A inteligência artificial é responsável direta por apenas 1,1% dos cliques para publishers.
No entanto, a tecnologia gera acessos que ficam “invisíveis” nos relatórios e aparecem como tráfego direto ou orgânico. Por exemplo, 20,5% dos visitante são mais propensos a visitar um site de notícias depois de conversar com uma IA sobre o tema”
Os dados são da plataforma Scrunch, que analisou milhões de dados de navegação entre fevereiro e junho de 2026 para entender como a IA afeta a jornada de navegação (e os cliques) para as publishers.
Veja abaixo um resumo comentado da pesquisa.
Quanto a IA realmente contribui com o tráfego de um publisher?
Os principais achados do estudo mostram que, além de contribuir pouco com o tráfego, as IAs também alteram a jornada dos leitores desde a pesquisa até o clique:
Pesquisas de notícias que ativam AI Overviews geram 10% menos cliques para portais de notícias;
Os resumos de IA aparecem com mais frequência em pesquisas de utilidade, que naturalmente já geram poucos cliques;
Apenas 1,1% dos cliques é atribuível às IAs;
Visitantes são mais propensos a visitar uma publisher depois de conversar com as notícias sobre a IA (+20,5 pontos percentuais);
As pessoas preferem clicar mais em portais grandes e estabelecidos do que em publishers menores.
Os resultados vão na mesma direção de estudos publicados ao longo de 2024 e 2025 sobre o impacto da IA para publishers:
O estudo publicado pela Scrunch traz algumas nuances ao tema, mostrando também o impacto “invisível” das conversas com a IA nos cliques.
Como o estudo foi feito?
O estudo usou dados de navegação de pessoas reais, compartilhados de forma anônima. Foram analisados o que as pessoas perguntavam para as IAs, o que pesquisavam no Google e quais sites de notícias visitavam, no dia em que a pesquisa foi feita, no dia seguinte e na semana seguinte.
Isso resultou em milhões de eventos de busca, que foram analisados em duas categorias:
Referentes às AIs Overviews;
Referentes aos assistentes de IA (como ChatGPT ou Claude).
Resumos de IA aparecem em pesquisas com menos cliques
As AI Overviews aparecem com mais frequência em notícias de utilidade, que já seriam respondidas na SERP mesmo sem a IA. Por exemplo, previsão do tempo ou consultas ao preço de ações.
Quem faz esse tipo de pergunta não está procurando informações aprofundadas. É uma pergunta rápida, cuja intenção de busca se satisfaz sem deixar o Google. Essa é a lógica padrão das pesquisas zero cliques.
Ainda assim, foi possível notar quedas de tráfego quando as AI Overviews estavam ativas:
Com AI Overviews: cerca de 20% de cliques para publishers;
Sem as AI Overviews: cerca de 30% de cliques para publishers.
O comportamento muda de acordo com a notícia pesquisada. Veja no gráfico abaixo (a linha é a frequência das AI Overviews, a coluna é a taxa de cliques).
Assistentes de IA impactam a jornada dos leitores
Quando uma pessoa pergunta sobre as notícias para a IA, ela fica mais propensa a visitar um site de notícias durante os próximos dias.
Raramente essa visita vem com uma identificação clara de que foi gerada pela IA.
A conclusão da equipe da Scrunch é que as respostas da IA tornaram-se uma etapa na jornada de descoberta dos leitores. E uma etapa que, na maioria das vezes, os times de marketing não conseguem identificar claramente.
O impacto da IA na distribuição de conteúdo
A IA influencia o tráfego de maneira diferente, dependendo do tamanho do portal. As publishers menores recebem menos cliques.
Ocorre da seguinte forma:
Quando uma IA cita um publisher, as visitas a ele aumentam 10,6% no próximo dia. Ao fim da semana, o número chega a 19,7%;
A maioria dos cliques são para portais que já estão no histórico do visitante;
82% dos portais mencionados são grandes, 17% médios e menos de 1% pequenos/de nicho;
97% dos cliques vai para os portais grandes;
Após uma semana, os portais grandes têm 22,9% mais cliques, enquanto os médios aumentam apenas 8,6%.
Há três fenômenos interessantes aqui.
O primeiro é que a IA até apresenta portais menores, mas as pessoas, conscientemente ou não, escolhem não clicar neles.
O segundo é que, no contexto analisado, a IA aparece mais como uma ferramenta de “reativação”, para que um leitor volte a um site que já conhece, do que uma ferramenta para “descoberta” de conteúdo.
O terceiro, e talvez mais importante, é que ser escolhido pela IA não é o mesmo que ser escolhido pelos leitores. Isto é, mesmo que você apareça na resposta, não significa que a audiência te dará atenção.
A solução está em criar uma marca sólida, que as pessoas conheçam e realmente queiram acompanhar.
Muitos publishers já chegaram a descobertas semelhantes e estão fortalecendo ações de branding e de criação de comunidades. Aqui na SEO Happy Hour, fizemos um levantamento de como os portais de notícias estão contendo o avanço da IA. Recomendamos a leitura caso você queira se adaptar a esse novo cenário.
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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