Fazer SEO usando IA não é tão simples quanto parece. Você pode usar as tecnologias generativas para as etapas operacionais do trabalho, mas nunca para realizar análises complexas ou tarefas estratégicas.
E é justamente nisso que a maioria das empresas se enrola.
Muitas usam a IA como atalho para análise de palavras-chave, redação de artigos ou definição de posicionamento estratégico. É realmente tentador usar a IA para automatizar tudo isso, mas simplesmente não funciona.
Os assistentes de IA foram criados com outra finalidade, não têm acesso a dados atualizados da SERP e menos ainda ao contexto e histórico completo do seu site. E nem adianta pedir para ela “agir como um especialista com 20 anos de experiência”, viu?
Neste post você verá uma lista de ações que você pode (e principalmente que não pode) automatizar no SEO usando os chatbots tradicionais de IA, sem integrações extras. Tentei realizar algumas tarefas comuns de SEO nessas interfaces e te mostro o que funciona e o que não dá certo.
O que você NÃO deve automatizar com IA
Vamos começar pelas ações que você NÃO deve deixar a IA fazer. São tarefas mais delicadas, que exigem estratégia ou pesquisa de alto nível.
Normalmente, quem usa a IA para essas ações tem problemas no médio e no longo prazo.
É o caso deste relato do Reddit: a IA aconselhou o dono de um site a remover uma série de páginas pois elas “não tinham valor” para SEO. Isso fez com que o site inteiro despencasse.
Chatbots de IA não entendem nada de SEO, são apenas ferramentas de predição de texto.
As áreas mais arriscadas de automatizar em SEO com IA são:
Estratégia de SEO;
Pesquisa de palavras-chave;
Redação;
Publicação de conteúdo em massa;
Editorial/direção criativa;
Auditorias de conteúdo/ SEO/ técnicas;
Revisão de conteúdo.
Na maioria dos casos, você poderá usar IA moderadamente em algumas etapas do processo. O problema mesmo é confiar na resposta ou achar que “se a IA falou, temos que aplicar”.
1. Estratégia de SEO
As IAs fazem inferências que parecem úteis, mas não se sustentam na prática. Elas não têm acesso a um “banco de dados de SEO”, com as melhores práticas. Mesmo que você compartilhe, a interpretação da máquina será diferente do que ocorre na SERP.
Por exemplo, eu pedi para o Claude criar a estratégia de SEO para uma marca de cosméticos. Praticamente todas as dicas que ele deu foram irrelevantes, inclusive com potencial de prejudicar o site.
A primeira foi alertar para conteúdo duplicado. O Claude afirmou que o site tem esse problema, sendo que isso é simplesmente mentira. As páginas “problemáticas” estão indexando, ranqueando e convertendo.
Depois, ele trouxe ideias para otimização de artigos. Os problemas que ele apontou realmente precisariam de correção… Se existissem de verdade. A IA não conseguiu rastrear corretamente as páginas e alucinou na análise.
Em seguida, a IA trouxe ideias de temas para abordar no blog. As pautas realmente têm a ver com os assuntos que a marca abrange, mas não correspondem aos produtos que ela vende. Ele sugeriu, por exemplo, “enfatizar o custo-benefício”, atributo que não se associa ao posicionamento da empresa.
Houve outros erros também – sugestão de dados estruturados (que já estão nas páginas), implementação de breadcrumbs (que já estão visíveis), organização com página-pilar (que já existe…), entre outras.
Enfim, tudo isso pra dizer que a IA tem limitações sérias na hora de mapear problemas, identificar sugestões e principalmente priorizá-las:
Não faz rastreamento profundo de sites;
Não tem histórico de marca;
Não conhece as estratégias que já foram aplicadas;
Não tem dados sobre conversões;
Não consegue relacionar o conteúdo ao posicionamento de mercado.
Tudo isso é compreensível, porque a IA foi criada para outra coisa. Mesmo que você a alimente com os dados, ainda corre o risco de cair nas imprecisões probabilísticas da máquina.
Quem mais entende do seu site e do seu mercado é você e o seu departamento de marketing, então a decisão precisa ficar na mão dessas pessoas.
2. Pesquisa de palavras-chave
As IAs não têm acesso a dados reais sobre palavras-chave. Se você pedir uma lista, ela gerará uma resposta que parece plausível, mas que não está ancorada na realidade.
Para ilustrar o ponto, pedi ao ChatGPT que criasse uma lista de termos para o site da SHH. O resultado foi uma lista de termos genéricos, gerada com base na compreensão da IA sobre a entidade “SEO Happy Hour” e sobre o universo de “SEO”.
Ou seja: a lista não considera a competitividade dos concorrentes, a tendência de crescimento dos termos, muito menos os termos exatos que as pessoas estão pesquisando (que é o que mais interessa). Fora a repetição de termos com o mesmo significado (“consultoria SEO”, “consultor SEO”, entre outros).
Quem entende um pouco de SEO, consegue perceber rápido que a lista é furada. Mas quem está iniciando na área ou é de outro setor e e está tentando otimizar por conta própria não terá essa clareza.
O único uso da IA para pesquisas de palavras-chave é mapear uma lista genérica de termos. Funciona assim:
Você pede tópicos relacionados à sua marca;
Define categorizações para esses termos;
Usa como ponto de partida para fazer as pesquisas de palavras-chave nas ferramentas de SEO.
Deste modo, você usa a IA para fazer a exploração inicial de um tópico, mas toma as decisões com base em dados reais, fora do chatbot.
3. Redação de conteúdo
A IA não é a sua melhor parceira de redação. Pelo menos, não se você espera apenas fazer um prompt, deixar ela escrever tudo e só publicar o resultado.
O motivo é muito simples: as IAs não criam nada de novo. Elas apenas condensam o que já existe. Portanto, quando você publica a resposta dela, está apenas replicando o que já está na internet, sem acrescentar nada único.
Isso é péssimo para a sua estratégia de SEO e pode fazer os seus resultados despencarem.
Já falamos muito sobre o assunto redação com IA aqui no site da SHH, então vou deixar aqui os links dos guias com todos os detalhes:
Esta é uma “evolução” da redação de conteúdo: significa usar a IA para escrever em alto volume. Algumas estratégias de SEO se baseiam na publicação de dezenas de conteúdo por semana, já que a IA consegue escrever mais rápido do que um ser humano.
Os resultados costumam ser catastróficos. E seguem sempre o mesmo padrão: o site ganha um pico de acessos, mas dura apenas alguns meses. Na sequência, o resultado cai bruscamente e não volta a se recuperar, pois o Google entende que o site tem baixa qualidade e deixa de priorizá-lo nos resultados orgânicos.
Também já falamos bastante do assunto no site e na newsletter da SEO Happy Hour. Os links para saber mais são esses aqui:
Não existe comprovação de que a IA está por trás da escolha. Pode ser só coincidência, fruto de análises aprofundadas dos departamentos de marketing… Mas é suspeito todas terem chegado na mesma cor.
Esse efeito de “repetição” já é conhecido. Um estudo de 2025 demonstrou que o uso de IA resulta em uma similaridade de ideias.
Quando as marcas usam a IA em etapas criativas, acabam, sem perceber, reproduzindo os mesmos discursos, ou se comunicando de formas muito parecidas.
O detalhe é que a sua empresa precisa justamente do contrário: pontos de vista únicos, informações novas e diferenciação daquilo que já está publicado na internet. Principalmente se você for uma marca pequena ou média, é muito difícil crescer fazendo o mesmo que todo mundo.
O problema central da IA para as tarefas criativas é que ela não tem bom gosto. Ela gera informações, mas não consegue descobrir por conta própria o que há de mais importante ou que se conecta melhor ao público.
Você deve usar a IA apenas como apoio, em etapas específicas do processo criativo. Logo mais falo sobre essas tarefas!
6. Auditorias de SEO
Uma auditoria de SEO é uma análise detalhada dos diversos aspectos do seu site. Podem ser de saúde geral do site, de aspectos de conteúdo ou focada nos elementos técnicos.
E, sendo uma análise detalhada… A IA não faz bem. Ela entende a teoria por trás das ações básicas de SEO, pode listar ações e te explicar conceitos gerais. Mas não compreende o que de fato ocorre em um site, nem as implicações de cada sugestão.
Por exemplo, se você pedir um “checklist de migração de site”, receberá uma lista bem completa. No entanto, a resposta padrão omite o mais importante: o alinhamento entre os times, como colocar as pessoas de diferentes áreas para dialogar e quais devem ser as contribuições de cada uma.
Você pode usar a IA para ter um norte, mas não deve confiar cegamente na aplicação dos itens da auditoria. Seja extremamente crítico com a resposta, pois é quase certo que você encontrará erros e lacunas.
Em que você pode usar IA em SEO
Há muitas áreas nas quais a IA pode ser usada com mais eficiência. Ela ainda é uma ferramenta, e precisa ser utilizada com muito senso crítico.
As ações mais simples de automatizar com IA são:
Brainstorming em geral;
Resumo e (certos tipos de) pesquisas;
Estruturação de conteúdo;
Geração de títulos e metadescrições;
Tradução;
Personalização de site;
Identificação de gaps de conteúdo;
MVPs e ferramentas internas.
Veja abaixo como fazer.
1. Brainstorming
A IA pode te ajudar com as primeiras ideias para as suas tarefas de SEO.
Por exemplo, sugerir tópicos amplos para a sua pesquisa de palavras-chave, criar variações de títulos, ou gerar uma estrutura de texto para você lapidar depois.
Logicamente, você não irá replicar exatamente a resposta, mas usar esse momento como uma exploração inicial do tema. Também não pode usar esse brainstorming como “muleta” para parar de ter ideias sozinho – como já disse ali em cima, a IA nunca cria nada novo.
O brainstorming é um dos usos mais básicos da IA, sendo útil principalmente quando você se sente travado em alguma tarefa e não tem ninguém da equipe disponível para trocar ideias.
2. Resumo e (certos tipos de) pesquisas
Você pode usar a IA como apoio no seu processo de pesquisa. Por exemplo, para transcrever vídeos, extrair os tópicos mais importantes de uma apresentação, ou apresentar listas de links cobrindo certos temas, para que você possa se aprofundar nas pesquisas.
No entanto, é necessário ter cautela com as respostas, por algumas razões:
Os chatbots de IA não estão conectados a fontes originais de dados, nem são uma inteligência coletiva;
Eles não avisarão caso não saibam responder uma pergunta. Pelo contrário: a resposta será gerada normalmente, ocultando informações erradas;
Nem todos os links são válidos. A IA pode fazer inferências incorretas com base nas informações rastreadas ou até inventar URLs.
Para os usos simples, do cotidiano, a IA é uma parceira útil. Mas, caso você não domine o tema que está pesquisando, ou precise de algo mais aprofundado, precisa redobrar a cautela.
3. Estruturação de conteúdo
A IA consegue agilizar um trabalho bem manual do SEO: montar o “esqueleto” do seu conteúdo.
Com base em um briefing ou lista simples de informações que você quer transmitir, os chatbots podem criar uma estrutura com as heading tags adequadas, comparar essa estrutura com outras páginas na web, identificar lacunas, entre outras ações.
A partir daí, o seu trabalho passa a ser revisar o conteúdo e incluir pontos de vista originais.
4. Geração de títulos e metadescrições
Títulos e metadescrições são aspectos importantes do SEO, mas seguem fórmulas prontas: têm sempre a mesma função, mesma limitação de caracteres e aspecto descritivo.
Em sites com muitas páginas, que requerem atualizações constantes desses elementos, as IAs podem ajudar. Basta definir boas diretrizes, com base nas boas práticas de otimização de títulos e descrições, e revisar antes de atualizar no site.
5. Tradução
Traduzir sites ficou mais fácil com a IA. Em vez de criar as páginas todas do zero, você pode simplesmente pedir a tradução e gastar o seu tempo fazendo os ajustes finos.
Dependendo do tipo de texto, a primeira tradução já sai com bastante qualidade. A questão acaba sendo mais de revisão em estilo de linguagem, para garantir que nenhuma informação ou tom de voz se perca no caminho.
Essa abordagem acaba sendo interessante para traduzir um blog para audiências internacionais, por exemplo.
6. Personalização de sites
A IA facilita diversos trabalhos de personalização de sites. Muitas dessas ações nem seriam feitas sem a IA, ou seriam muito mais trabalhosas.
Por exemplo:
Tradução, como já mencionamos;
Criação de plugins em geral, como modo noturno ou snippet de tempo de leitura de textos;
Chatbots/agentes de relacionamento com clientes;
Construção de temas próprios.
Você não precisa de IA para fazer tudo isso. Mas, são atividades que requerem um conhecimento especializado, do qual muitas equipes não dispõem. Nesses casos, as ferramentas de programação, como Claude Code, ajudam muito.
7. MVPs e ferramentas
A IA é excelente para programar pequenos projetos sem a presença intensiva de desenvolvedores.
Podem ser MVPs (Produtos Mínimos Viáveis) para testar uma hipótese ou abordagem de marketing, ou ferramentas simples para usar como iscas de leads.
Uma empresa de energia solar, por exemplo, pode lançar páginas que simulam a economia ao contratar o serviço. A pessoa digita o valor gasto na conta de luz, ou sua média de consumo, e recebe a % de economia possível na contratação.
Esse tipo de ferramenta pode ser feito em poucas horas usando soluções como v0 ou Lovable. E, se você não sabe se vai dar certo, compensa mais usar a IA para gerar uma versão mínima, colocar para rodar e depois aprimorar, caso dê certo.
As armadilhas da IA
O grande desafio de usar a IA para SEO é que as respostas sempre parecem plausíveis, mesmo quando não são. Logo, quando alguém que não conhece os detalhes da otimização de IA (e do funcionamento dos modelos) avalia as sugestões, pode deixar detalhes importantes passarem em branco.
As principais armadilhas do uso de IA (em SEO e em outras áreas) são:
Achar que a IA tem inteligência geral: ela prevê a próxima palavra mais provável com base em padrões de texto. Não existe compreensão ou intenção real por trás da resposta, mesmo quando o texto parece coerente;
Esquecer que a IA não está conectada a bases reais de dados: sem uma ferramenta conectada (Search Console, Analytics, um crawler), o chatbot não sabe o tráfego do seu site, o volume de busca de uma palavra-chave ou a posição atual no Google;
Superestimar a capacidade de pesquisa: chatbots como Claude ou ChatGPT não foram criados para buscar informação atualizada por padrão. Podem confundir fatos, datas e fontes, e inventar referências que parecem reais mas não existem;
Antropomorfizar a IA: antropomorfismo significa atribuir características humanas a algo inanimado. Ou seja, tratar a IA como capaz de pensar, raciocinar, ter opinião própria ou decidir alguma coisa;
Esquecer que a IA é probabilística: um mesmo prompt pode gerar respostas diferentes, mesmo sem nenhuma mudança real de descrição. Achar que as respostas são invariáveis é um grande erro, principalmente em tarefas que existem precisão, como relatórios financeiros;
Confiar na resposta pela forma como ela é apresentada: o texto da IA sai bem escrito, com tom seguro e formatado, e isso en gana sobre a qualidade do conteúdo;
Esquecer que a IA reflete o que está no prompt: se a pergunta já carrega uma premissa ou viés, a resposta tende a reforçar isso, em vez de questionar.
Tudo isso induz ao erro — e ao workslop. É um termo usado para descrever o trabalho mal feito, gerado por IA. Uma das principais razões desse slop existir é a confiança extrema que as pessoas têm nas respostas.
Sem o uso cauteloso ou uma revisão cuidadosa, os erros escapam. E aí ocorre uma percepção curiosa: que a IA não aumenta a produtividade tanto assim e que era mais fácil só ter feito o trabalho manualmente mesmo.
Não delegue para a IA aquilo que você não sabe fazer
Evite usar a IA nas áreas que você não domina. Assim fica muito mais fácil escapar das armadilhas e avaliar objetivamente a qualidade das respostas. Sem experiência, conhecimento teórico ou de processos, você fica de certa forma “refém” do que a IA apresenta.
Mesmo que você “debata” com ela, ou peça para que ela explique o seu raciocínio… Seria como conversar com um espantalho, pois trata-se de um modelo que prevê sequências de palavras, com base em padrões identificados em seu processo de treinamento.
É por isso que a IA não substitui especialistas. Muito pelo contrário, é necessário ter domínio sobre a sua área de atuação para extrair o máximo potencial das ferramentas.
Você nem sempre precisa saber tudo. Por exemplo, dá pra você começar a arriscar fazer alguns programinhas pequenos, mesmo sem ser desenvolvedor. Mas a partir do momento que o projeto cresce e exige modificações, você ficará cada vez menos capaz de “controlar” o que sai da IA.
A IA acelera, mas não substitui
Chatbots de IA aceleram processos, isso é inegável. Você pode delegar diversas tarefas e permanecer responsável pelas análises, revisões, estratégias de lançamento, decisões, entre outros.
Usando a IA dessa maneira em SEO, você consegue acelerar o trabalho sem assumir riscos desnecessários. No entanto, tenha cuidado com a tentação de automatizar tudo. Infelizmente, vemos muitas empresas fazendo isso em SEO e colecionando resultados negativos.
Para acompanhar as melhores práticas sobre uso de IA e estratégias de SEO, siga a SEO Happy Hour! Compartilhamos guias completos com frequência no Linkedin e em nossa newsletter.
Elyson Gums é redator na SEO Happy Hour. Trabalha com redação e produção de conteúdo para projetos de SEO e inbound marketing desde 2014, em segmentos B2C e B2B. É bacharel em Jornalismo (Univali/SC) e mestre em Comunicação Social (UFPR).
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