Karine Sales
Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.
Karine Sales

Atualizado em 06/08/2026
4 min de leitura
O especialista em SEO Dan Taylor publicou uma matéria no Search Engine Journal, alertando sobre as limitações críticas do novo relatório de IA do Google Search Console, lançado em junho de 2026.

Segundo ele, os dados não devem ser usados como métrica de sucesso de uma empresa. Isso porque os números de impressão não se convertem em tráfego real e mascaram quedas significativas em visitantes e receita.
Lembrando que o relatório fornece apenas impressões de URLs do site em recursos como AI Overviews e Modo IA, tanto na busca quanto no Discover, com segmentação por página, país, dispositivo e data.
A seguir, eu falo um pouco mais sobre as limitações que o autor cita.
O primeiro problema apontado por Taylor é que as impressões em recursos de IA não geram valor econômico real. Quando uma pessoa lê uma AI Overview, por exemplo, encontra a resposta que procura e sai do Google sem clicar e visitar um site.
A segunda limitação é a regra de “posição um para todos”. Qualquer URL dentro de um bloco de AI Overview recebe posição um no GSC, independentemente se é a citação principal ou uma referência secundária em um menu expansível.
Ou seja, tudo que aparece ali na caixa de links, até os que estão escondidos e só aparecem se você clicar em “mostrar mais”, são considerados “posição um”. Isso acaba inflando os números e mostrando dados diferentes da realidade.

Por fim, o cálculo de posição média combina dados incomparáveis. Se uma URL aparece em posição um (AI) e posição quatro (resultado orgânico), o GSC registra posição média 2.5. Esse número fictício parece uma vitória de primeira página, mas toda a receita vem da posição quatro (em termos de tráfego e levando em conta que para o Taylor, IA não gera cliques).
Apesar dessas limitações serem pertinentes, há um grande problema na lógica de Taylor: ele parte do pressuposto de que valor econômico é sinônimo de clique imediato. E hoje em dia a gente não pode colocar todo o valor de um site na métrica de tráfego.
Um estudo da Similarweb mostrou que a IA influencia 2,5x mais visitas a marcas recomendadas. Além disso, mais da metade (55,9%) das visitas influenciadas por IA chegou via busca orgânica.
Quando uma pessoa vê a marca num resumo de IA, mesmo sem clicar naquele momento, ela está desenvolvendo familiaridade; depois, quando tem intenção comercial real, ela digita o nome direto ou busca em outro contexto.
O relatório de IA do GSC tem limitações reais, mas negar qualquer valor econômico às impressões não é o caminho certo, já que só de estar na IA você já aumenta sua capacidade de ser descoberto.
Ao invés de abandonar o GSC, como sugere Taylor, é possível criar dashboards que cruzem dados do Search Console (visibilidade em IA + orgânico), Google Analytics 4 (tráfego direto e conversões relacionadas a branding), e dados próprios de vendas ou leads.
É importante lembrar que, até o momento, o relatório ainda não está aparecendo para usuários no Brasil, mas está em expansão global e logo deve chegar por aqui.
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