Rastro digital na IA: como o histórico da sua marca define sua visibilidade (e como auditar e influenciar)

Digital footprint, ou rastro digital, é todo o registro público deixado por alguém na internet. As IAs consultam essas informações para entender as marcas.

E, a partir dessa compreensão, geram respostas para perguntas como “tal marca vale a pena?”, “qual marca é melhor, X ou Y?” ou “produto tal atende às necessidades atuais da minha empresa?”.

Ou seja: se o seu rastro digital for confuso, ou tiver informações negativas, sua presença será pior.

Neste post, você aprenderá a mapear esse rastro e auditar a interpretação das IAs sobre a sua marca, com base no framework do especialista em SEO Rich Sanger.

Entendendo o rastro digital das marcas e sua relevância para SEO e IAs

O rastro digital (ou pegada digital) de uma marca é a soma de informações públicas sobre ela, presentes tanto nos materiais que ela própria posta, quanto no discurso público sobre a empresa, presente nas redes sociais, fóruns, YouTube, entre outros espaços.

Analisar essas informações permite entender quem é aquela marca. Qual público ela atinge, qual sua história, quais produtos oferece, onde se destaca, seus aspectos negativos, os seus casos de sucesso, entre outras.

Na busca com IA, o rastro digital é consumido a todo instante para gerar respostas com o objetivo de:

  • Resumir empresas;
  • Comparar produtos;
  • Recomendar as melhores opções;
  • Responder questões altamente específicas, cuja resposta não está em uma página específica, e sim na soma de várias informações espalhadas.

Antes de fazer tudo isso, a IA precisa entender as entidades (empresas, produtos, conceitos) que estão presentes no prompt. Há duas formas de fazer:

  • Dados de treinamento: IAs treinam em volumes massivos de informação, que incluem o rastro digital de marcas já estabelecidas (ou parte dele);
  • Rastreio em tempo real: a IA pesquisa na web para entender o que as pessoas estão falando sobre aquela marca.

É um processo muito diferente dos buscadores tradicionais. Historicamente, SEO era sobre otimizar o site, para ter páginas que respondem ao que o público-alvo está pesquisando. A “narrativa” da marca ficava sob os cuidados dos times de branding. 

Quais fontes de dados compõem o rastro digital na IA?

O site é a principal fonte de informações, mas é incapaz de trazer tudo o que importa sobre uma marca. 

Hoje, as principais fontes pesquisadas são: 

  • Perfil do Google Meu Negócio;
  • Reddit;
  • Yelp e G2 (EUA) ou Reclame Aqui (Brasil);
  • Wikipedia
  • Redes sociais (principalmente Tiktok, Instagram e LinkedIn);
  • YouTube;
  • Imprensa nacional 
  • Portais especializados em nichos (sites de finanças, decoração, esportes, etc).

A seleção de fontes e o peso de cada uma pode mudar de acordo com a empresa, mercado e modelo de IA. Por exemplo, nos EUA, são fortes os sites de diretórios como Yelp e G2. No Brasil, o equivalente é o Reclame Aqui. 

Rich Sanger classifica as fontes em quatro grupos: sinais de SEO, influenciados por consumidores, de terceiros, ou de ecossistema.

Sinais de SEO 

É como a própria empresa se descreve. 

Tudo o que diz respeito ao site e ao marketing da organização entra nesta categoria:

  • O domínio em si;
  • Páginas de E-E-A-T (sobre, perfis de autores, página sobre a equipe, etc.);
  • Conteúdo institucional (guias de produtos, documentações);
  • Páginas de produto e de categoria;
  • Dados estruturados (pois descrevem páginas e entidades em formato legível para máquinas);
  • Podcasts e newsletters próprios;
  • Canal do YouTube;
  • Perfis em redes sociais, como no Instagram, X e TikTok.

Sinais de clientes

É como os clientes descrevem a empresa. É uma categoria que está fora do controle da organização, pois depende diretamente da experiência em contratar o produto ou serviço.

Os principais exemplos são:

  • Avaliações de produtos;
  • Comentários em redes sociais e fóruns;
  • Histórico de reclamações em sites especializados, como o Reclame Aqui;
  • Estudos de caso bem documentados.

Aqui, temos uma mudança importante em relação ao SEO tradicional. Quando o site era praticamente a única preocupação, era fácil esconder sinais negativos da audiência. 

Hoje, as respostas da IA já tentam equilibrar o discurso marketeiro com a opinião real dos clientes. E, para isso, consulta o rastro digital da marca. Veja abaixo um exemplo de uma empresa paranaense: 

Captura de tela do ChatGPT, no qual a IA afirma que o discurso de marca (foco em excelência) se difere do que os clientes dizem sobre a marca (alguns falam de estabilidade, outros que o serviço piorou depois de privatização)

Sinais de terceiros

É como o mercado descreve a empresa. Diversos grupos de fontes podem ser consultados, dependendo do contexto do prompt e da marca pesquisada.

Os principais incluem:

  • Menções externas na imprensa;
  • Aparições em portais de nicho;
  • Presença em diretórios de negócios;
  • Artigos publicados em formato de guest post;
  • Participação em podcasts de terceiros.

Essa é uma camada de validação, consultada quando há baixa confiança nos sinais de SEO, ou quando é impossível extrair alguma informação dos canais oficiais da marca. 

Sinais de ecossistema

É como a empresa se conecta ao mercado onde está inserida. É outro sinal de validação, para entender se a empresa é, por exemplo, autoridade ou se ainda está ganhando espaço.

Podem ser:

  • Parcerias públicas;
  • Patrocínios;
  • Participação em conferências;
  • Publicação de artigos; 
  • Envolvimento geral com o nicho.

Em certos prompts, esses sinais têm bastante peso. Por exemplo, na query fan-out do ChatGPT para uma busca por “especialistas brasileiros de SEO”, a IA busca especificamente por esses dados:

A importância de cada sinal muda de acordo com a empresa

Esses sinais podem mudar de importância, dependendo da sua empresa. É natural, já que cada negócio deixa um tipo de rastro para trás, e cada rastro é lido diferentemente de acordo com a marca ou produto que precisa ser recomendado.

Por exemplo:

  • Para negócios locais, o Google Meu Negócio é o sinal mais relevante; 
  • Para prestadores de serviço, a reputação e as avaliações têm peso maior;
  • Para empresas SaaS e de tecnologia, integrações e casos de uso são mais valiosos;
  • Para e-commerces, avaliações e clareza nas descrições de produto são as mais importantes.

Comece pedindo para a IA explicar a sua empresa

O melhor jeito de analisar o seu rastro digital na IA é pedir para elas explicarem a sua marca. 

Você pode começar com esse prompt aqui (sugestão do Rich).

“Me diga tudo o que você sabe sobre [nome da sua empresa].

Inclua:

  • Quem eles são
  • O que eles fazem
  • Quem eles atendem
  • Onde eles operam
  • Quais produtos ou serviços eles oferecem
  • No que eles aparentam se especializar
  • Quais são os seus diferenciais dos competidores
  • Por que alguém escolheria o serviço deles
  • Quais evidências dão suporte a essas conclusões
  • Se há informações que parecem estar faltando, são contraditórias, desatualizadas ou pouco claras

Não assuma nada. Se a informação não puder ser verificada ou se você tiver pouca confiança, diga explicitamente”.

Ao analisar as respostas, atente-se para o seguinte:

  • A IA é genérica ou específica?
  • Ela só repete o que está no site, ou traz dados consistentes?
  • Descreve as suas áreas de expertise com consistência?

Esse tipo de análise será o início da sua auditoria.

Você verá que a IA é boa em descrever e resumir, mas não terá o mesmo nível de confiança para todas as informações. E, em muitos casos, perceberá que detalhes importantes para a resposta estarão ausentes. É nessas lacunas que o seu marketing deve atuar. 

Fiz um teste com a SEO Happy Hour e a IA repetiu exatamente o nosso discurso de vendas e sentiu confiança para recomendar a marca. No entanto, há brechas, como a falta de estudos de caso no site, inconsistência sobre a data de fundação da empresa em diferentes canais, falta de detalhes sobre a equipe de consultores, etc. 

Auditoria completa do rastro digital da sua marca

Rich Sanger sugere avaliar o rastro digital que alimenta as IAs a partir de seis dimensões:

  1. Identidade: é fácil entender quem você é e o que você faz?
  2. Diferenciação: por que algum cliente escolheria você em vez de um concorrente?
  3. Evidência: quais dados comprovam os fatos sobre a sua marca?
  4. Especialização: no que você é realmente conhecido?
  5. Consistência: os diferentes tipos de sinais se alinham?
  6. Relações: como sua marca se conecta ao mercado?

Dê uma pontuação de 1 a 5 para cada dimensão, com base na qualidade das respostas sobre ela. 0 significa “resposta ausente” ou “sem evidências”, e 5 significa “compreensão plena reforçada por fontes independentes”. 

1. Identidade

Em primeiro lugar, a IA deve ser capaz de identificar, reconhecer e resumir a sua empresa.

Pontos a observar:

  • Capacidade a IA explicar o que a empresa faz, quem são os principais clientes e como se posiciona no mercado;
  • Narrativa de marca consistente entre canais proprietários e terceiros.

Se estiver ruim:

  • Trabalhe a otimização da sua entidade. Ou seja, remova as ambiguidades que cercam a sua marca e ofereça informações de forma clara e estruturada;
  • Garanta que todos os seus canais apresentem e descrevam a marca da mesma forma. 

2. Diferenciação

Depois, a IA deve entender o que aquela marca tem de diferente.

Pontos a observar:

  • Características atribuídas à empresa (profissional, de alta qualidade, confiável, etc.);
  • Capacidade de listar serviços exclusivos;
  • Capacidade de descrever a diferença no seu posicionamento em relação aos seus concorrentes.

Se estiver ruim:

  • Liste claramente os seus diferenciais em páginas relevantes do seu site (como a página inicial, sobre ou serviços);
  • Verifique se há evidências que comprovem a existência desses diferenciais;
  • Inclua certificações relevantes (quando aplicável). 

3. Evidências

Verifique quais fontes são consultadas nas respostas e como elas influenciam as respostas. 

Pontos a observar: 

  • Verifique quais tipos de fontes são mencionadas: respostas em fóruns, avaliações públicas, perfil do Google Meu Negócio, etc.;
  • Quais tipos de referências estão ausentes, como estudos de caso detalhados, documentações, ou estatísticas de mercado;
  • No caso de sites grandes, com muitas páginas, quais seções/subdomínios são listados com mais frequência.

Se estiver ruim:

  • Adeque a sua linguagem ao que está presente nos sinais clientes/de terceiros;
  • Priorize a sua gestão de reputação, no caso de sinais negativos influenciando a resposta da IA;
  • Organize sua estratégia de conteúdo e de assessoria de imprensa para cobrir as lacunas importantes (se houver). 

4. Especialização

A maioria dos prompts nas IAs são longos e cheios de restrições. Por exemplo, em vez de pesquisar “melhor CRM”, provavelmente o seu público-alvo vai digitar algo como “qual o melhor CRM para a minha empresa? Temos 43 funcionários no momento e nosso orçamento permite pagar no máximo R$300 por mês”.

Você deve mapear em quais critérios você se encaixa ou quer se encaixar. E, para eles, verificar se a representação está adequada.

Pontos a observar:

  • Serviços ou diferenciais que aparecem em diversas fontes citadas na resposta; 
  • Setores ou nichos mencionados como seus “clientes em potencial”;
  • Grau de alinhamento entre o que a empresa declara sobre si e o que o ecossistema reforça de forma independente; 

Se estiver ruim:

  • Concentre seus esforços de produção de conteúdo e assessoria de imprensa nos temas e públicos para os quais você quer se tornar reconhecido;
  • Nas áreas onde você não tem autoridade, monte uma lista de possíveis referências que podem vir a se tornar evidências citadas no futuro;
  • Reforce, quando possível, a expertise já validada por fontes externas.

5. Consistência

Todas as fontes devem contar a mesma história sobre a sua marca, reforçando os pontos fortes que você quer destacar.

Pontos a observar:

  • A consistência das diferentes fontes consultadas pela IA;
  • Se os fatos destacados nessas fontes contribuem com a imagem que a sua marca quer transmitir.

Se estiver ruim:

  • Audite os seus canais proprietários e revise as informações principais no site, redes sociais e demais perfis públicos, para que todos digam a mesma coisa; 
  • Reforce no seu site os pontos positivos frequentemente citados em avaliações, e ofereça contrapontos aos negativos;
  • Corrija ou atualize informações antigas que ainda circulam, como posts antigos de redes sociais ou menções em notícias.

Nota: não atente tanto para as inconsistências individuais. É praticamente impossível ter um discurso totalmente homogêneo. Seu objetivo aqui é identificar e corrigir padrões. 

6. Relações

Por fim, as IAs também leem o mercado que está em volta da sua marca, incluindo as suas relações com competidores e com empresas terceiras relevantes. 

Pontos a observar:

  • Menção a parcerias e certificações relevantes;
  • Listagem de participações em eventos, conferências e podcasts.

Se estiver ruim:

  • Reforce os elementos de autoridade de marca dentro do seu site;
  • Participe ativamente de atividades de networking dentro do seu segmento de mercado;
  • Fortaleça suas estratégias para conquistar menções orgânicas na web.

Comece a otimizar o seu site

Após fazer a auditoria, você deve começar a otimizar os sinais que você controla, e mapear o discurso dos sinais externos. 

Os passos básicos são:

  • Iniciar pela otimização (SEO) do seu site;
  • Comparar o site com os seus perfis públicos (principalmente redes sociais e Google Meu Negócio);
  • Mapear os padrões nas suas avaliações;
  • Construir fontes de validação independentes (menções externas).

As ações são relativamente simples. Você precisa garantir que todos os canais falem mais ou menos a mesma coisa. A mensagem deve ser adaptada para cada público, mas a ideia é que o “núcleo” seja sempre o mesmo e alinhado com o que você deseja transmitir. 

Sem esse equilíbrio, pode haver distorções da identidade de marca, que prejudicam a sua visibilidade.

Para os sinais que você pode controlar (site, redes sociais), você deve definir a narrativa da sua marca, qual discurso você quer passar e qual público-alvo quer atingir. Esses elementos devem ser desmembrados em toda a sua comunicação.

Exemplo simples: se o seu público prioritário é de executivos, adianta pouco você aparecer na imprensa especializada dando dicas para iniciantes. Essas menções terão seu valor, mas não contribuirão de forma positiva com a sua identidade de marca.

Para os sinais que você não pode controlar (discurso de clientes e de fontes externas), você deve identificar os padrões e atuar para reforçá-los ou corrigi-los. 

Identifique quais temas aparecem mais, quais serviços são mencionados, quais são as suas forças na visão do público e do mercado e quais palavras são mais usadas. A IA pode te ajudar nesse mapeamento. A partir daí, defina o que é necessário: fazer gestão de reputação, publicar conteúdo fortalecendo a sua mensagem, entrar em contato para corrigir notícias antigas, etc. É difícil dar um direcionamento porque varia de acordo com cada caso.

Para reforçar seu posicionamento no mercado, trabalhe o seu posicionamento em canais públicos. É basicamente o co-marketing e a assessoria de imprensa, que antigamente ocupavam lugares totalmente separados de SEO.

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Se a IA não consegue entender a sua marca, dificilmente a sua audiência conseguirá. E, quando isso ocorre, todas as áreas do seu marketing perdem força, inclusive o SEO.

Para tornar sua marca mais clara e visível no ecossistema de IA, entre em contato com a SEO Happy Hour!

  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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