O SEO está bom, mas o meu tráfego não sobe. E agora, o que fazer?

Esse cenário parece atípico, mas acredite, acontece mais do que você imagina. Mesmo com um bom SEO, o tráfego de sites pode cair ou permanecer estável por longos períodos.

A causa são as mudanças no mercado, aceleradas pela IA generativa. As pessoas estão clicando menos e, de modo geral, os conteúdos estão piores do que antes. Como consequência, é necessário desenvolver novas formas de medir e reportar resultados, desenvolver novos processos e alterar estratégias. 

Em todas as ações, parta do princípio de que o tráfego orgânico não conta mais toda a história do potencial orgânico de um site. E pode ficar tranquilo: tem mais a ver com o mercado do que com você. Nem todos os sites perdem tráfego, mas há muitos que estão otimizados e em queda.

Este post é um guia rápido com estratégias para aplicar no cotidiano, junto do seu time de marketing. 

A jornada do cliente não é mais a mesma

Este é o ponto principal: as pessoas não pesquisam mais como antes. E nem consomem conteúdo da mesma forma, ou se interessam pelos mesmos formatos que já eram tradicionais. 

No SEO do seu site, provavelmente o maior “culpado” é a AI Overview. Salvas (raras) exceções, quanto mais resumos de IA aparecem, mais o tráfego cai. No momento em que este texto foi publicado, elas estão em cerca de 30% das pesquisas do Google.

Já falamos bastante desse cenário aqui no site da SEO Happy Hour. Então, segue um resumo com os links relacionados, se você quiser se aprofundar nos estudos:

Tudo isso tem impacto direto no seu SEO. 

É por isso que nem sempre tráfego baixo é sinônimo de SEO ruim. Esse assunto é bem delicado de tratar e pouca gente fala abertamente sobre ele, porque pode soar como uma “desculpa”.

Mas é verdade – em certos casos, o tráfego é baixo por causa de uma estratégia ineficiente. Em outras situações, pode ser reflexo de problemas maiores, como estratégia de produto ou, o mais comum, problemas de atribuição.

Daí surge a percepção de que “SEO está menos eficiente”, que é incorreta. 

O problema de atribuição

A parte mais importante da discussão é que boa parte da jornada acontece fora dos sites. E, quase sempre, ela não é medida corretamente, em partes porque as equipes a ignoram, ou porque não há ferramentas para mapeá-la corretamente. 

O modelo antigo, com o qual nos acostumamos, não existe mais. É o clássico pessoa pesquisa > clica no site > vira lead.

Hoje, é mais parecido com IA acessa sites > resume informações e (talvez) cita o site > pessoa decide se clica. Esse modelo foi proposto pelo especialista Kevin Indig e já o detalhamos na nossa newsletter.

Inclusive, é bastante provável que a pessoa vire lead sem nunca clicar em um conteúdo otimizado. Ela pesquisa algo, a IA acessa o seu site, resume as informações, apresenta a sua marca, e a pessoa digita a marca na barra de endereços.

Este é um exemplo perfeito do SEO que funciona, mas não gera tráfego. 

As informações sobre a marca são consumidas primeiro pela IA, depois pelo visitante, de forma indireta. Mas, para que a IA tenha acesso às informações corretas, e para que a marca seja considerada relevante para responder ao prompt, é necessário um trabalho robusto de SEO.

Modelos de atribuição devem ser capazes de lidar com essas mudanças. 

Repensando os resultados

A melhor abordagem é considerar o tráfego orgânico um indicador secundário. É algo difícil de fazer na prática, pois durante muitos anos ele foi a métrica definitiva do SEO.

Você deve continuar monitorando o tráfego e trabalhando para que ele cresça, mas não pode ser o seu único KPI. Paralelamente, sua equipe pode monitorar outras métricas de interesse:

  • Influência das AI Overviews no seu CTR;
  • A quantidade de vezes que a sua marca é citada nas AI Overviews e em quais posições;
  • Qual é a porcentagem de palavras-chave que gera tráfego hoje e ativa uma AI Overview;
  • Crescimento e queda no volume de pesquisas com marca;
  • Aumento nos cliques com origem “Direta” no GA4;
  • Taxa de conversões orgânicas;
  • Posição média para palavras-chave altamente estratégicas ou de alta intenção comercial;
  • Aquisição orgânica de leads qualificados;
  • Cobertura de intenção de busca;

Em outras palavras, procure tornar os seus relatórios os mais completos possíveis. Ao fazer isso, você possivelmente perceberá algumas lacunas nos dados. Algumas delas podem ser cobertas com modelos de atribuição mais eficientes. Mas, há alguns pontos que simplesmente não podem ser medidos.

O exemplo mais clássico é saber “para quantos prompts a marca aparece no ChatGPT”. Hoje, nenhuma ferramenta de SEO entrega esse dado com confiança. O mercado ainda está se adaptando à IA e os chatbots são muito diferentes dos buscadores tradicionais, inclusive entregando respostas distintas para os mesmos tipos de prompt.

Se você se deparar com essa situação, o melhor é focar em outras métricas, que podem ser mensuradas com clareza. 

Estratégias com foco em negócios

Por muito tempo, o tráfego esteve diretamente relacionado a negócios. Dito de outra forma: quem tem mais tráfego, também tem mais leads e mais receita. Devido à IA, não é mais assim.

Como as conversões podem ocorrer sem o intermédio do clique, é normal ter certa confusão sobre o que e como otimizar.

O ideal é tomar essa decisão com o amparo de especialistas em SEO. Não há uma rota única. Todas as empresas, mesmo as grandes, estão em fase de experimentação, pois a IA generativa é uma tecnologia relativamente recente. Por isso, a melhor rota é um diagnóstico individual da sua marca.

Falando de forma bem geral e resumida, há dois caminhos que você pode seguir:

  • Trabalhar o topo do funil, entendendo as suas limitações;
  • Focar no fundo do funil, aceitando o tráfego menor.

Mas atenção: a ideia não é escolher uma ou outra etapa do funil. Sua empresa deve estar presente em todos os momentos da jornada, o que muda é a intensidade em cada uma. 

Se você largar totalmente o topo do funil, os resultados de fundo não serão o esperado. O reverso também é verdadeiro – se trabalhar só o topo do funil, dificilmente verá resultados reais no seu projeto de SEO.

A gente bate bastante nessa tecla aqui com os clientes da SEO Happy Hour porque realmente faz diferença.

Trabalhar o topo do funil

Significa criar conteúdos com objetivo de gerar visibilidade e tráfego. O topo do funil reúne expressões amplas, que não têm intenção de busca comercial. A estratégia é ser o mais visível possível para fortalecer a presença de mercado da marca.

Muitos segmentos de mercado adotaram essa estratégia nos últimos anos. As publishers são os melhores exemplos, mas muitas marcas B2B também publicaram grandes quantidades de conteúdo informativo/geral, sem intenção de vender nada neles. 

Como já discutimos neste post, a estratégia tem limitações: 

Ainda assim, o topo do funil é fundamental para construir visibilidade e crescimento de longo prazo.

Foco no fundo do funil

Outra alternativa é abordar tópicos altamente específicos. Há menos pessoas pesquisando por eles, mas os termos ativam menos as AI Overviews e tendem a converter mais. 

Aqui, o objetivo é responder às dúvidas reais da audiência e guiar quem já está pronto para tomar uma decisão. Há menos foco em publicar informações gerais e atender a quem está apenas explorando problemas.

O desafio é que essa abordagem inevitavelmente gera menos tráfego. As palavras-chave tendem a ser mais longas e específicas (cauda longa), pesquisadas por um número muito menor de pessoas. A contrapartida é que, caso a estratégia funcione, os poucos visitantes são muito mais valiosos. 

Um exemplo rápido: 

  • Quem está pesquisando “o que é SEO” ainda está aprendendo;
  • Quem está pesquisando “SEO para empresa SaaS” está ativamente avaliando opções ou buscando por especialistas.

Onde concentrar os esforços da minha equipe?

Você deve avaliar sempre o tráfego e o impacto real de SEO em negócios, de forma conjunta, nunca um sem o outro. Sem isso, você não terá em mãos todos os dados para avaliar o sucesso da sua estratégia.

Entre os principais elementos que você deve observar, estão:

  • Receita: custo de aquisição, tempo de vida do cliente, retorno sobre investimento;
  • Visibilidade: presença em AI Overviews e tráfego gerado por LLMs;
  • Qualidade: métricas de engajamento e conversão de leads qualificados.

Você deve levar esses atributos em consideração em todos os aspectos da sua estratégia. 

Por exemplo, quando estiver planejando os textos para postar no seu blog, pense em:

  • Este post tem potencial real de gerar lucro? De qual forma? 
  • Esta informação é facilmente resumida por uma IA? O que eu posso acrescentar de novo ou de diferente, para que a IA cite o meu site?
  • Como eu posso tornar este post atrativo, para que as pessoas queiram clicar e saber os detalhes do que estou falando?

Se você não souber responder, talvez seja melhor nem começar a escrever. 

E o mesmo vale para outras otimizações, como as atualizações técnicas ou on-page. Procure sempre avaliar o impacto real delas, em vez de apenas seguir cegamente um “manual para aparecer no Google”.

Puxando as alavancas da forma correta, seu SEO estará bem protegido das mudanças bruscas de mercado.

A culpa não é exclusivamente da IA

A Inteligência Artificial não é a única responsável pelas quedas de cliques. Muitos sites perdem tráfego porque o seu conteúdo simplesmente não atinge os critérios de qualidade do Google. Ou porque o próprio buscador entende que a pesquisa pode ser respondida sem intermédio de terceiros.

Desde 2022, com a atualização de conteúdo útil do Google (Helpful Content Update, ou simplesmente HCU), conteúdos considerados ruins perderam espaço. O buscador passou a priorizar conteúdos que promovam ganho de informação e sejam escritos por quem realmente entende do assunto. 

Além disso, o Google usa métricas de engajamento para determinar as páginas que aparecem no topo. Há um sistema específico para esse tipo de análises, o Navboost

Se uma página é bem ranqueada, mas ninguém clica, ela cai de posição, pois o algoritmo entende que aquele resultado não é bom o bastante. 

O mesmo vale para quem clica em um site, fica poucos segundos e volta ao Google. Para o buscador, isto indica que a experiência de página é ruim, o que pode levar o site a perder posições. 

O Google responde perguntas 

O objetivo do Google é sempre oferecer a melhor e mais rápida resposta para uma pergunta. Todo site que se afasta desse objetivo, cai de posição rapidamente. E, muitas vezes, o próprio Google pode dar essa resposta. 

Aqui vai um exemplo clássico, que sempre usamos no site da SEO Happy Hour: a idade da Taylor Swift.

Snippet do Google que mostra a idade da cantora Taylor Swift diretamente na SERP

O Google entende que ninguém precisa clicar em um site para saber isso. Por isso, ele mesmo fala. 

Na verdade, se você usa o Chrome, a resposta já aparece na barra de tarefas:

Pra você ver como a gente gosta de usar esse exemplo, ela ficou 2 anos mais velha desde o nosso primeiro print. 🤣

Bom, a mensagem é: não culpe a IA pelos seus resultados. É irritante ver o Google usando o conteúdo que a gente cria nas respostas, mas a questão é muito mais profunda do que “a culpa é da IA”.

É importante fazer essa distinção para evitar interpretações erradas sobre a tecnologia. Também porque não adianta reclamar dela, feliz ou infelizmente essa ferramenta continuará fazendo parte da nossa rotina. 

Preocupado com o seu tráfego? A gente te ajuda!

Se as quedas de tráfego orgânico te preocupam, a SEO Happy Hour pode te ajudar!

Entre em contato conosco e conheça nossos serviços de otimização de sites. Nossa abordagem funciona para os buscadores tradicionais e para as IAs e está ajudando empresas de todos os tamanhos e segmentos de mercado a se posicionarem com mais autoridade.

  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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