Redação otimizada para IA é a criação de conteúdos que as máquinas consigam ler, interpretar e usar.
É um conceito bem novo, que literalmente não existia até 2023, quando o ChatGPT começou a pesquisar na web.
Parece bastante com a redação otimizada para SEO, mas com algumas mudanças importantes, que tornam o texto mais (ou menos) entendível durante o rastreamento das IAs:
- Não usa palavras-chave;
- O objetivo é estruturar informação;
- Tem muito foco na clareza das frases;
- Não tem espaço para clickbait.
Hoje você verá as principais boas práticas, com base na análise de Ramon Eijkemans, e nas observações da equipe da SHH. Mas, antes disso, vamos falar sobre a teoria por trás disso tudo, como as IAs interpretam informações e de quais formas isso influencia o jeito de escrever.
👉 Se você quer ir direto ao ponto, para as dicas práticas: leia nosso guia com 6 ações para otimizar seu conteúdo para IA.
Existe mesmo uma redação otimizada para IA?
A questão da “otimização para IA” é mais complicada do que parece. Isso porque, em grande parte, LLMs usam os buscadores tradicionais para acessar informação.
Este post do LinkedIn, da especialista em IA Britney Muller, é provavelmente um dos melhores resumos sobre o assunto. Vou traduzir:
“Os LLMs favorecem conteúdos que fazem X” não é verdade!
LLMs não favorecem nada. Eles não são sistemas de recuperação de informação; são preditores do próximo token. Eles adivinham a resposta estatisticamente mais provável com base em padrões nos dados de treinamento.
A camada de mecanismo de busca acoplada por meio do RAG? Isso é IR (Recuperação de Informação)! O modelo LLM básico? Nem de longe.
Durante o treinamento, os LLMs processam textos de toda a web, mas não registram URLs, não armazenam fontes nem lembram de onde as informações vieram. O que resta é um instantâneo estatístico congelado (Gao et al., 2023). Não é um índice. Não é um banco de dados.
Os mecanismos de busca fazem o rastreamento, a indexação e a recuperação. Os LLMs dependem fortemente deles para exibir informações em tempo real (porque, por si sós, não conseguem)”.
Isto é, a “redação otimizada para IA” é indireta. Você não escreve para receber mais citações ou para aparecer mais, da mesma forma que ocorre no SEO tradicional. Você escreve para, quando a IA acessar sua página via um buscador, ela entender como e quando usar as informações que estão lá dentro.
Como as IAs leem texto?
As IAs não leem da mesma forma que os seres humanos. Não começam de cima para baixo, lendo palavra por palavra e analisando o significado de cada frase.
Elas acessam as páginas para concluir uma tarefa, como resumir um documento ou explicar um conceito. O seu objetivo é extrair dali as informações necessárias para formular uma resposta, e nada mais.
Nesse processo, alguns elementos clássicos da boa redação, como narrativa, storytelling e conexão pessoal, se perdem. Ao menos, em teoria, já que o processo de “leitura” da IA prioriza outros fatores.
Entre os elementos de processamento de texto das IAs, podemos destacar:
- Tokenização: é a transformação de palavras, frases e parágrafos em pequenas unidades de sentido;
- Chunking: é a quebra de páginas em blocos e passagens que podem ser interpretadas isoladamente;
- Triplo semântico: é uma estrutura simples de informação, composta por entidade + relação + atributo ( como “A SEO Happy Hour é uma agência de SEO”);
- Mapeamento de entidades: é o processo de entender quais são os conceitos por trás das palavras, mesmo quando a semântica é a mesma (por exemplo, diferenciando “chaves” de abrir portas e “Chaves”, o do barril);
- Lematização: é o processo de converter palavras em suas estruturas-base (“correr” e “correndo” viram “corr”);
- Extração de palavras-chave: identificar as palavras e expressões mais importantes de um texto, centrais para o seu entendimento;
- Vetorização: a transformação de unidades de sentido em sequências numéricas, que podem ser comparadas.
Em SEO, esse processo todo faz parte de um fluxo maior, no qual as IAs pesquisam na web. Quando precisam consultar um índice externo, elas recorrem aos buscadores, rastreiam páginas em tempo real, extraem passagens de texto e geram uma resposta final.
A otimização de textos para IA consiste em gerar fragmentos “usáveis”.
IAs não usam todo o conteúdo de uma página
Um reflexo do processamento de texto das IAs é que, quando acessam as páginas, selecionam e citam apenas pequenos fragmentos.
Os números não são exatos e variam de acordo com cada modelo. O especialista em SEO Dan Petrovic analisou o Gemini e identificou que há uma “cota” de cerca de 2000 palavras que são interpretadas sempre que o modelo pesquisa algo na web.
Isto é, o Gemini lê e interpreta cerca de 2000 palavras, somando todos os sites consultados. Quem está melhor ranqueado, é mais lido, possivelmente por ser considerado mais relevante.
Em média, esta é a relação de quantas palavras de cada texto são usadas pela IA:
Ou seja, apenas aquilo que realmente importa é extraído da página. Todas as outras palavras são importantes para os humanos, mas não para a máquina.
Entidades e palavras-chave
Outro reflexo interessante é a como a IA (e também buscadores) entendem os conceitos pesquisados.
É por meio de entidades presentes nos textos, não palavras-chave.
Uma entidade é qualquer coisa única e distinguível no mundo, como um filme, local ou cidade. Quando um buscador detecta uma entidade, ele entende que o usuário está falando de algo específico. Por exemplo, que a Estátua da Liberdade é aquela, de Nova Iorque, não algum monumento no bairro de São Paulo.
Já a palavra-chave é o termo que alguém pesquisa no Google, uma sequência de palavras exata, como “onde fica a Estátua da Liberdade?”.
Você não precisa incluir a frase “onde fica a Estátua da Liberdade?” várias vezes no texto. A frequência do termo não fará com que a página seja considerada mais relevante. Basta dizer que “A Estátua da Liberdade fica em Nova Iorque” e o sistema entende.
Palavras-chave ainda têm espaço em SEO, mas se basear apenas nela para otimizar textos é um erro, quando pensamos exclusivamente na IA.
O desafio: ser útil para máquinas e humanos
A extração de passagens é apenas parte do quebra-cabeça da otimização para IA.
Se isso fosse tudo, bastaria criar páginas puramente técnicas, curtas e escritas com linguagem direta.
Mas, para chegar ao estágio de seleção de passagens, é necessário atender a uma série de outros pré-requisitos de SEO, tanto técnicos, quanto do ponto de vista de conteúdo e redação mesmo, como:
Tendo isso, teoricamente o conteúdo tem tudo para ranquear. E, se gerar sinais positivos de engajamento (com humanos), tende a permanecer em boas posições nos índices dos buscadores. A partir daí, torna-se elegível para a extração de passagens.
E, deste ponto em diante, entra a questão de tornar-se útil para as máquinas. A página deve ser repleta de informações relevantes, que a IA de fato possa usar para responder a um determinado prompt.
Como otimizar o seu texto para receber citações?
Para aumentar as chances de ser citado, o seu texto deve ser claro, direto, bem estruturado e transmitir autoridade.
Ramon Eijkemans traz a proposta de estruturar o texto da mesma forma que você faria com o Schema Markup, mas dentro da página mesmo, com linguagem natural.
Os dados estruturados são um formato naturalmente legível para máquinas, em que você expressa informações de forma direta e inequívoca. A ideia é fazer o mesmo nas suas páginas, evitando passagens rasas, dúbias, ou que só fazem sentido em relação ao contexto inteiro da página.
Os passos são:
- Deixar o seu melhor conteúdo em destaque na página;
- Pensar na utilidade do conteúdo;
- Criar frases autossuficientes
- Estabelecer relações entre entidades;
- Criar passagens diretamente citáveis;
- Evitar simplificações excessivas.
Essa proposição se alinha às diretrizes de big techs, como a Microsoft. Veja abaixo como aplicar.
1. Deixe seu melhor conteúdo em destaque na página
As frases mais importantes devem ser fáceis de encontrar. Por exemplo, logo no início do conteúdo, ou ao final, em seções de resumo.
Segundo uma pesquisa de Kevin Indig, quase metade das vezes o ChatGPT cita informações que estão na introdução de uma página.
No entanto, essas citações ocorrem quando a introdução é densa em informação. Ou seja, evite aquelas aberturas longas, que não dizem nada e servem só para atiçar a curiosidade do leitor. Use esse espaço para falar o que realmente importa.
Se a informação importante estiver enfiada só lá no final do texto, existe a chance de a IA passar direto.
2. Crie conteúdos úteis
O seu conteúdo deve ter clareza, utilidade e entregar algo a mais do que a concorrência. Isso aumenta as chances de você ser escolhido em vez de uma página genérica.
Geralmente, essa “utilidade” consiste em:
- Responder clara e diretamente o que as pessoas querem saber;
- Quando relevante, oferecer comparativos claros com os concorrentes;
- Incluir referências externas que embasem o conteúdo;
- Ter informações claras e precisas;
- Usar o formato certo de conteúdo (texto corrido, tabelas, gráficos).
Colocamos isso em prática aqui na SHH, no nosso experimento de autopromoção. Nós escrevemos um post falando que o Rafael Simões, CEO da SEO Happy Hour, é “o melhor especialista de SEO do Brasil” para ver se era possível influenciar a IA.
E foi – porque a estrutura do texto se alinha ao que a IA procura para responder a perguntas como “quem é o melhor SEO do Brasil?”:
- Tem uma resposta clara no topo da página – Rafael Simões;
- Tem uma explicação clara do porquê – experiência, qualificações técnicas;
- Uma lista de opções – apresentando os pontos fortes de cada um;
- Estrutura clara e direta – “Rafael Simões é o melhor, pois…”.
O mesmo vale para páginas que não descrevem claramente o que a empresa ou o produto faz.
Por exemplo, veja esse texto:
“Nossa plataforma de analytics transforma seus dados em insights acionáveis, permitindo que seu time decida melhor, mais rapidamente”.
Não fala absolutamente nada. Não há entidades, atributos claramente definidos, referências externas ou clareza. Logo, não há utilidade.
Uma versão reescrita seria:
“A [plataforma tal] acompanha o comportamento do usuário, oferece análise de funil, análises de cohort e testes A/B, com 20 milhões de eventos no plano gratuito”.
Depois disso sim vale falar quais são os benefícios do serviço.
3. Crie frases autossuficientes
Pense que as frases mais importantes do seu texto devem ser compreendidas isoladamente, mesmo se tiradas de contexto. Portanto, evite linguagem vaga e dúbia, e controle o uso dos pronomes demonstrativos – esse, isso, isto, etc.
É bem difícil de fazer na prática. Se você falar “isso e aquilo” o tempo todo, a legibilidade fica pior para as máquinas. Mas, se repetir o sujeito o tempo inteiro, fica um saco de ler pra um ser humano.
A solução está no equilíbrio e de usar a frase completa, com todas as entidades, atributos e relações que tiver direito, nos trechos que você considerar mais importantes. Os pronomes demonstrativos você deixa para as informações complementares.
Um exemplo, pra ficar mais fácil de entender:
“O [Hotel tal] é um dos mais procurados de Barcelona.
Ele fica em uma localização central e oferece excelentes opções de restaurantes. É uma opção bem popular durante a alta temporada, então agende com antecedência”.
Essa frase faz total sentido para um ser humano. Mas, para uma máquina, está cheia de sujeitos ocultos – quem é “ele”? O que “é”?
Uma versão reescrita ficaria:
“O [Hotel Tal], localizado a 200 metros do [ponto de referência tal], em Barcelona, é famoso pelos restaurantes A e B que servem comida espanhola clássica. As hospedagens no [Hotel Tal] custam de $200 euros (janeiro-março) a $400 euros (abril-maio), e costumam esgotar semanas antes das temporadas de férias na Europa”.
A versão reescrita evita ao máximo as frases e palavras que dependem de contextos específicos para fazer sentido.
4. Estabeleça relações entre entidades
Além de expressar entidades no seu texto, conecte-as de forma direta, estabelecendo com clareza as relações entre os conceitos.
Na dúvida, siga a estrutura clássica de sujeito, verbo e objeto – o triplo semântico.
“A SEO Happy Hour é uma agência de SEO que presta serviços de consultoria em SEO técnico, SEO on-page e conteúdo para e-commerces, publishers e empresas SaaS” é fácil de entender.
“Somos uma agência de SEO completa. Aqui na SHH, desenvolvemos estratégias omnichanel para empresas de todos os tipos” é difícil de entender.
As entidades estão ali, mas não estão claramente definidas, nem qual é a sua relação.
Na primeira frase, fica claro:
- O sujeito (Seo Happy Hour);
- A relação (é, presta serviço);
- O complemento (agência de SEO, quais áreas do SEO faz, quem atende).
Na segunda, tudo está muito vago. Se alguém perguntar “quais agências de SEO são especializadas em e-commerce?”, esse fragmento não será nem considerado para citação. O mesmo para prompts que envolvam SEO on-page ou técnico. E o que são “estratégias omnichannel”?
5. Crie passagens diretamente citáveis
Inclua ao menos uma frase que a IA possa citar diretamente.
A lógica é idêntica à otimização para snippets do SEO tradicional: você oferece uma resposta curta e direta para a pergunta que alguém está fazendo. Isso aumenta as chances de você ser selecionado.
Boas dicas para criar essas passagens citáveis, são:
- Use formatação estruturada (listas, tabelas, Q&A);
- Destaque uma ideia principal por seção, sinalizada por um bom subtítulo;
- Evite depender do contexto anterior, criando um trecho compreensível sozinho;
- Ofereça informações específicas no seu trecho;
- Evite generalizações.
6. Evite simplificações excessivas
Ser direto não é o mesmo que falar pouco. Se você for muito simplista, a IA conseguirá extrair a informação facilmente da página, mas pode ter dificuldades em identificar os melhores contextos para citá-las.
Fora que isso também prejudica a compreensão de quem está lendo.
Por exemplo, imagine a página de uma academia com a informação “planos a partir de R$X ao mês”.
Essa informação cumpre o prometido, falar quanto custa a academia. Mas que plano é esse? O que está incluso? “A partir” dá a entender que provavelmente vai custar mais caro… Mas quanto aumenta? E quais gatilhos fazem o preço subir?
Geralmente, redações assim são usadas quando a empresa por alguma razão não quer falar diretamente o preço. É uma falta de visibilidade que se reflete também na IA.
Redação otimizada para IA vs. redação otimizada para SEO
A boa redação funciona para a IA e também para os buscadores tradicionais. Não são disciplinas completamente diferentes, nem algo que você precisa estudar separadamente. Boa parte do que dá certo em um, dá certo no outro também.
Para mostrar como funciona, veja abaixo as dicas de redação SEO que a Karine e eu publicamos aqui no site da SHH em 2024. A maioria delas se alinha aos princípios gerais para IA também:
- Escreva com naturalidade, sem repetir palavras-chave desnecessariamente;
- Personalize o conteúdo, incluindo informações novas e originais;
- Use palavras e frases simples, para promover uma linguagem clara, direta e estruturada;
- Use parágrafos curtos para facilitar a compreensão;
- Atente-se para a intenção de busca, respondendo aquilo que o visitante espera encontrar na sua página;
- Otimize o texto para snippets, para aumentar as chances de ser considerado a resposta definitiva para certas perguntas;
- Responda perguntas diretamente, criando seções autossuficientes de página.
Resumindo: se você escreve bem, será tranquilo adaptar seu texto para as necessidades específicas de SEO e das IAs. E se já tem experiência em SEO, então, vai tirar de letra!
E, se precisar de apoio com o seu conteúdo, entre em contato com a SEO Happy Hour! Nossa equipe de SEO pode orientar o seu time de redação sobre as melhores práticas e auditar o seu conteúdo, para que ele apareça sempre em destaque no Google e nas IAs.
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