Melhores práticas de SEO para navegação facetada em e-commerces

A navegação facetada é uma interface para filtrar listas usando múltiplos atributos. São aqueles menus que você com certeza já viu em e-commerces, para por exemplo selecionar roupas por marca e tamanho ou cor. 

Eles são ótimos para quem está comprando, mas podem virar um pesadelo de SEO. Isso porque cada filtro (e combinação) gera novas URLs, o que pode rapidamente sair de controle, gerando um alto volume de páginas, conteúdo duplicado e problemas de rastreamento que comprometem a visibilidade do site.

Não é à toa que o Google considera as URLs de navegação facetada as mais difíceis de lidar. Neste post, você aprenderá como gerenciá-las corretamente dentro do seu site. 

O que é navegação facetada?

Navegação facetada é um tipo de interface que permite aos visitantes de um site filtrar e refinar suas buscas de maneira rápida e eficiente, especialmente em sites com grandes volumes de dados, como e-commerces.

Imagine que você está em uma loja de roupas online. Em vez de percorrer uma lista enorme de produtos, a navegação facetada te permite aplicar filtros como preço, cor e tamanho. Veja no exemplo abaixo do e-commerce da Farm: 

O modelo nasceu da abordagem de classificação facetada, que consiste em filtrar listas de acordo com as suas características ou dimensões (facetas). É um conceito da biblioteconomia, desenvolvido pelo matemático indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan. 

Benefícios da navegação facetada

Em sites com listas extensas de produtos, esse tipo de organização de informações traz diversos benefícios, como:

  • Melhora a experiência, pois facilita a busca por produtos específicos;
  • Organiza grandes volumes de dados, evitando que os visitantes passem por muitas páginas para encontrar o que procuram;
  • Facilita a descoberta de produtos, pois tira da tela rapidamente os produtos que não interessam ao visitante;
  • Personaliza a jornada de compra, pois oferece controles precisos sobre quais produtos são exibidos;
  • Reduz o abandono, pois mantém os visitantes engajados e visualizando os produtos mais relevantes.

Quais tipos de site usam  navegação facetada?

Todos os tipos de site que precisam exibir grandes volumes de dados podem usar a navegação facetada em suas listas. Os exemplos mais comuns são:

  • E-commerce: filtros de produtos por cor, tamanho, marca, preço, entre outros;
  • Bibliotecas: filtros de livros por gênero, autor, ano de publicação;
  • Viagens: filtros de voos por data ou companhia aérea;
  • Mercado imobiliário: filtros de propriedades por localização, tamanho ou preço;
  • Portais de emprego: listas de vagas por área ou pretensão salarial.

Como a navegação facetada funciona?

A navegação facetada funciona com controle sobre os atributos da lista, que variam em cada site e mudam a lista de produtos exibidos na tela. A implementação pode ser feita com ou sem JavaScript.

Quando um filtro é selecionado, uma das seguintes ações ocorre:

  • Lista atualiza automaticamente sem recarregar a página (usa JS);
  • Página recarrega, com uma nova listagem (sem JS);
  • Nada acontece até o visitante clicar em “aplicar”. Ao fazer isso, a lista atualiza sem recarregar a página (usa JS);
  • Nada acontece até o visitante clicar em “aplicar”. Ao fazer isso, a página recarrega e apresenta a nova lista (sem JS).

Nas implementações mais comuns, a aplicação de filtros gera novas URLs. É aqui que a navegação facetada começa a ter implicações para o SEO do site. 

Como a navegação facetada gera novas URLs?

A navegação facetada pode gerar novas URLs por meio de parâmetros, ID de sessão ou de forma estática

Veja como eles funcionam.

Parâmetros

São adicionados ao final da URL para enviar uma informação extra ao servidor. Eles são representados por “?”. É simples de implementar, mas pode gerar milhares de páginas rapidamente.

Isso porque cada combinação de filtros gera uma página nova. Ou seja, produto + preço + cor tem uma URL; produto + cor + preço tem outra, mesmo sendo os mesmos filtros em outra ordem.

Exemplo: www.site.com/sapato?cor=branco

ID de sessão

É um tipo de parâmetro específico, que permite obter dados individuais para cada visita do site. Era muito usado no início dos anos 2000, mas hoje é considerado uma má prática, pois há outras formas de obter dados de navegação (como cookies).

Exemplo: www.site.com/sapato?sid=abc

URLs estáticas

São, literalmente, novas URLs para cada filtro. Gera boa experiência de página, mas também pode criar inúmeras combinações, o que dificulta a gestão do site.

Exemplo: site.com/sapato/vermelho

Por que a navegação facetada é tão complexa para os buscadores?

A navegação facetada pode gerar um volume quase infinito de URLs, graças às combinações de filtros. Se não forem bem administradas, o Google tentará rastrear e indexar todas.

Mesmo os sites relativamente pequenos podem sofrer com esse problema. Por exemplo, imagine uma loja que tem 10 camisetas cadastradas, de 3 marcas diferentes, cada uma com três cores e tamanhos do P ao GG. Só aí, temos 360 combinações de facetas! 

Ao rastrear esse tipo de página, os buscadores enfrentam os seguintes desafios:

  • Cria URLs irrelevantes: o Googlebot pode perder tempo rastreando páginas redundantes, em vez de gastar recursos em páginas que tem valor para os visitantes;
  • Confunde os rastreadores: muitas combinações de filtros adicionam pouco ou nenhum valor ao site. Se todas forem rastreadas, o Google pode ficar confuso sobre qual versão deve ser indexada ou não;
  • Diluição de autoridade: com tantas URLs essencialmente iguais, exibindo o mesmo tipo de conteúdo, sinais de autoridade podem ser diluídos entre todas as variantes.

Os problemas de SEO causados pela navegação facetada

Para quem gerencia sites, a navegação facetada cria uma série de erros de SEO técnico. São problemas bem específicos, causados por todas as URLs extras criadas. 

Os principais são:

  • Rastreamento descontrolado de parâmetros;
  • Duplicação de conteúdo;
  • Gasto desnecessário de crawl budget;
  • Diluição autoridade dos links;
  • Dificuldade em gerenciar a canonização de URLs;
  • Distorção nos analytics;
  • Aumento de soft 404;
  • Páginas com conteúdo superficial;
  • Problemas de performance do site.

Mesmo com tantos problemas diferentes, não vale a pena tirar a navegação facetada do site. Colocando na balança, ela tem mais prós do que contras. O segredo é gerenciar corretamente como o Google tem acesso aos novos parâmetros.

Rastreamento descontrolado de parâmetros

Em vez de indexar e exibir as suas páginas mais relevantes de categorias ou produtos (a versão sem parâmetros), pode acontecer do Google indexar versões parametrizadas, o que gera uma experiência de navegação ruim.

Causa: se não houver controles adequados, todos os parâmetros são rastreados, o que pode confundir o Google sobre qual versão exibir;

Impacto: dilui os sinais de autoridade e de qualidade do site e dificulta o ranqueamento de páginas.

Conteúdo duplicado 

O Google trata as URLs de navegação facetada como duplicadas. Ou seja, são duas URLs diferentes que apresentam o mesmo conteúdo;

Causa: URLs com os mesmos filtros, mas em ordens diferentes;

Impacto: confunde o Google sobre qual página ranquear, o que pode reduzir a visibilidade de todo o grupo (inclusive da versão original, sem parâmetro, que deu origem às cópias).

Gasto desnecessário de crawl budget

Os mecanismos de busca alocam recursos limitados para cada site. Esse é o chamado crawl budget, ou taxa de rastreamento. Quando essa taxa “acaba”, o Googlebot deixa o site, sem rastrear as demais URLs.

Causa: sem controle sobre os parâmetros, o crawl budget pode ser gasto em URLs repetidas;

Impacto: conteúdos novos e realmente importantes deixam de ser rastreados, o que pode reduzir tráfego e conversões.

Diluição de autoridade de links

Link equity, ou autoridade de links, é a relevância que uma página recebe por meio de links internos e externos. O ideal é concentrar o link equity em uma página só, sem nenhum parâmetro. 

Causa: se os links apontam para URLs de navegação facetada, a autoridade é dividida entre várias páginas.

Impacto: seus links tornam-se mais fracos – em outras palavras, você está desperdiçando potencial e diminuindo suas chances de aparecer no Google.

Gerenciamento ineficaz de URLs canônicas

Uma URL canônica é a versão principal dentro de um conjunto de duplicatas, marcada com a canonical tag. Na navegação facetada, a versão canônica é geralmente a que não tem parâmetros.

Causa: quanto mais URLs, mais difícil é definir qual URL deve ser apontada como canônica, principalmente nos casos atípicos;

Impacto: páginas importantes podem ser desindexadas, ou versões erradas podem ser ranqueadas.

Distorções nos analytics

URLs de navegação facetada adicionam linhas desnecessárias aos relatórios. Assim, uma tela que deveria ser simples, apresenta inúmeras variações. 

Causa: URLs parametrizadas são contadas como linhas separadas. Por exemplo, /sapato?cor=branco e /sapato?cor=preto são o mesmo produto, mas aparecem separados;

Impacto: demora mais tempo para interpretar os resultados, dificulta a aplicação de testes AB e atrapalha na hora de ver a origem das conversões.

Aumento de erros soft 404

Erros soft 404 são páginas que retornam um status HTTP 200 (OK), mas deveriam retornar status 404 (não encontrado).

Causa: acontece quando uma combinação não retorna produtos. Por exemplo, “sapato branco tamanho 38”, quando não tem nenhum produto nessas características no site;

Impacto: mecanismos de busca consideram páginas soft 404 como de baixa qualidade, o que pode prejudicar a visibilidade geral do site.

Conteúdo superficial

Thin content, ou conteúdo superficial, é aquele que não agrega nenhum valor aos visitantes. O Google detesta esse tipo de página e nunca a indexa.

Causa: se uma URL de navegação facetada exibe poucos ou nenhum produto, pode ser considerado conteúdo superficial;

Impacto: um alto volume de conteúdo superficial reduz a percepção de qualidade do site.

Problemas de performance de site

Em casos severos, servidores podem ficar indisponíveis devido ao excesso de URLs.

Causa: há milhares de requisições a URLs para cada sessão. E, sem controles adequados, cada combinação de parâmetros é renderizada individualmente. 

Impacto: o site pode ficar fora do ar – apenas em casos extremos, de muita atividade no servidor.

Como diagnosticar problemas de navegação facetada

Os principais sinais de erros estão nas estatísticas de rastreamento e de indexação. 

As melhores maneiras de identificar se os filtros estão impactando o SEO são:

Comece com uma pesquisa no Google. Use o comando site:search para pesquisar o seu domínio, pressione “ferramentas” e veja quantos resultados estão indexados. Se houver um número maior (ou menor) do que o esperado, pode haver problemas.

Em seguida, valide as páginas no Search Console. Há dois relatórios que você deve observar:

Para saber se os filtros estão causando os problemas, você deve encontrar as URLs indesejadas. Geralmente, elas estão nos erros de “rastreada, mas não indexada”, “detectada, mas não indexada” e nas mensagens relacionadas à páginas canônicas. 

Se quiser, você pode coletar mais dados usando ferramentas de SEO externas, como Semrush, Ahrefs ou Screaming Frog. Os passos exatos variam de acordo com a  ferramenta, mas você deve procurar relatórios de indexabilidade e tentar identificar padrões nas URLs facetadas. 

Como gerenciar a navegação facetada do seu site

Para gerenciar as URLs de navegação facetada, você precisará informar aos buscadores quando e como rastrear e indexar cada filtro. Na maioria dos casos, é para limitar a presença deles no Google, já que boa parte das combinações é irrelevante. 

As principais ferramentas são:

  • Canonical tag, para indicar quais são as URLs relevantes para cada grupo de filtros;
  • Robots.txt, para orientar os rastreadores a não acessar as URLs com filtro;
  • Tag noindex, para excluir URLs de navegação facetada da pesquisa do Google.
  • Casos específicos podem usar gerenciamento via backend ou JavaScript.

Não há uma solução única ou definitiva. As melhores opções dependem bastante da escala do seu site, tamanho e complexidade do seu catálogo, tipos de filtros que você oferece, quais combinações têm valor de SEO.

Abaixo estão as estratégias que costumam funcionar na maioria dos casos.

Defina os filtros importantes

O tratamento não é igual para todos os filtros. Alguns deles têm volume de busca significativo, enquanto outros são combinações específicas demais, que não devem ser indexadas.

Se o seu site tem muitas categorias e filtros, identifique o que realmente traz tráfego e conversões. Mantenha essas URLs indexadas e limite a visibilidade de todo o resto, seguindo as próximas dicas.

Impeça o rastreamento usando o robots.txt

O arquivo robots.txt é um documento de texto que indica quais partes do seu site um rastreador pode acessar. 

Use-o para bloquear parâmetros que não têm valor para SEO. Por exemplo: 

Disallow: /*?sort=
Disallow: /*?sessionid=

Fazendo isso, todas serão automaticamente ignoradas pelo Googlebot. 

Defina as páginas canônicas

Use a canonical tag para indicar quais URLs facetadas devem ser indexadas. Você deve selecionar quais são as URLs “principais” de cada produto e direcionar as variações para ele. 

Na maioria dos casos, a versão canônica será a URL sem filtros. Todas as versões com parâmetro devem apontar a ela.

As URLs com parâmetro podem ser canônicas em casos específicos, quando o filtro agrega valor para UX ou têm bom volume de buscas.

Por exemplo, vamos supor que as pessoas gostam muito das suas camisas brancas. Você pode definir a URL /camisa?cor=branca como canônica, com todas as variações (como ?cor=branca&tam=g ou ?cor=branca=tam=gg) apontando para ela.

Use JavaScript para gerenciar listas

No caso dos filtros que não criam novas listas de produtos e apenas reorganizam as informações que já estão na tela, use JavaScript/Ajax.

Desta forma, o conteúdo atualiza dinamicamente direto no buscador, sem gerar uma nova URL para exibir os mesmos produtos em uma ordem diferente.

Atenção: o JavaScript também apresenta uma série de riscos para SEO. Portanto, revise a implementação. Use o recurso com moderação, para não correr o risco de limitar filtros que têm valor de SEO.

Remova links internos

Mantenha apenas links para filtros relevantes dentro dos seus elementos de navegação (menus, sidebars, etc) e em outros locais do seu site, como o blog. 

Isso evita que o Googlebot siga e tente rastrear links de pouco valor, impede a diluição de autoridade, e comunica que os filtros irrelevantes podem ser ignorados.

Como prevenir os problemas de SEO de navegação facetada

Resolver problemas de navegação facetada dá muito trabalho. Por isso, a melhor forma de lidar com os filtros é implementar corretamente desde o início. 

Se você já identificou erros no site, aí não tem muito o que fazer. Mas, se está configurando a navegação facetada agora, não encontrou erros, ou seu e-commerce ainda não escalou, siga estas boas práticas:

  • Monte sua navegação facetada com JS/Ajax, sem inserir links com a tag <a href>. Assim, o Googlebot perde menos tempo com parâmetros irrelevantes; 
  • Use fragmentos (#) para os filtros e combinações, em vez de parâmetros (?). O Googlebot nunca segue URLs com fragmentos, o que ajuda a prevenir erros;
  • Inclua caminhos alternativos para os filtros relevantes. Podem ser com links para versões indexáveis das páginas de filtros, adicionados como itens de navegação em menus ou sidebar. Se houver combinações de filtro, certifique-se de seguir sempre uma ordem lógica, como produto/cor/marca.

Quando buscar apoio profissional para lidar com SEO técnico

O SEO para e-commerce é uma área complexa. Além de lidar com elementos técnicos específicos, como a navegação facetada, é necessário fazer otimizações gerais para as páginas de produto e de categoria

Se a sua equipe tiver dificuldade para identificar os erros mais específicos, diagnosticar a raiz dos problemas, ou gerenciar todas as atividades, conte com a ajuda de profissionais da área.

A SEO Happy Hour atua com SEO para e-commerces há mais de 10 anos e tem especialistas à disposição para orientar sua equipe, priorizar tarefas e definir os melhores caminhos para alcançar o topo dos resultados orgânicos. Entre em contato e conheça nossa consultoria.

  • Elyson Gums

    Elyson Gums

    Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).

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