A consulta de preços é o maior desafio para os agentes de IA. Bastaria entregar a informação de forma direta, em formato legível por máquina, mas a maioria dos sites esconde os valores em locais inacessíveis para os bots.
Se a IA não conseguir ler o preço no site oficial, buscará fontes terceiras. Ou seja, a marca pesquisada perde o controle da informação e da própria narrativa, além de ficar sujeita a preços desatualizados.
A descoberta é de Kevin Indig, que estudou os obstáculos dos sites de empresas B2B. Ele selecionou 100 produtos e pediu que agentes listassem preços, funcionalidades, integrações e seguranças de cada um, sem indicar em qual página estavam as informações.
Veja a seguir as principais descobertas.
Por que o preço é a principal barreira?
Nem todos os sites divulgam abertamente o valor de seus serviços. Pode ser pela preferência em negociar individualmente, ocultar a informação de possíveis concorrentes, ou divulgar apenas para quem já se inscreveu em um plano gratuito.
Seja qual for a razão, isso gera um problema quando a IA está respondendo um prompt comercial, pois:
As empresas querem controlar o valor que aparece;
Os compradores querem uma resposta e comparação rápida;
A IA quer um valor citável e confiável.
É difícil satisfazer a todos. E, como resultado, há maior dificuldade em resolver tarefas relacionadas ao preço de produtos. O agente muitas vezes trava e precisa sair do site para encontrar uma resposta confiável.
O preço oculto é apenas parte do problema
Mesmo quando as empresas publicam o preço, o agente pode ter dificuldades em entender a informação. Nos testes feitos por Indig, em 18% dos sites o preço estava claro, mas a IA citou uma fonte terceira.
Ou seja, possivelmente o valor numérico estava lá, mas o agente não conseguiu interpretá-lo corretamente.
No caso das empresas B2B, existe a possibilidade do valor estar truncado, dentro de uma imagem, atrás de um botão “ver mais”, ou qualquer elemento que exige um clique para exibir o número. Páginas em JavaScript, como SPAs, comuns no modelo SaaS, acrescentam outra camada de complexidade.
As três barreiras mais comuns para os agentes de IA na leitura de preços
Há três problemas principais em relação aos preços:
A marca não divulga o valor: se a IA não encontrar uma informação consistente de preço, ela consulta um conjunto de sites terceiros;
O preço existe, mas não é extraível: o valor exato está lá, mas oculto por causa da estrutura de página, JavaScript, algum botão que exige ação, etc., tabela ambígua, entre outros;
Impossibilidade de acesso: o valor está em uma página que o agente não consegue acessar, como uma área logada ou bloqueada no robots.txt.
Rastreadores e agentes de IA buscam sempre o caminho mais rápido para solucionar uma tarefa. Eles precisam de informações confiáveis e que, de preferência, estejam claras e fáceis de acessar.
Qualquer obstáculo dificulta a tarefa. É a mesma lógica do SEO tradicional, com rastreadores que não executam ações como clicar em menus ou em botões para ver o conteúdo que está por trás do elemento.
As informações básicas dos produtos, como funcionalidades, perfis de clientes e diferencial, geralmente estão em texto, acessível via HTML. Já o preço, que é considerado uma informação sensível, não fica tão claro.
O que os agentes fazem quando não conseguem identificar o preço
Quando o agente se depara com uma dessas três barreiras, ele deixa o site da marca e pesquisa na web. É o que Kevin Indig chama de “rede reserva”, acionada quando uma fonte terceira é necessária para responder a um prompt.
Depender dessa rede reserva é arriscado, pois as informações estão fora do controle das marcas. Por exemplo, a IA pode encontrar preços antigos ou de planos que não são mais comercializados.
Para encontrar o preço, a IA consultará o rastro digital da marca. Ou seja, buscará a informação em conteúdo editorial, perfis em diretórios, blogs, guias, vídeos, lojas de aplicativos e até em documentações de parceiros.
Durante o estudo de Kevin Indig, 580 citações a preço vieram de sites terceiros. Veja em detalhes:
52% dos preços vieram de páginas de artigos, como blogs, guias, conteúdos explicativos e publicações na imprensa;
46% vieram de perfis de diretórios e sites de listas de softwares, muito comuns nos EUA, como G2 e Capterra;
2% vieram de ecossistemas maiores, como marketplaces e lojas de aplicativos.
Como otimizar o seu site para prompts comerciais
Para evitar os problemas com preço, você precisa derrubar as três barreiras de acesso. A forma mais fácil é simplesmente escrever o valor do produto na página, sem firulas.
Mas, como já vimos, nem sempre é possível. Se este é o caso da sua empresa, você pode testar as seguintes abordagens:
Para divulgar o valor:
Publique o preço de todos os planos;
Se for um preço personalizado, explique o que influencia o valor (número de colaboradores, limites de API, faturamento, etc.), em vez de usar frases genéricas como “solicite um orçamento”;
Crie uma página de “preços” e reúna todas as informações ali. Quando precisar fazer um link interno relacionado a preço, use sempre essa URL;
Se houver planos ou produtos legado, nomeie-os claramente.
Para tornar o conteúdo legível para máquinas:
Torne os preços disponíveis em HTML, em formato de texto;
Se houver mudança de preço com base no uso do serviço, explique em texto, não apenas em widgets de calculadoras;
Para possibilitar o acesso dos agentes:
Verifique se os crawlers de IA não estão bloqueados no robots.txt;
Mantenha sua página leve, se possível com o preço aparecendo mais ao topo da página.
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Mesmo as ações simples, como divulgar o preço de um produto, podem conter espaços para a otimização de sites. Para se manter atualizado sobre as melhores boas práticas de SEO para as IAs, acompanhe a SEO Happy Hour no Linkedin e inscreva-se em nossa newsletter!
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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