A migração de site é um dos projetos mais delicados para o SEO de uma empresa. Há muitas variáveis para controlar: redirecionamentos, o código do site novo, páginas 404, meta tags, e muito mais. Sem um bom plano de migração, é quase certo que o SEO será impactado, tanto em tráfego como em conversões.
Este é um guia completo com tudo o que você precisa saber antes de começar, com um checklist para você não se perder nas etapas (que são muitas 😅).
Como funcionam as migrações de sites?
A migração é qualquer processo de mudar o site inteiro, levando o conteúdo todo para novas URLs, ou fazendo mudanças significativas nas URLs atuais.
Os principais tipos de migrações são:
Mover o site para uma nova plataforma (por exemplo, sair de Shopify para WooComerce);
Mudar de domínio (por exemplo, sair de www.site.com/blog para www.novosite.com/blog);
Redesign de site (mantém o mesmo endereço, mas muda layout, código, elementos de design, menus, etc.).
Nesses processos, ocorrem mudanças generalizadas no site, em elementos como integrações, protocolo SSL, taxonomia, estrutura de URLs, arquitetura, conteúdo, menus, itens de navegação, elementos de UX, entre outros.
Essa é uma falha organizacional séria, que pode resultar em perda de oportunidades, queda de tráfego, recuperação lenta e relacionamento tenso entre as áreas.
Como evitar problemas de SEO na migração de sites?
Além de pensar no SEO desde o início da migração, monte um plano sólido, com três etapas: antes, durante e pós-migração.
Organize o processo desta forma:
Preparação: a hora de alinhar todos os times, revisar o site antigo, fazer backups e projetar as mudanças;
O dia da migração: passos para minimizar riscos no momento em que o novo site for ao ar;
Pós-migração: rotinas para acompanhar os resultados do site e compará-lo à versão antiga.
A preparação é sempre o mais demorado. E com razão, já que é a etapa mais importante. Quanto mais tempo você gastar em planejamento, menos dores de cabeça terá na hora de lançar o site novo.
Checklist completo de SEO para migração de site
Veja a sequência de ações necessárias para reduzir as chances de problemas de SEO durante a sua migração de site:
Planejamento:
Fazer uma auditoria do site atual;
Identificar páginas de alto valor;
Mapear todas as URLs que existem hoje;
Criar um mapa de redirecionamentos;
Revisar as imagens;
Fazer backup do site atual (importantíssimo);
Organizar um ambiente de testes (com tag noindex);
Organizar novos arquivos sitemap e robots.txt;
Alinhar as equipes de criação, desenvolvimento e SEO;
Controlar as expectativas;
Revisar tudo.
Dia da migração:
Lançar em dia de semana, em horário de pouco tráfego;
Remover tag noindex aplicada no ambiente de testes;
Revisar status de resposta HTTP;
Solucionar links quebrados (se houver);
Enviar o novo sitemap no Search Console.
Pós-migração:
Acompanhar tráfego e ranqueamento;
Identificar erros (usando GSC/auditorias de ferramentas de SEO);
Submeter páginas para indexação (se necessário);
Realizar uma nova auditoria de SEO e comparar os resultados.
Abaixo estão os passos detalhados para realizar cada etapa.
O planejamento da migração
Boa parte da migração do site acontece aqui.
As ações principais nessa fase são revisar o site atual, salvar os dados importantes e organizar as novas páginas para mudanças. Em geral, todos os tipos de site precisam seguir as orientações abaixo.
Mas, certos domínios podem ter preocupações extras – por exemplo, sites internacionais precisam dar atenção extra à implementação da tag hreflang.
1. Faça uma auditoria do seu site
A auditoria é um mapeamento geral do estado atual do seu site. É um diagnóstico de como as coisas funcionam, o que está implementado e o que ainda falta incluir.
Documente tudo em planilhas, para guiar as decisões sobre seções do site a otimizar, partes que performam bem e podem ser mantidas como estão, lacunas a serem preenchidas, etc.
Esses dados também podem ser usados como referência quando o novo site estiver no ar. Assim, você pode fazer relatórios como “o site cresceu X% após a migração”.
As páginas de alto valor são as que geram muito tráfego, muitas conversões (ou ambos,o que seria o ideal).
Durante a migração, você deve tomar cuidados extras para não prejudicá-las.
Deixe-as grifadas na sua planilha, ou crie uma aba separada para registrá-las, junto dos dados coletados via GA4 e Search Console, na etapa anterior.
3. Mapeie todas as suas URLs
Faça um rastreamento completo das URLs do seu site, usando ferramentas como JetOctopus ou Screaming Frog.
Esses dados, que incluem URL, títulos, meta descrições e tags, serão a base sobre a qual você trabalhará. Você pode usá-la, por exemplo, para definir o seu plano de redirecionamentos (o próximo passo do planejamento). E, depois, para conferir se ele foi implementado corretamente.
4. Crie um mapa de redirecionamentos
É uma tabela que indica quais redirecionamentos devem ser implementados pela equipe de desenvolvimento.
Você pode organizar em uma tabela “de/para”, nesse formato:
DE: www.site.com/blog/novidades/post
PARA: www.novosite.com/novidades/post
Em muitas situações, será possível fazer redirects em massa. Mas, se não houver regras bem definidas, pode ser necessário executar alguns deles manualmente. Converse com os desenvolvedores sobre as possibilidades.
Esse cuidado é importante principalmente se o site está mudando de arquitetura ou de lógica de criação de slugs.
Nas migrações, geralmente é usado o redirect 301, que indica uma mudança permanente de domínio.
5. Revise as imagens
Faça uma auditoria rápida nas imagens do seu site também. Afinal, elas também podem ranquear, trazer tráfego, e têm URLs próprias.
Siga os mesmos passos que você fez com as páginas do seu site: abra o Search Console para identificar quais geram tráfego, monte uma planilha com as URLs e dados relevantes sobre elas, e destaque as principais para revisar depois que a migração for feita.
6. Faça backup do site atual
Mantenha os dados do site antigo salvos. Você nunca sabe quando eles serão úteis, nem quando haverá um problema que exija voltar para uma versão anterior.
Na dúvida, siga aquelas regrinhas clássicas:
Faça mais de um backup;
Armazene as cópias em mídias diferentes;
Guarde-as em localidades diferentes.
Assim, sempre que precisar, os arquivos estarão lá, protegidos e prontos para usar.
7. Organize um ambiente de testes
O ambiente de testes é um clone do site. É ali que os desenvolvedores trabalharão na nova versão. Dessa forma, o site antigo continua funcionando normalmente enquanto a migração é preparada.
Essa versão deve estar bloqueada para os mecanismos de busca. Você pode ocultar o site via robots.txt, tag noindex e nofollow, ou com senha.
Se o desenvolvedor não fizer dessa forma, o Google pode descobrir as URLs antes da hora, o que lá na frente causa problemas de conteúdo duplicado.
8. Atualize sitemap e robots.txt
Estes são dois arquivos para o site novo, que orientam como os buscadores acessam as páginas.
O sitemap é uma lista de todas as URLs relevantes, que devem ser indexadas. Você deve:
Incluir todas as URLs que estarão no site novo;
Excluir as URLs do site antigo que não estarão presentes no site novo;
Deixar pronto antes da migração, para enviar ao Google assim que o site estiver no ar.
Já o robots.txt traz todas as diretivas de como os rastreadores devem acessar o site, quais seções ou arquivos devem ser ignorados, entre outras instruções. Você deve:
Referenciar a localização do novo sitemap;
Permitir o rastreamento das páginas importantes do seu site (como o diretório /blog, etc);
Bloquear o rastreamento de áreas irrelevantes (como /wp-admin).
Possivelmente, não haverá grandes mudanças nas instruções do site antigo para o novo. Então acaba sendo mais um trabalho de revisão mesmo.
9. Alinhe as equipes de criação, desenvolvimento e SEO
Não deixe o SEO para última hora. Organize reuniões entre equipes de design, redação, desenvolvimento e SEO, para identificar oportunidades de melhoria antes do site ir ao ar.
Áreas que normalmente aparecem nessa hora:
Elementos de página, como vídeos, FAQ e headings, alinhados à intenção de busca dos visitantes;
Melhores tipos de dados estruturados;
Insights de métricas de performance e UX;
Requisições de plugins, aplicações, extensões ou recursos de páginas;
Otimizações gerais de redação e conteúdo.
É mais fácil solucionar essas questões antes da migração, do que ter que trabalhar nelas com o site novo no ar.
10. Controle as expectativas
Antecipe o impacto da migração aos seus gestores. A escala desse impacto depende do escopo do projeto e da qualidade do planejamento, mas deve acontecer.
Pode levar alguns dias para o site voltar a ranquear. E, mesmo depois de ranquear, pode demorar um pouco para gerar o mesmo tráfego de antes. Mas, com o passar do tempo, o novo site pode chegar mais longe do que o primeiro.
Você deve explicar tudo isso numa linguagem que a sua liderança entenda. Documente o processo em detalhes, mostre que você tomou todas as precauções para minimizar as quedas e apresente o seu plano de acompanhamento do site novo.
11. Revise tudo
Antes do site ir ao ar, faça uma revisão geral no ambiente de testes. Analise cada pequeno detalhe de SEO e usabilidade para garantir que está tudo no lugar certo.
Entre os aspectos que você deve averiguar:
Tags do GA;
Configuração de eventos;
Checkout;
Fluxo de envio automático de e-mail;
CTAs;
Formulários de captação de leads;
Palavras-chave principais das páginas;
Headings (H1, H2 e H3);
Performance;
Links internos;
Redirecionamentos;
Usabilidade em dispositivos móveis.
De preferência, mais de uma pessoa deve testar, em diferentes condições.
Ações para o dia da migração
No dia do lançamento, o objetivo é identificar e corrigir problemas o mais rápido possível.
As ações para minimizar riscos são:
Escolher o momento certo de lançar (a decisão mais importante);
Remover as tags noindex/nofollow aplicadas no ambiente de testes;
Revisar status de resposta HTTP;
Solucionar links quebrados;
Enviar o novo sitemap no Search Console.
Fora isso, teste todos os elementos possíveis. Ao longo dos dias, vá revisando tags, checkout, links, redirecionamentos e tudo o mais.
1. Escolha o momento certo para lançar o novo site
Lance o site em um momento de poucas vendas e tráfego, como as primeiras horas do dia. Assim você interfere o mínimo possível nos negócios da empresa.
Tenha sempre pelo menos uma pessoa do time de desenvolvimento a postos nas próximas 24h ou 48h, para o caso do site cair ou ter algum problema sério.
Ou seja, NADA DE LANÇAR NA SEXTA-FEIRA. Menos ainda no final de semana.
2. Remova as tags noindex do ambiente de testes
É mais normal do que parece um site sair do ambiente de testes para o “live” com os bloqueios para mecanismos de busca.
Assim que lançar, tire a tag noindex, revise as diretivas do robots.txt, tire a senha para acesso, etc., dependendo do método usado para bloquear o acesso.
É mais normal do que parece sites ficarem dias sem aparecer no Google por causa de uma tag que ficou perdida ali no meio.
3. Revise os status de resposta HTTP
Status de resposta HTTP mostram o que acontece quando ocorre uma requisição para acessar o seu site. Eles indicam se está tudo certo, se houve erro, e qual erro foi esse.
Para o time de SEO, os que mais importam são:
200: indica que está tudo certo;
3xx: redirecionamento;
4xx: erro de cliente (vale a pena investigar);
5xx: erro de servidor (precisa corrigir).
Se você quiser ver todas as URLs, coloque o Screaming Frog para rastrear o site. Ou então aguarde o Googlebot visitar as páginas e veja os status problemáticos no relatório de indexação de páginas.
4. Solucione links quebrados
Um link quebrado é aquele que aponta para uma página inexistente. Pode acontecer com links internos e externos.
Você pode usar auditorias de site de ferramentas de SEO, como o Semrush, para identificá-los e corrigi-los.
Para os links internos: simplesmente vá até a página e coloque o link certo. É normal acontecer, mesmo com todo o planejamento para evitá-los durante as migrações.
Para os links externos: como eles estão fora do seu site, você não pode editá-los diretamente. Você pode fazer um redirect do link antigo para uma nova página, mais relevante. Ou, nos casos especiais, entrar em contato com o portal que está linkando e pedir para trocar a URL que aparece ali.
5. Envie o novo Sitemap ao Google
Basta submeter o novo sitemap via Search Console. Assim, o Google fica ciente mais rapidamente sobre a nova estrutura de páginas, o que em teoria agiliza o rastreamento das novas URLs.
Monitorando o SEO após a migração do site
O trabalho não termina quando o novo site entra no ar. Durante os próximos três meses, você deverá acompanhar o desempenho de perto para identificar e corrigir rapidamente os problemas de performance.
As principais ações são:
Acompanhar tráfego e ranqueamento;
Identificar erros;
Submeter páginas para indexação;
Realizar uma nova auditoria de SEO.
1. Acompanhe o tráfego e o ranqueamento do site
Acesse o Search Console e observe os seus dados de clique, CTR e posição média. Filtre os dados por consultas e por páginas e compare com a tabela que você criou antes de migrar o seu site.
Verifique também o rastreamento e a indexação de páginas. Monitore ao longo dos dias, para ver se o Google está indexando as novas páginas no ritmo esperado. Tome nota principalmente sobre páginas de alto impacto que ainda não estão visíveis no buscador.
É normal ver flutuações no início. Mas, com paciência e gestão adequada, a maioria dos sites migrados se recupera e fica até melhor do que era antes.
2. Monitore e revise erros
Fique alerta para novos erros que possam surgir. Em migrações, é comum se deparar com páginas 404, erros de redirecionamento e problemas de SEO técnico, como JS bloqueando rastreamento.
Monitore, identifique as questões problemáticas e solucione quando possível. As auditorias de ferramentas como Semrush ajudam nesse processo.
3. Submeta manualmente páginas para indexação
Você pode solicitar a indexação manual de páginas via Search Console.
Basta digitar a URL na caixa de pesquisa no topo da tela e pressionar “solicitar indexação”. Faça isso para páginas importantes que estão demorando para aparecer no Google.
Também é possível reenviar os sitemaps quantas vezes forem necessárias.
4. Faça uma nova auditoria de SEO
Realize uma auditoria pós-migração 30 dias após o lançamento do novo site.
Lembra do primeiro passo deste guia? Você irá repeti-lo. Talvez você não tenha tempo de fazer literalmente tudo igual, mas deve observar pelo menos:
Tráfego orgânico;
Palavras-chave que estão ranqueando;
Desempenho das páginas principais (que historicamente trazem mais cliques e receita);
Cobertura nas palavras-chave foco do site.
Isso te dará uma visão mais clara sobre o sucesso da migração e indicará quais pontos você deve priorizar nos próximos dois meses.
Apoio profissional para migrar o seu site
Tem bastante coisa pra fazer, né?
Migrações de site são tão complicadas justamente pelo excesso de variáveis que os times precisam analisar. Para ter apoio profissional durante a sua migração, converse com o nosso time.
A SEO Happy Hour tem experiência na migração de sites de todos os tamanhos e pode melhorar os resultados do seu novo site. Além de apoio nas ações gerais, você receberá uma análise individual, com um checklist específico para as suas necessidades atuais.
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
Comentários