar nas listas.
Curiosamente, após uma segunda rodada de testes, percebemos que o ChatGPT passou a preferir os portais maiores, como a Favikon. Como o Rafa também foi citado lá, continua aparecendo.
Um detalhe é que Rayanne Batista também passou a ser citada, depois que a mencionamos no nosso artigo. Antes disso, ela aparecia bem menos nessas listas (mas não temos o número exato para comparar).
A visibilidade após três meses
Após três meses do nosso texto publicado, houve sumiço das AI Overviews, mas consolidação no Modo IA e no ChatGPT. De certo modo, o cenário ficou estável: Rafael Simões continuou sendo citado frequentemente, mas sem ser a fonte “definitiva” sobre SEO no Brasil.
Mas, curiosamente, houve mudanças de visibilidade entre as plataformas analisadas. Inicialmente, testamos 45 prompts, 15 em cada IA. Rafael Simões foi citado 30 vezes, nenhuma delas nas AI Overviews. Mas, dias depois desse teste, percebemos um retorno da visibilidade nas AI Overviews. Após o “apagão” inicial, recebemos 15 citações!
Observamos o seguinte cenário:
As listas de “melhores especialistas” seguiram sendo as principais referências. Ainda há autopromoções sendo citadas;
O texto da SHH virou a principal referência no ChatGPT e no Modo IA. Em todos os testes, apareceu no topo da lista de citações;
Rafael Simões se consolidou no top 3. Ele apareceu como segundo ou terceiro “melhor especialista” na maior parte dos testes;
Concorrentes estão seguindo com a estratégia de autopromoção, mas os resultados variam, principalmente nas AI Overviews.
Ou seja, não mudou tanto assim. A principal surpresa foi a queda de visibilidade nas AI Overviews e o crescimento nas demais IAs. Veja os detalhes sobre cada uma.
AI Overviews
Após três meses, Rafael Simões desapareceu completamente das AI Overviews. Nosso artigo deixou de ser citado como fonte e apenas os concorrentes aparecem no resumo.
Os posts citados são uma combinação de artigos de autopromoção e listas externas, publicadas por portais de alta autoridade, como Leadster e Favikon. Rafael Simões aparece em um número menor de listas.
Curiosamente, nosso post continua sendo o primeiro nos resultados orgânicos, mas isso não foi o suficiente para gerar uma citação.
Atualização: literalmente um dia depois de atualizar esse texto, pesquisamos o prompt sem pretensão nenhuma… E voltou a aparecer nas AI Overviews. Rodamos o teste em aba anônima e recebemos 15 citações, em 15 tentativas!
Modo IA
Depois do sumiço nas AI Overviews, imaginamos que o mesmo aconteceria no Modo IA. No entanto, nossos testes mostraram o contrário: 100% de visibilidade.
Aparentemente, na análise feita pelo Modo IA, nosso artigo é altamente relevante, assim como os nomes que citamos lá.
Geralmente, as respostas do Modo IA são organizadas em categorias, como “líderes das maiores agências”, “referências técnicas”, entre outras. Rafael Simões aparece como melhor em características como “Inovação”, “IA”, “SEO internacional”, “SEO estratégico”, entre outros.
Faz sentido, já que não trabalhamos tanto assim o branding da SHH, nem fazemos artigos de autopromoção para ela. Há (muitos) concorrentes fazendo.
ChatGPT
O ChatGPT foi outra grande surpresa. Em nossa primeira análise, nosso artigo perdeu espaço para portais de maior autoridade. Mas, quando testamos de novo, foi a fonte absoluta, assim como ocorreu no Modo IA.
Aqui, a lista de especialistas quase sempre é sequencial, sem divisão por categorias dentro da resposta. Rafael Simões costuma aparecer no top 2 ou 3.
Também foi possível perceber o Reddit como uma fonte influente. Um de nossos concorrentes, Rodolfo Sabino, tem menções orgânicas lá e tornou-se figura frequente nas respostas.
Por que o resultado varia tanto nas AI Overviews, Modo IA e ChatGPT?
É difícil afirmar porque o resultado é tão diferente nas três IAs. Mas temos algumas hipóteses sobre a queda nas AI Overviews:
O Google está mais atento às tentativas de manipular as AI Overviews;
As duas primeiras teorias são as mais fortes. Isso porque as AI Overviews são uma das interfaces mais visadas para spam, pois aparecem no topo da página.
Recentemente, o Google esclareceu que as suas políticas de spam também se aplicam aos resumos. A autopromoção pode ser considerada uma técnica “suspeita”, para dizer o mínimo, e estava causando problemas nos EUA. Logo, é possível que tenha sido feito um ajuste específico para essa interface.
Se fosse um problema de clareza no texto, possivelmente também não apareceria no Modo IA. Mas é impossível dizer com certeza sem uma análise (muito) mais aprofundada.
Conclusão: vale a pena fazer autopromoção para aparecer na IA?
Apesar dos resultados positivos, essa estratégia requer muita cautela. O nosso experimento não pode simplesmente ser replicado em qualquer site, menos ainda escalado de qualquer maneira.
É importante se atentar para o seguinte:
Não é fácil aparecer para todos os termos;
A autopromoção é um “atalho”, não uma estratégia de longo prazo;
Não tem muito como fugir da inconsistência das IAs;
Essa visibilidade nem sempre se traduz em retorno financeiro real.
Como sempre falamos aqui, o sucesso de longo prazo é sempre a meta. Os nossos melhores resultados de marca são com o podcast da SHH. Ele é praticamente sempre citado como o melhor, mesmo quando o nosso site não é citado diretamente.
Desde que começou a ser publicado, o podcast se tornou um recurso relevante para a comunidade brasileira de SEO. As IAs identificam esses sinais e reconhecem o podcast como um dos principais.
Spam de autopromoção
Um dos maiores riscos associados à estratégia é o risco de spam. Como você pode imaginar, depois que as pessoas viram que a autopromoção dá certo, muitos sites passaram a abusar da estratégia. Alguns portais têm centenas de artigos falando que são os melhores em suas áreas.
A especialista em SEO Lily Ray publicou uma excelente newsletter contando que o Google parece estar punindo o spam de autopromoção nos EUA. Ela analisou o tráfego de diversos sites que adotam a estratégia e identificou quedas desde as últimas atualizações do algoritmo.
O gráfico abaixo é de um site que perdeu cerca de 77% da visibilidade desde janeiro de 2026.
Na visão da especialista, os posts de autopromoção estão em uma “área cinzenta” do SEO. Ou seja, não é literalmente spam, mas também não é uma tática honesta, pelas seguintes razões:
O conteúdo das listas não proporciona informações novas ou análises originais. A fala de “eu sou o melhor” é feita sem uma análise consistente ou comparação real entre todos da lista;
Os títulos dessas listas induzem ao erro. Eles sugerem que a lista é objetiva, o que está longe de ser o caso – muitas vezes, as empresas citam literalmente quem querem, ocultando de propósito nomes relevantes do mercado para tentar fortalecer as suas posições;
As listas não inspiram confiança. Na maioria delas, não há dados concretos, ou qualquer indicativo de que alguém realmente testou todos os produtos/marcas listados.
Na teoria, não era para esses tipos de artigos ranquearem tão bem. Se a análise de Lily Ray estiver correta, o Google está justamente corrigindo a rota agora no início de 2026.
Logo, é complicado recomendar essa estratégia para alguém. Se você quiser testar, faça com muita cautela. Aqui na SHH, foi literalmente apenas um teste – fizemos com a consciência de que nos próximos meses o algoritmo pode mudar e nos punir.
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Para desenvolver estratégias que realmente funcionem no longo prazo, entre em contato com a SEO Happy Hour. Ajudamos empresas médias e grandes a aumentar sua visibilidade, com estratégias que sobrevivem às atualizações do Google e às mudanças causadas pelas buscas por IA.
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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