Sundar Pichai dá entrevista reveladora e não nega a queda de tráfego

Anualmente, nos últimos 5 anos, Sundar Pichai – CEO do Google – concede uma entrevista ao podcast Decoder, do The Verge. Neste ano, o executivo falou sobre  as mudanças que o ChatGPT forçou dentro do Google, o futuro da busca em um mundo de agentes de IA e, pela primeira vez, não negou que o tráfego orgânico está mesmo caindo.

A entrevista foi concedida logo após o Google I/O 2026, que apresentou um novo modelo de IA como padrão; caixa de busca reformulada; agentes de IA operando em segundo plano; interfaces geradas sob demanda; e integração com dados pessoais.

Na sequência eu te conto mais sobre essa entrevista reveladora do Google. 

A reestruturação que o ChatGPT forçou

Quando o ChatGPT explodiu no fim de 2022, o Google foi pego em cheio. Pichai reconhece isso sem rodeios: 

“As pessoas estavam adotando essas tecnologias mais rápido do que esperávamos”.

A resposta foi reorganizar a empresa de cima a baixo. O Google Brain e o DeepMind foram fundidos em um único Google DeepMind, algo que Pichai compara a “juntar Stanford e MIT em um único departamento”

Um time centralizado de infraestrutura de IA foi criado liderado por Amin Vahdat. A busca, que estava fragmentada entre vários líderes, foi colocada sob Elizabeth Reid. Koray Kavukcuoglu assumiu o papel de arquiteto-chefe de IA para coordenar a tecnologia em toda a empresa.

Internamente, Pichai passou a conduzir revisões semanais de produtos de IA, acompanhando pessoalmente tudo que era lançado. “Precisávamos tomar decisões mais rápido como empresa”, ele resume. 

Pichai para de negar o Google Zero

Por anos, o entrevistador Nilay Patel insistiu no conceito que ele próprio cunhou – o Google Zero: a ideia de que o tráfego orgânico do Google para sites cairia a zero à medida que a busca respondesse cada vez mais perguntas diretamente na página de resultados, sem enviar o usuário a lugar nenhum. 

Pichai sempre descartava a tese. Desta vez, não descartou.

O jornalista leu em voz alta uma declaração de Roger Lynch, CEO da Condé Nast, dada na semana anterior: 

“Todo ano nosso tráfego de busca caía mais do que havíamos previsto. No ano passado disse para minha equipe: ‘Assumam que não há busca. Planejem o negócio como se o tráfego de busca fosse zero.'” 

Patel perguntou para Pichai se a Condé Nast estava certa em assumir isso, e o CEO respondeu: 

“(…) Eu não estou em posição de dizer a uma editora tão icônica o que ela deve pensar sobre o seu negócio ou plano. Se eles estão criando conteúdo de alta qualidade e que as pessoas gostam, espero que isso se reflita nos nossos produtos (…) Mas a evolução é inevitável. À medida que a tecnologia melhora, os cliques de baixa qualidade são filtrados. (…) Os cliques de rejeição estão diminuindo. E tudo isso faz parte da dinâmica”. 

A negação ao termo do Google Zero, que marcou entrevistas anteriores, simplesmente não apareceu. Pichai reconheceu que cliques de baixa qualidade estão caindo, que o ecossistema está em transformação e que os publishers estão migrando para modelos de assinatura como resposta natural.

A busca que vira agente de IA

O Google I/O 2026 apresentou uma nova caixa de busca inteligente, o Gemini Spark (plataforma de agentes na nuvem), e o Antigravity, voltado para desenvolvimento com IA. 

Pichai confirmou que no futuro todos esses produtos vão convergir em uma só coisa:

“Quando você está na fase mais inicial de inovação, você cria a capacidade. As equipes experimentam. Mas para o usuário, com o tempo, se você disparar um planejamento de viagem, deve funcionar nos dois lugares.” 

A analogia que ele usa é a do NotebookLM, produto que nasceu separado e hoje já aparece integrado ao Gemini como uma funcionalidade nativa de projetos.

O Universal Commerce Protocol (UCP) foi outro destaque do evento e, na avaliação de Pichai, o anúncio que o mercado está mais subestimando

O protocolo, que permite que agentes de IA façam compras em nome do usuário diretamente em plataformas como Amazon e Walmart, representa uma virada na relação entre busca e e-commerce. Em vez de mostrar resultados, a busca passa a executar tarefas. 

É uma mudança de paradigma com implicações diretas para qualquer negócio que dependa de tráfego de intenção de compra, inclusive no Brasil, onde o UCP ainda não chegou.

YouTube na mira: a próxima batalha com criadores

O Google está treinando seus modelos com vídeos do YouTube e alterando a busca da plataforma. Também no Google I/O, a big tech anunciou o Ask YouTube: funcionalidade que resume conteúdo e direciona o usuário diretamente ao trecho relevante, sem necessariamente assistir ao vídeo inteiro. 

Patel perguntou se Pichai está preparado para travar com criadores de conteúdo do YouTube a mesma guerra que já trava com empresas de notícias na Europa e nos EUA.

A resposta foi vaga, mencionando opt-outs via Google-Extended, conversas em andamento com publishers, e um ecossistema “mais complicado do que parece”. Nada que acalme quem vive de views e monetização por tempo de exibição. 

A chegada da AGI – Inteligência Artificial Geral

O encerramento do Google I/O ficou a cargo de Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, com uma frase que Patel disse não conseguir parar de pensar desde então:

“Quando olharmos para trás para este momento, acho que perceberemos que estávamos nos primórdios da singularidade”.

A frase significa que, no futuro, as pessoas podem enxergar o momento atual como o início de uma grande transformação causada pela inteligência artificial. E Pichai concorda.

Para ele, debater o prazo exato para a AGI (Inteligência Artificial Geral) é menos importante do que entender a trajetória. 

“Três anos a partir de agora, seja chamado de AGI ou não, não importa – vai ser muito, muito poderoso, e precisamos nos preparar para isso”. 

O que a entrevista de Sundar Pichai diz sobre o futuro do SEO

Pichai disse uma coisa que vale guardar: “Se produzem conteúdo de alta qualidade e as pessoas gostam, espero que isso se reflita nos nossos produtos”. É uma promessa vaga, mas é também uma diretriz clara. 

O Google continua precisando de conteúdo para funcionar – e continua precisando de fontes confiáveis para não entregar respostas erradas.

Não dá para negar que o tráfego orgânico está mudando de forma. Mas a lógica central do SEO, que é ser a melhor resposta para uma pergunta, continua sendo relevante. 

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  • Karine Sales

    Jornalista e criadora de conteúdo digital, atua há mais de 8 anos desenvolvendo estratégias e textos otimizados para blogs, sites e redes sociais.

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