Sites menores são os mais impactados pelas quedas de tráfego causadas pela IA

As pesquisas sem clique não afetam todos os sites da mesma forma. Portais de conteúdo pequenos estão passando por quedas muito maiores nos gráficos.

Os dados são do portal de notícias Axios e da Chartbeat, e se referem à Pesquisa Orgânica. Em outras fontes, como o Discover, o tráfego de publishers cai menos. 

Uma das possíveis causas é o branding. Portais menos conhecidos têm mais dificuldade de monetizar, pois, por terem pouca presença de marca, não conseguem construir uma audiência fiel à qual possam oferecer produtos. Logo, ficam mais dependentes do tráfego gerado pelo Google, que está diminuindo ano a ano.

Veja abaixo o que esses dados significam e como lidar com esse cenário.

A IA afeta mais os pequenos publishers

Portais de conteúdo de todos os tamanhos estão registrando quedas. A diferença está nos números, com os sites pequenos sofrendo o maior impacto.

  • Sites pequenos (menos de 10 mil acessos diários): queda de 60%;
  • Sites médios (10 mil a 100 mil acessos diários): queda de 47%;
  • Sites grandes (mais de 100 mil acessos diários): queda de 22%.

Os dados são de uma rede de milhares de portais monitorados pela Chartbeat há cerca de duas décadas. Há uma tendência de queda, impulsionada pela IA, de cada vez menos tráfego gerado pelo Google.

Diversas pesquisas apontam o mesmo cenário. Na maioria delas, a IA tem um forte papel, principalmente os resumos do Google, que aparecem no topo da tela, acima de qualquer site.

Inclusive, há estudos muito mais pessimistas, apontando quedas de até 89%.  

O tráfego geral não está em colapso

Um dado curioso: os cliques, de modo geral, não estão caindo, apenas o tráfego gerado pela pesquisa orgânica. Muitas vezes, os dois cenários parecem sinônimos, mas é porque o Google é a principal fonte de tráfego da internet há décadas. Mas as pessoas também podem, por exemplo, digitar o site direto na barra de endereços do navegador, ou acessar via redes sociais.

No entanto, o tráfego geral caiu apenas 6% entre 2024 e 2025. De acordo com a Chartbeat, o número pode ser considerado “normal” e pode ser atribuído a uma série de fatores, que não necessariamente significam uma crise no mercado de buscas.

Também há pesquisas independentes que reforçam esses dados. A Graphite indica que, de 2025 para 2026, houve uma queda de apenas 2.5%.

O tráfego de IA não compensa a queda do Google

Também é consenso que, mesmo com as quedas, o Google ainda é a maior fonte de tráfego da web. 

Hoje, as IAs correspondem a cerca de 1% dos cliques recebidos. Ou seja, mesmo que as ferramentas de IA cresçam e se tornem mais populares, os sites ainda saem no prejuízo.

A Chartbeat e a Axios trazem um exemplo: o ChatGPT cresceu mais de 200% em 2025. No período, as sessões originadas por IA foram menos de 1% do tráfego das publishers. 

Esse ponto merece atenção porque é um dos argumentos das big techs para defender a IA. Quando lançou as AI Overviews, o Google disse que “gerava um tráfego de maior qualidade”. Em outras palavras, são menos cliques, mas de pessoas mais engajadas.

Só que existem dois problemas aí:

  • Publishers menores precisam do clique, pois monetizam via AdSense ou similares; 
  • Nem todo site pode (ou quer) vender algo, o que torna essa “alta qualidade” menos vantajosa. 

Notícias geram tráfego, mas não engajamento

Para portais de notícias, a tese do “tráfego de qualidade” não se sustenta. Quando as pessoas clicam em notícias a partir de uma IA, elas não engajam com a página.

Os dados da Chartbeat e da Axios são:

  • Notícias são os sites mais visitados a partir da IA (e também do Google tradicional);
  • Entre todos os tipos de páginas que geram cliques, o engajamento com as notícias é o pior.

A hipótese é que as pessoas clicam nos sites apenas para obter informações superficiais. Por exemplo, confirmar algo que a IA disse, ou obter contexto sobre algo em particular, sem interesse em ler o artigo inteiro ou engajar com a marca de alguma forma.

Como publishers estão se adaptando? 

A principal arma das publishers têm sido os novos canais de aquisição de tráfego. Ou seja, depender o mínimo possível do Google.

Portais grandes têm mais facilidade em fazer isso, pois já têm audiência cativa, marca reconhecida e, muitas vezes, mais verba para investir. Isso pode ajudar a explicar porque os pequenos sofrem mais com a IA.

Os analytics da Chartbeat mapeiam tráfego direto e interno (gerado em outras URLs do mesmo site) como fontes mais relevantes. Tráfego gerado por e-mail e aplicativos, em especial os de mensagens instantâneas, também estão crescendo. 

Esse cenário já era conhecido há tempos. Em 2025, a SHH chegou a conclusões parecidas, em um levantamento das ações de portais de notícias para conter o avanço da IA. 

As estratégias mais adotadas foram:

  • Expandir programas de assinaturas;
  • Investir em canais proprietários (como newsletters e podcasts);
  • Lançar novos produtos digitais;
  • Criar programas de membros;
  • Lançar aplicativos próprios;
  • Usar IA para aumentar eficiência;
  • Fazer adaptações de linha editorial;
  • Investir em chatbots próprios;
  • Fazer parcerias com as big techs (ou processá-las);
  • Aplicar microtransações;
  • Criar campanhas offline para reconhecimento de marca.

O que fazer se você é um portal pequeno?

Dependa o mínimo possível do Google. É difícil falar isso sendo uma consultoria de SEO, mas precisamos ser transparentes: SEO não sustenta uma marca sozinho. Na verdade, nunca sustentou, mas agora está ainda mais arriscado investir tudo nele.

O melhor caminho é conectar SEO com outros esforços de marketing, como conteúdo, produção audiovisual e redes sociais. 

A Axios chegou à mesma conclusão. As sugestões da equipe para lidar com a IA são:

  • Construir relacionamento com a audiência;
  • Gerar reconhecimento de marca;
  • Investir em canais proprietários, que não dependem de algoritmos;
  • Criar conteúdo útil, que soluciona problemas diretos da audiência.

Fazer isso demora. O orgânico é sempre um investimento de longo prazo, principalmente para marcas que estão começando agora, ou negligenciaram o seu branding. 

Uma pesquisa apoiada pelo Google for Newsrooms, sobre as tendências de conteúdo para os próximos 5 anos, pode te dar um norte. 

Ela explica as mudanças de comportamento da audiência e como os jornais devem se portar diante delas. Muito do que está ali também se aplica para diminuir a dependência dos algoritmos.

Invista em três áreas:

  • Credibilidade, que é a construção de expertise no seu segmento;
  • Afinidade, que é a construção de conexão pessoal com o conteúdo;
  • Transparência, que é a apresentação clara de quem está por trás de cada matéria publicada.

Quando o veículo tem uma “cara” com a qual as pessoas conseguem se identificar, é mais fácil fazê-las consumir seu conteúdo diretamente, sem intermédio de terceiros, como o Google ou uma IA. 

Não deixe o SEO de lado!

Como já mencionamos, apesar do cenário ruim, o Google ainda é a maior fonte de tráfego para sites. E provavelmente será assim por um bom tempo!

Portanto, continue investindo em SEO. As estratégias de otimização permitem que o seu site apareça mais e gerando cliques mesmo em cenários de queda.

Aqui na SEO Happy Hour, somos especialistas em SEO para notícias. Atuamos com otimizações técnicas, on-page e de conteúdo para que sua marca cresça cada vez mais nos buscadores e na IA. Entre em contato e conheça nossa consultoria.

  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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