Quem investir na personalização de conteúdo, em linguagem acessível (sem simplificar demais) e em branding, terá vantagem no mercado.
Estas são algumas das conclusões de uma pesquisa sobre os hábitos de consumo de informação para 2030, chamada “Next Gen News”, desenvolvida pela FT Strategies e pelo Knight Lab, com apoio do Google.
Apesar de ser focado em jornalismo, o estudo tem muitas aplicações práticas para quem produz conteúdo informativo em projetos de SEO. Inclusive, muitas das conclusões estão alinhadas com o que cobrimos aqui no site da SHH ao longo do ano sobre as mudanças nos buscadores.
Veja abaixo um resumo dos principais achados, acompanhado dos pitacos da equipe da SEO Happy Hour.
As principais descobertas da pesquisa
O Next Gen News identificou uma série de novos hábitos de consumo, assim como as características dos conteúdos que atendem esses hábitos e as estratégias que os portais devem adotar.
Segundo a pesquisa, os comportamentos emergentes da audiência são:
Uso de múltiplas telas ao mesmo tempo, para realizar tarefas completamente não relacionadas;
Busca por conteúdo opinativo para ajudar a entender e interpretar os fatos;
Pesquisas complexas por informação (e para fugir do excesso delas também).
Para satisfazer a essas necessidades, os conteúdos devem ser:
Simples de ler;
Fáceis de verificar as informações ou buscar fontes adicionais;
Altamente informativo;
Compartilhável;
Em formatos que a audiência já está acostumada a acompanhar;
Diversos, com múltiplas perspectivas em cada matéria (principalmente as que abordam temas difíceis).
A experiência ideal de acompanhar algum conteúdo informativo pode ser medida por três componentes:
Fontes confiáveis: credibilidade do portal, afinidade do público com o site, transparência no processo de produção;
Significância pessoal: relevância do tópico para a audiência, possibilidade de transformar as informações em ação prática;
Storytelling: conveniência para acompanhar a matéria, a linguagem e o formato utilizados.
Com base nisso, as estratégias que os portais devem desenvolver para 2030 incluem:
Construir afinidade com a audiência;
Oferecer experiências personalizadas de leitura e seleção de notícias;
Desenvolver conteúdo social-first, que já nasce para ser compartilhado nas redes sociais;
Modernizar a linguagem, sem fazer simplificações excessivas na cobertura jornalística;
Atender a diferentes modos de consumo de informação – como quem quer ler para se informar, e quem quer apenas “dar uma passadinha” para ter assunto com seus grupos sociais;
Noticiar para inspirar, apresentando os fatos, informando por que acontecem e como as pessoas podem agir para mudar a sua realidade.
Como a pesquisa foi feita
O Next Gen News é uma pesquisa global, feita com consumidores jovens. A lógica é que os comportamentos dessa faixa etária são frequentemente replicados por gerações mais velhas.
A pergunta central que o estudo quer responder é: “como serão as audiências de 2030?”.
Foram entrevistados consumidores na faixa etária de 18 a 25 anos de três países: Estados Unidos, Nigéria e Índia. Um grupo de consultores externos apresentou sugestões de estratégias para os grupos de mídia, com base nas principais descobertas da entrevista.
Foram selecionados apenas alguns países que falam inglês por questões de logística e de tempo para a realização do estudo.
Importante: nem sempre os hábitos de consumo de outros países se replicam no Brasil. Portanto, é interessante observar esses resultados, mas não precisa levar ao pé da letra.
O novo consumo de conteúdo
A primeira etapa do estudo foi entender como as notícias serão consumidas.
Diante da variedade de informações disponíveis, é necessário um trabalho extenso de “filtrar” as informações que aparecem na tela, antes de assistir a um vídeo ou ler uma reportagem.
Os filtros adotados, os canais onde as notícias são descobertas, e as expectativas em relação ao conteúdo tendem a ser diferentes das gestões passadas.
A equipe de pesquisadores descobriu que:
As novas gerações nem lembram do mundo antes dos smartphones. Por isso, o multitasking é completamente natural. Inclusive, as pessoas fazem diversas tarefas não relacionadas ao mesmo tempo;
Proximidade e afinidade interferem diretamente na confiança na informação. Ou seja, a credibilidade, no sentido clássico do termo, importa pouco se a audiência não se sentir representada ou não souber quem são os jornalistas por trás das matérias;
A opinião de pessoas que elas conhecem, tanto públicas quanto do seu convívio, é usada para interpretar ou validar o que elas leem nos jornais;
O ato de pesquisar informações ocorre em vários locais: redes sociais, conversas privadas ou em grupo, mecanismos de pesquisa, entre outros.
Opinião do redator: isso é basicamente o que já estamos acompanhando globalmente no mercado de SEO.
Estas são apenas algumas das matérias que saíram aqui no site da SHH esse ano e corroboram o que diz a pesquisa:
Com base nesses hábitos, os pesquisadores identificaram cinco modos de consumir conteúdo:
Peneirar (sift): significa filtrar o ruído, informando-se com fontes confiáveis enquanto evita o ruído causado pelo excesso de conteúdo publicado na internet;
Substanciar (substanciate): acontece quando a pessoa pesquisa informações, confirma o que está na matéria e interpreta os fatos para construir a sua “própria versão” dos fatos;
Estudar (study): é o consumo focado em aprender algo, no crescimento pessoal ou profissional;
Socializar (socialize): trata-se de consumir informações para se sentir parte integrante de algum grupo social;
Criar sentido (sensemake): é o consumo de informações sobre temas complexos, que envolve pesar diferentes pontos de vista e fontes enquanto se constrói opiniões e crenças sobre os fatos.
Idealmente, os sites de conteúdo devem ser capazes de atender a todos os modos de consumo. Para isso, devem construir estratégias de longo prazo, focadas em diferentes formatos de notícias.
A experiência de conteúdo ideal
De acordo com a pesquisa, as tendências de produção de conteúdo para os próximos anos envolvem a construção de confiança e o diálogo com o público. Isto é, além de seguir as boas práticas do jornalismo, será necessário falar a linguagem das redes e dos algoritmos.
A experiência de conteúdo ideal é composta por três etapas:
Ser visto como uma fonte confiável;
Fazer com que a audiência se sinta representada;
Publicar em formatos que fazem sentido para o seu público-alvo.
Veja como fazer.
Construção de confiança
Aqui, o conceito de “confiança” refere-se tanto à habilidade técnica e a precisão das informações, quanto à afinidade do público com os jornalistas e a empresa que está publicando as informações.
É bem diferente da lógica tradicional da credibilidade, com jornalistas mais “distantes” dos fatos que noticiam.
Isto é resultado de um cenário em que os algoritmos entregam conteúdo de fontes independentes, jornais e influenciadores, tudo misturado. Frequentemente, esses posts têm o mesmo peso – só lembrar do “caso Felca” aqui no Brasil, de um influenciador que pautou o jornalismo.
Este efeito, somado às fake news e ao conteúdo de baixa qualidade (criado frequentemente com IA), torna mais difícil a tarefa de definir e construir confiança.
Diante disso, surgem três critérios principais para as audiências:
Credibilidade, que é a expertise do portal;
Afinidade, que é o sentimento de conexão pessoal com o conteúdo;
Transparência, que é a compreensão do que “está por trás” de cada matéria produzida.
O que os consumidores mais jovens esperam:
Jornalistas com experiência pessoal nos temas que cobrem;
Portais que comunicam abertamente os seus erros e melhoram proativamente;
Jornalistas que representem os grupos dos quais a audiência faz parte;
Sites que produzam com consistência nas plataformas que a audiência mais usa;
Que as notícias sejam o início de uma conversa;
Capacidade de distinguir rapidamente entre os fatos e a opinião dos autores;
Transparência sobre quais são os patrocinadores do portal.
Opinião do redator: isso é basicamente o E-E-A-T do Google (experiência, expertise, autoridade, confiança). São atributos avaliados para identificar sites de boa qualidade.
Há diversos sistemas internos para medir o E-E-A-T, que podem ser influenciados por donos de sites. Fazer isso torna sua empresa alinhada aos buscadores e às expectativas do seu público-alvo.
Significância pessoal
A personalização é a chave para entender quais conteúdos são considerados relevantes para a audiência.
No passado, a “grande mídia” definia as pautas em nível local, nacional e internacional. Hoje, as pessoas têm diversos caminhos para buscar informações.
Dentro dessa lógica, pautada por algoritmos e comunidades nichadas, nem todas as notícias são consideradas importantes. O que é relevante para uma pessoa pode não o ser para outra.
Há dois critérios principais que definem se vale a pena ou não clicar:
O tópico em discussão me interessa?
O que eu posso fazer com essa informação?
O que os consumidores mais jovens esperam:
Conteúdos que entretenham, além de informar;
Consumir conteúdos sobre temas considerados “superficiais”, sem serem julgados por isso;
Ferramentas para definir com autonomia quais tópicos seguir;
Entender o impacto direto que um fato noticiado tem em sua vida;
Contexto e informações detalhadas para aprender mais sobre um tema;
Se sentir convidado a participar da solução de problemas;
Se informar sem sentir cansaço devido ao excesso de pautas ou a temas demasiadamente negativos.
Opinião do redator: o SEO está se organizando bastante em torno desses princípios.
O que os jovens e os grandes grupos de mídia entendem por “bom conteúdo” é bem diferente.
A preferência é por conteúdo visual, gráfico, imersivo e prontamente disponível. Em vez das grandes produções, que frequentemente são engessadas e presas a formatos rígidos, os jovens preferem consumir informações diretas e que exigem pouco esforço para acompanhar.
Neste cenário, escolher como contar uma história é quase tão importante quanto a história em si.
Para “dar certo”, um conteúdo precisa:
Ser facilmente lido e processado, pois aparecerá junto de uma centena de outros nas timelines;
Ter uma linguagem clara e fácil de acompanhar, mesmo para quem está menos atento às telas;
Obedecer aos formatos que as pessoas já estão acostumadas a acompanhar (e que façam sentido para a narrativa noticiada).
O que os consumidores mais jovens esperam:
Notícias relevantes sendo publicadas nas plataformas onde elas passam mais tempo;
Capacidade de controlar a experiência de consumo;
Matérias com resumos rápidos, mas que ofereçam oportunidades fáceis de aprofundamento;
Pouca barreira de entrada para acompanhar um assunto novo, do qual se conhece pouco;
Vocabulário que seja simples de entender, mas sem simplificar demais as nuances e os detalhes;
Histórias inspiradoras e que transmitam confiança;
Multiplicidade de tons de voz, inclusive os mais informais e bem-humorados;
Possibilidade de interagir com as notícias, em fóruns e em conversas particulares;
Formatos que realmente refletem os desejos da audiência, não a vontade dos produtores de conteúdo;
Informações em formatos que já são familiares, como os vídeos verticais curtos e os memes.
Opinião do redator: pra variar, também é algo que já estamos começando a ver no SEO.
Por muito tempo, o formato “padrão” da estratégia foi o texto longo, geralmente publicado em sites institucionais e blogs. Hoje, essas páginas já dividem espaço com conteúdo gerado por usuários, fóruns, vídeos longos e posts de redes sociais.
A maioria dos portais oferece experiências diferentes das que a audiência mais jovem valoriza. Para criar e manter conexão com essa parcela de público, é necessário fazer com que ela se sinta representada pelo conteúdo em suas telas.
Quando isso acontece, elas tendem a confiar mais naquele veículo, compartilhar suas matérias e acompanhá-lo mais de perto. No momento atual, de queda de tráfego orgânico, isso é muito valioso.
Os consultores sugerem investir em seis áreas principais de otimização:
Construção de afinidade: estabelecer parcerias com jornalistas e criadores de conteúdo independentes, trabalhar a marca pessoal dos produtores de conteúdo, contratar profissionais dos mesmos grupos identitários da audiência;
Aumentar a personalização: incluir resumos no início das matérias, usar chatbots personalizados para interagir com a audiência, deixar que as pessoas sigam temas no seu site;
Criar conteúdo nativo para redes sociais: seguir trends nas redes, usar formatos virais nas redes, estabelecer caminhos que levem o visitante das redes para o site do portal (eventos, aplicativo próprio, campanha de recompensa, etc);
Modernizar o texto: usar linguagem simples, estrutura de frases diretas, criar conteúdo evergreen, responder perguntas frequentes, revisar manuais de redação e criar “submarcas” com tons de voz alternativos;
Atender aos diferentes modos de consumo: desenvolver conteúdos para cada estilo (conteúdo mais simples para facilitar a “peneira”, mais informativo para quem quer estudar, conteúdo de entretenimento para socializar, etc.);
Empoderar a audiência: publicar em um ritmo mais lento, apresentar as soluções sempre que abordar um problema, estimular discussões.
Opinião do redator: é interessante observar o que os grandes veículos de mídia estrangeiros estão fazendo. Eles estão alterando as suas estratégias e muitas delas dialogam com as tendências e sugestões da pesquisa Next Gen News. Um dos meus preferidos é o Wired.
São matérias sobre o impacto da IA no conteúdo, mas as estratégias envolvem repensar os formatos, a estrutura e a função dos posts informativos.
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Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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