O ChatGPT não adiciona mais UTM e nem referrer para as URLs citadas no modelo GPT-6. Portanto, é praticamente impossível saber quanto o assistente de IA contribui para o seu tráfego orgânico, pois os cliques serão contabilizados como direto ou não atribuído no GA4 e em outras ferramentas de analytics.
Especialistas em SEO descobriram o problema no início de outubro, assim que o novo modelo foi lançado. Cedric Huesler, da Adobe, publicou uma análise sobre o caso no LinkedIn.
Testei aqui no Brasil e realmente não há nenhum identificador de cliques. Ainda não sabemos se foi um bug (já aconteceu outras vezes) ou se esse é o comportamento esperado.
Como funcionam as UTMs e referenciadores em links?
Hoje, há duas formas principais de identificar a origem de um clique: com UTMs e referenciadores (ou referrers).
A UTM é um parâmetro adicionado a uma URL, para identificar canais de marketing, campanhas, testes AB, entre outras variáveis. No modelo GPT 5.6 e anteriores, o ChatGPT indicava claramente a UTM no seguinte formato:
- www.site.com?utm_source=chatgpt.com
Todo link citado nas respostas vinha assim. Portanto, era fácil contabilizar o clique nos analytics do seu site.
Já o referenciador é um cabeçalho http (referer) enviado pelo navegador no momento em que o usuário clica em um link. Ele informa a URL da página de onde o clique partiu, ou seja, a origem da visita.
As plataformas podem adicionar o atributo rel=noreferrer nos seus links. Com isso, o navegador deixa de enviar o cabeçalho, o que torna mais difícil determinar a origem do tráfego. É isso que o ChatGPT está fazendo.
O que mudou na atualização do ChatGPT em outubro
O ChatGPT removeu as UTMs e adicionou noreferrer em todos os links citados.
Eles são entregues com as seguintes configurações: window(.)open(url, “_blank”, “noopener,noreferrer”.
Se você quiser testar aí no seu ChatGPT:
- Abra uma nova conversa;
- Faça uma pergunta que exija pesquisa na web em tempo real;
- Passe o mouse por cima de uma URL citada. Você verá o link limpo, sem parâmetros (campos iniciados por ? na URL);
- Abra o Chrome DevTools (botão direito > inspecionar);
- Aperte CTRL F e digite “noreferrer”;
- Verifique o código das URLs citadas na resposta.
Cedric Huesler fez um teste rápido para identificar o impacto dessa mudança.
Ele analisou cerca de 500 páginas, nas quais o ChatGPT era responsável por pelo menos 5% dos cliques. Ele comparou o tráfego no período de 9 a 13 de outubro, quando o GPT-6 foi lançado, com a semana anterior, quando ainda era o GPT 5.6.
Os resultados foram:
- Menos 31 mil cliques atribuídos ao ChatGPT no período;
- Mais 26 mil cliques com atribuição direta no período;
- O canal “direto” cresceu em 2 de cada 3 páginas onde o ChatGPT perdeu tráfego;
- Novos visitantes dos canais diretos tinham relativamente o mesmo comportamento dos antigos visitantes do ChatGPT.
Em outras palavras: o ChatGPT continuou gerando tráfego, mas ele ficou “invisível” dos analytics.
O dilema da atribuição de tráfego das IAs
Mensurar o impacto real da IA na visibilidade e no tráfego de sites sempre foi uma tarefa difícil.
Diversos fatores contribuem para o desafio:
- A dependência de UTMs e referenciadores, que cada plataforma de IA entrega de uma forma, sem padronização;
- O fato da IA ser uma tecnologia relativamente nova, altamente personalizada e sem ranqueamento de sites, na qual cada pessoa vê uma coisa diferente da outra;
- A participação indireta da IA na jornada dos visitantes. É muito comum as pessoas verem uma marca nas IAs, pesquisarem no Google e clicarem a partir de lá. Ou seja, a IA foi importante na descoberta, mas é impossível mensurar objetivamente.
Remover as UTMs e referenciadores torna o processo ainda mais complexo. Para donos de sites, fica mais difícil entender quais ações de marketing são realmente efetivas.
Continuaremos acompanhando o caso – torcendo para ser apenas um bug! Caso haja alguma novidade, atualizaremos este post e publicaremos no nosso Linkedin e newsletter.
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