Textos e links não são tudo o que importa em SEO. Eles são importantes, claro, mas hoje o Google também tem ferramentas para interpretar layout, estrutura e design de páginas também. A semântica visual de uma URL são os elementos não-textuais que comunicam a função de uma página. Quanto mais clara a função, mais fácil para o Google rastrear, indexar e ranquear.
Koray Tuğberk GÜBÜR, especialista turco de SEO, é quem apresenta o conceito, que raramente faz parte das discussões sobre a otimização de sites. Neste texto, você conhecerá as principais características de sua abordagem.
🧑🎨 Como o design e a semântica visual influenciam o SEO
Além de ler o texto das páginas, o Google também lê a disposição desse texto na tela.
Há diversos indícios, diretrizes e patentes que apontam para isso:
Design não é sinônimo de boa aparência, e sim de funcionalidade, de apresentar o conteúdo de forma que agrade aos visitantes e seja fácil do Google entender.
Para isso:
A página precisa estar visualmente organizada, com os elementos importantes claramente dispostos;
Tecnicamente estruturada, sem elementos que possam “poluir” o bloco de conteúdo principal.
O Google precisa entender cada bloco da página, quais elementos estão dentro de cada bloco (e quais não deveriam estar) e qual é o bloco principal.
O site abaixo é um bom exemplo. Tem botões de compartilhamento e legendas de redes sociais ocupando o lugar do bloco principal de um conteúdo. São elementos facilmente identificáveis para um visitante humano, mas que não contribuem para a função principal da página (conhecer informações sobre o filme).
O impacto da semântica visual nos resultados de SEO
Koray compartilhou um estudo de caso mostrando o impacto da otimização da semântica visual de um site de conversor de medidas. O projeto ranqueia para diversas variações, como “converter 2 metros em 2 polegadas”.
A principal mudança para aumentar os cliques e impressões foi trocar a posição da calculadora, puxando-a para o topo do bloco principal da página. Desta forma, quem acessa a URL vê o resultado imediatamente.
Todos os sites que concorrem oferecem a mesma informação, já que a medida é sempre a mesma. A diferença está em como a resposta é apresentada, e no quão simples é para o Google e o visitante identificá-la.
Os benefícios de investir na semântica visual do seu site
O Google prioriza páginas claras, que promovem boas experiências e entregam conteúdos úteis, que realmente ajudam o visitante a encontrar o que ele estava procurando quando abriu o buscador.
A semântica visual se conecta diretamente a isso, pois:
Torna o site site mais simples de rastrear para o Google;
Deixa o seu conteúdo mais útil, ao expressar mais claramente a função da página;
Garante que o Google classifique o conteúdo principal da página imediatamente;
Veja esses benefícios em detalhes.
Bom design facilita o rastreamento
Para um site aparecer na SERP, precisa ser rastreado e indexado. E isso custa dinheiro – um dinheiro que o Google aparenta estar mais criterioso para gastar:
Em depoimento do processo por monopólio, Pandu Nayak, ex-VP de Pesquisa do Google, afirmou que algoritmos caros rodam apenas em páginas consideradas relevantes;
Uma patente de 2019 do Google mostra que páginas são classificadas como “amadoras, aprendizes ou especialistas”, por meio do processamento de elementos textuais, visuais e de layout, o que acaba sendo mais barato do que analisar e classificar apenas palavras.
Ou seja: se o seu site for rápido e fácil de entender e rastrear, tem mais chances de aparecer no buscador.
Para isso, você precisa entregar a resposta que a pessoa está buscando logo no início, o layout deve ser limpo e o HTML bem organizado. Pela mesma razão, evite a encheção de linguiça e a criação de várias páginas sobre o mesmo assunto, cobrindo a mesma intenção de busca e publicando informações parecidas. Muitas vezes, menos é mais em SEO.
Semântica visual contribui para criar conteúdos úteis
O sistema de conteúdo útil do Google avalia a função, o tipo do site e o texto da página para determinar quais realmente ajudam o visitante a resolver uma tarefa.
Segundo Koray, o Google:
Classifica o tipo de site (e-commerce, site de afiliados, blog informativo, agregador de serviço, etc.) também por meio de seus elementos de layout;
A depender da consulta, prioriza sites que sejam relevantes e permitem ações reais (comprar, comparar, filtrar ou agendar);
Penaliza sites que imitam recursos interativos, como simular que tem uma calculadora, quando não a oferecem;
Usa funções para classificar e limitar a quantidade de resultados de um mesmo tipo na SERP.
Logo, formatos de texto nem sempre são os ideais. O design da página precisa apoiar a ação do visitante, oferecendo informação estruturada e interativa sempre que necessário. Podem ser tabelas, calculadoras, botões, entre tantos outros.
Design e SEO devem deixar clara qual ação pode ou deve ser realizada na página. O caso relatado por Koray, do site de medidas, se encaixa nessa definição – bastou mover o que interessa (o conversor) para o topo para aumentar a utilidade percebida daquele conteúdo.
Bom design gera sinais positivos de cliques
O Google usa diversos sinais de cliques para definir se uma página satisfaz os visitantes e merece aparecer no topo. Alguns cliques são positivos e outros negativos.
A definição de “clique positivo” varia para cada tipo de busca.
Por exemplo, em algumas pesquisas, clicar e ficar muito tempo na página é bom, porque significa que a pessoa está lendo o conteúdo. Em outras, pode ser sinal de que a informação não está clara e a pessoa se perdeu lá dentro, sem cumprir seu objetivo.
Boa semântica visual contribui para gerar sinais positivos. O Google aplica diversos modelos de reclassificação (reranking) baseado na relação comportamento de clique x layout e propósito da página. Segundo Koray, se um determinado layout gera alta satisfação de forma consistente, o Google promove páginas com padrões semelhantes.
Veja abaixo mais um exemplo. É o diretório de um site, que cobre um único tópico, conversão de áudio para texto. O seu crescimento deve-se a uma combinação de:
Relevância do site;
Semântica visual que fortalece a resposta;
Essa lógica gera cliques, que são avaliados como positivos e geram crescimento.
A lógica aqui também foi colocar o conversor no topo. Os textos explicativos ficaram para depois, o que expressa com mais clareza o propósito da página (converter formatos) e facilita a ação. O resultado foi o seguinte:
Clareza visual facilita a classificação de conteúdo
Ao pesquisar na web, os assistentes de IA expandem as pesquisas em subtemas que refletem os tópicos que devem compor a resposta. A query fan-out é o principal exemplo da técnica. Por meio da semântica visual, você pode trabalhar os formatos de conteúdo exigidos por essas ramificações, o que permite que você apareça para cada variação.
O layout deve dar suporte para o tipo certo de conteúdo, e deve colocá-lo em destaque. Certas consultas exigirão elementos interativos, outras texto. Você deve montar a página com esses blocos, dando prioridade sempre o que for mais relevante para a consulta e subconsultas realizadas.
Por exemplo, um site pode conter:
Entrevistas com especialistas;
Conteúdo de opinião;
Informação estruturada, como tabelas;
Informação não estruturada, como parágrafos de texto corrido;
Visualizações, como gráficos interativos;
Elementos funcionais, como calculadoras ou botão de adicionar ao carrinho.
Frequentemente, você encontrará combinações deles em uma mesma URL. Você deverá mapear as pesquisas e suas possíveis ramificações para entender quais blocos deve usar e qual deve ser o principal.
A boa experiência de navegação sempre terá prioridade. E, futuramente, essas abordagens podem ser aplicadas à Pesquisa Orgânica também – na visão de Koray, até mesmo como sinais de classificação de páginas.
Como aplicar a semântica visual
Semântica visual parece um conceito complexo e altamente especializado. E até é, mas se você parar pra analisar com calma, verá que os princípios são muito simples e já fazem parte do SEO tradicional. Ou, pelo menos, deveriam fazer!
Investir em SEO técnico para gerar HTMLs limpos, facilmente lidos, e com separação clara entre conteúdo principal e suplementar;
Cada página do seu site precisa facilitar ao máximo a ação (ajuda nas conversões e em SEO também);
Mapeie a tarefa que cada página sua realiza e verifique se é fácil realizá-la. Se for, você está no caminho certo. Senão, você tem otimizações a fazer.
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Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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